SUSPEITA DE LEPTOSPIROSE

Dos 23 presos internados em Teresina, dois estão sem andar e um respira com dificuldade

Veja lista e quadro de saúde de 16 presos da Cadeia de Altos internados em hospitais de Teresina


Presos da Cadeia Pública de Altos chegam a UPA em cadeira de rodas

Presos da Cadeia Pública de Altos chegam a UPA em cadeira de rodas Foto: Piauihoje.com

O Piauihoje.com teve acesso com exclusividade a uma lista com o nome de 16 apenados da Cadeia Pública de Altos (CPA) que estão internados neste domingo (24) em unidades hospitalares de Teresina com quadro de infecção e suspeita de leptospirose.

Os reeducandos estão espalhados entre o Hospital Getúlio Vargas, Hospital da Primavera, Hospital do Parque Piauí e Instituto de Doenças Tropicais Natan Portella (antigo HDIC), Hospital de Urgência de Teresina (HUT) e Hospital da Polícia Militar (HPM). Eram 27, quatro morreram.

Pacientes internados no HGV 

1 - Antônio José da Silva, paciente estável;

2 - Lucas Rodrigues de Sousa, paciente estável;

3 - Samuel Rodrigues Leite de Sousa, paciente estável;

4 - Vicente de Paula Rodrigues Alves, paciente estável (estava na UPA Satélite);

5 - Isac Gomes de Oliveira, paciente evoluiu para um quadro de dispneia, que é a falta de ar, dificuldade para respirar, com saturação baixa. Ele deu entrada na UTI às 15h entubado. Um profissional da saúde pede que a família leve hidratante e sabonete líquido para a devida higienização do paciente.

6 - Wesley Almeida dos Santos, paciente estável;

7 - Lucas dos Santos Ferreira, paciente estável;

8 - Tiago Marques de Araújo, paciente estável.

Segundo o boletim, todos fizeram o teste rápido e o resultado foi negativo para Covid-19.

Os oito também passaram por exames de sorologia para leptospirose e fizeram hemocultura e urocultura, para identificar através da urina e sangue a presença de possíveis bactérias.

Pacientes Hospital Natan Portella

1 - Danilo Gabriel Brasil Alves, paciente estável e aguardando para fazer exames;

2 - Marcelo Henrique da Silva, paciente estável;

3 - Cássio da Silva Sousa, paciente estável;

4 - Edson Gonçalves Lima, paciente estável;

5 - Henrique William Viana Soares, paciente estável.

Hospital do Parque Piauí

1 - Evaldo Costa de Almeida, paciente estável, deambulando com auxílio, que significa estar andando através de cadeira de rodas com ajuda de alguém. Ele relata não ter condições de higienização pessoal devido uma fratura na bacia e perda de sensibilidade nos membros superiores por conta de já ter tido hanseníase. O interno foi regulado para o Hospital Getúlio Vargas.

2. Antônio Felipe Pereira Alves, paciente estável.

Hospital da Primavera

1 - Edilson de Sousa Filho, paciente estável, deambulando com auxílio. Ele também foi regulado para o HGV.

Entenda o caso

Pelo menos 48 apresentaram variados sintomas de infecções no dia 7 de maio. Alguns apresentaram edemas e colúria (urina escura), entre outros sintomas. Dois deles testaram positivo para leptospirose e um terceiro está com hepatite A.

De acordo com exames realizados sob o comando da Secretaria Estadual de Saúde - Sesapi, a água contaminada é a provável causa da intoxicação dos presos. Laudo preliminar apontou presença de coliformes fecais e urina de rato na água que os presos consomem diariamente.

O relatório técnico foi apresentado ao Ministério Público do Piauí (MP-PI) em reunião por videoconferência que contou com a participação do secretário estadual de Justiça, Carlos Edilson. Até agora, ninguém foi ouvido ou responsabilizado pelo caso.

Além da leptospirose, suspeitas médicas apontam que a doença que pode ter atingido a maior parte dos presos infectados seja síndrome de Guillain Barré, que se desenvolve quando o sistema imunológico do próprio corpo ataca parte de seu sistema nervoso. A enfermidade, geralmente, é provocada por processos infecciosos anteriores como Hepatite A, B e C, Zika, Dengue, Sarampo, Citomegalovírus, outros.

Entre os principais sintomas da doença é a fraqueza muscular que começa pelas pernas, podendo avançar pelo tronco, braços e face. A síndrome pode também reduzir ou eliminar os reflexos. Faz mais sentido ainda as suspeitas médicas, uma vez que como foi divulgado em reportagens anteriores sobre o caso, oito presos chegaram em cadeiras de roda à Unidade de Pronto Atendimento do bairro Satélite, zona Leste de Teresina, na noite da última quarta-feira (20) como mostra o vídeo a seguir.


Mortes

Em um intervalo de 10 dez dias quatro dos 48 presos morreram. Eles estavam internados no HUT. A morte mais recente ocorreu na manhã de hoje, trata-se de Robert Ozeas da Silva Pereira. A causa da morte está sob investigação. Francisco Wellington foi o primeiro detento a morrer. Ele veio a óbito na noite da última quinta-feira (14). Em seguida faleceu Martoniel Costa Oliveira, de 21 anos, na terça-feira (19). Já na sexta-feira (22) faleceu Jefferson Linhares Silva. O trio morreu em um intervalo de apenas oito dias.

Martoniel, Jefferson e Francisco Wellington

Denúncia

A Cadeia Pública de Altos é o presídio mais novo do Piauí. Foi inaugurado em 23 de setembro do ano passado e já possui 720 internos. É moderna, tem 603 vagas e foi projetada para abrigar presos provisórios. Atualmente 700 internos estão privados de liberdade lá.

Familiares e advogados dizem que não estão sendo informados sobre o estado de saúde dos detentos, tampouco estão sendo avisados das internações em hospitais de Teresina. Afirmam também que não estão podendo levar alimentos e produtos de higiene pessoal para os detentos durante a pandemia do novo coronavírus. 

A Secretaria de Justiça vinha permitindo o contato de parentes por videoconferência, mas quando o preso começava a falar que estava se sentindo mal, a ligação era encerrada.

Na última segunda-feira (18), mães, pais, cônjuges e amigos de presos realizaram um protesto em frente ao Palácio de Karnak e pediram a queda e punição da atual diretoria da CPA.

Ações do Governo do Piauí frente ao caso

Em nota divulgada, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Saúde (Sesapi) e Secretaria de Justiça (Sejus), informa que está reforçando o atendimento aos detentos da Cadeia Pública de Altos que estão com infecção. Na unidade, uma enfermaria foi instalada para o atendimento e acompanhamento dos internos e, aqueles que apresentam sintomas mais graves são transferidos para o Hospital da Polícia Militar (HPMPI) ou para o Hospital Getúlio Vargas (HGV). No HGV, uma nova ala, com 20 leitos, está sendo organizada para o tratamento desses casos.

Até o momento, 23 detentos estão internados e a suspeita é que a infecção seja por contaminação da água. Desde que relatada a suspeita, a Sejus realizou a limpeza da caixa d’água e tubulação da unidade, bem como irá implementar o tratamento da água. Também foi instalado um dosador de cloro no poço. Enquanto a situação é resolvida, internos e servidores consomem água mineral.

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