O debate sobre a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da chamada escala 6×1 — regime em que trabalhadores cumprem seis dias de trabalho seguidos de apenas um dia de descanso — ganhou um novo capítulo nessa semana no Congresso Nacional.
O presidente nacional do Republicanos e deputado federal Marcos Pereira (SP) se posicionou publicamente contra a proposta, afirmando que a redução da jornada de trabalho poderia trazer efeitos “prejudiciais” à economia e à própria população. Em entrevista à Folha de S.Paulo nessa quarta-feira (25), Pereira defendeu que “quanto mais trabalho, mais prosperidade”, e sugeriu cautela em um ano eleitoral para a tramitação da PEC. Já nessa quinta-feira (25), o presidente da Câmara de Deputados, Hugo Motta, anunciou a proposta como uma das prioridades do ano e disse que o fim da escala 6x1 pode ser votado em maio no plenário da Casa.
Porém, uma declaração sobre a vida social de trabalhadores de baixa renda feita pelo deputado republicano, gerou repercussão imediata nas redes sociais e no meio político.
Acho que quanto mais trabalho, mais prosperidade. Claro, a pessoa tem que ter lazer, mas lazer demais também, o ócio demais faz mal. O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Pode ser o contrário. Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?
Organizações de trabalhadores e parlamentares de oposição classificaram o comentário como elitista, argumentando que ignorar o direito ao descanso é reforçar desigualdades sociais e econômicas existentes. Especialistas em direitos trabalhistas também destacam que jornadas longas são historicamente associadas a efeitos negativos sobre a saúde, o bem-estar e a produtividade — pontos frequentemente utilizados em debates internacionais sobre redução da carga horária.
O que vem pela frente
A proposta de emenda à Constituição ainda precisa ser analisada em comissões da Câmara dos Deputados e pode enfrentar votações ao longo dos próximos meses, com forte pressão de diferentes grupos sociais e entidades sindicais. Segundo o presidente da Câmara, a votação poderá ser realizada em maio desse ano.
Enquanto isso, a declaração polêmica — que questiona como um trabalhador de baixa renda poderia “gastar” seu tempo livre — segue repercutindo e alimentando um debate mais amplo sobre trabalho, lazer e desigualdade social no Brasil.
Fonte: Folha de S. Paulo e BBC News Brasil
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