Geral

SEGURANÇA JURÍDICA

Dino propõe reformar Judiciário com pena rigorosa para corrupção de juízes

Ministro criticou defesa de autocontenção do STF e afirmou que o Brasil precisa de “mais justiça”

Redação

20 de abril de 2026 às 18:13 ▪ Atualizado há 4 horas

Ver resumo
  • Flávio Dino, ministro do STF, propôs uma reforma do Judiciário, destacando penas mais severas para corrupção entre juízes e advogados.
  • Argumenta que essas medidas são essenciais para garantir a confiabilidade do sistema legal e para a democracia.
  • A reforma deve focar em criar um sistema jurisdicional que ofereça segurança jurídica e acesso a direitos com rapidez e efetividade.
  • Criticou a ideia de "autocontenção" do STF, defendendo mais justiça no país.
  • Sugeriu revisão das competências do STF e limitações ao uso de inteligência artificial em processos judiciais.
  • Propôs instâncias especializadas para acelerar processos em crimes específicos, como contra a pessoa e a dignidade sexual.
  • Destacou a necessidade de combater redes de corrupção e financiamento ilegal.
  • Houve um embate com Edson Fachin sobre prioridades da presidência do STF, como a questão dos supersalários na magistratura.
  • Fachin apoiou as ideias de Dino, reconhecendo a importância de melhorias na ética e responsabilidade judicial.

Flávio Dino diz que a confiabilidade do judiciário é fundamental para a democracia
Flávio Dino diz que a confiabilidade do judiciário é fundamental para a democracia

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Flávio Dino defendeu nesta segunda-feira (20) uma reforma do Poder Judiciário. Em artigo publicado pelo ICL Notícias, ele fala de propostas de mudanças, como a necessidade de penas mais rigorosas para corrupção de juízes, procuradores, advogados e servidores do sistema de Justiça como um todo, argumentando que a confiabilidade do judiciário é fundamental para a democracia.

De acordo com o ministro, a reforma deve priorizar a criação de um sistema jurisdicional capaz de garantir segurança jurídica e acesso a direitos com mais velocidade, confiabilidade e efetividade. Dino afirmou que o Brasil precisa de “mais justiça” e criticou aqueles que defendem uma “autocontenção" do Supremo. “O Brasil precisa de mais Justiça, não menos, como parecem pretender certos discursos superficiais sobre uma suposta 'autocontenção’, vista como uma ‘pedra filosofal’”, disse.

Ministro também defendeu a revisão das competências constitucionais do STF (Foto: Antonio Augusto/STF)


O ministro também defendeu a revisão das competências constitucionais do STF e dos tribunais superiores, a criação regras e limites para o uso de inteligência artificial nos processos judiciais e a adoção de critérios mais rígidos para que ações cheguem a esses tribunais, especialmente ao STJ, com o objetivo de agilizar as ações.

Dino sugeriu ainda a criação de instâncias especializadas em todos os tribunais para dar mais celeridade a processos envolvendo crimes contra a pessoa, crimes contra a dignidade sexual e improbidade administrativa. No artigo, o ministro ainda classificou como “graves” os problemas que atingem segmentos do Poder Judiciário, mas ressaltou que eles fazem parte de um sistema mais complexo.

Segundo ele, a existência de venda de sentenças, vazamentos indevidos e exploração de prestígio está ligada a um amplo mercado profissional que “compra” tais práticas ilegais. “Não há corrupção sem redes de financiamento e lavagem de capitais, e somente um enfrentamento sistêmico pode, de fato, ultrapassar as fronteiras de medidas superficiais ou puramente simbólicas”, disse o ministro.

Embate com Fachin

A sugestão de criar penalidades maiores para corrupção de juízes representa mais um recado de Dino em relação às prioridades do presidente da Corte, o ministro Edson Fachin. Desde o início de sua gestão, em setembro de 2025, Fachin tenta avançar com a elaboração de um código de conduta para ministros do Supremo e tem tido dificuldade de conquistar apoio dos colegas.

Fachin disse que as ideias trazidas por Dino no artigo merecem "aplauso e apoio" Foto: Rosinei Coutinho/STF)


Outra prioridade de Fachin na presidência era solucionar os supersalários na magistratura. O plano do ministro era discutir o tema no CNJ (Conselho Nacional de Justiça). No entanto, em fevereiro, Dino decidiu suspender o pagamento de penduricalhos ilegais no serviço público, fazendo com que a discussão fosse realizada no STF e com muito mais celeridade. Já em março, Dino proferiu decisão que acabava com a aposentadoria compulsória como punição mais grave a magistrados, forçando o CNJ (que também é presidido por Fachin) a regulamentar o tema. 

Procurado pela CNN, Edson Fachin afirmou por meio da assessoria que as ideias trazidas por Dino no artigo merecem "aplauso e apoio". "Ali se apresenta uma reflexão oportuna e bem estruturada sobre a necessidade de aperfeiçoamento do Poder Judiciário, tratando o tema com seriedade institucional e senso de responsabilidade republicana", afirma o presidente da Corte.

Fachin diz ainda que Dino trouxe uma ênfase relevante à ética e à responsabilidade funcional. "O equilíbrio entre independência judicial e mecanismos de controle é abordado com sobriedade, reforçando a ideia de que credibilidade institucional depende, também, da capacidade de reconhecer falhas e corrigi-las com firmeza e justiça", disse Fachin.

Fonte: CNN