O governador do Distrito Federal - DF, Ibaneis Rocha disse que o advogado piauiense Willian Guimarães, sócio dele, foi uma das testemunhas da conversa do governador com o dono do Banco Master, Daniel Vocaro, preso na sede da Polícia Federal, em Brasília. O encontro foi na casa de Vorcaro.
Na sexta-feira (27), durante entrevista a repórter Isadora Teixeira, do portal Metrópoles, de Brasília, Ibaneis informou que estave reunido com Daniel Vorcaro, em um jantar, na mansão do banqueiro, em Brasília, e que não tratou do Banco Master. Segundo ele, a conversa girou entorno de aviões e vinhos.
O advogado Willian Guimarães Santos de Carvalho é conhecido por sua trajetória na advocacia piauiense e brasiliense, e pela estreita ligação profissional com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, de quem é sócio do escritório Ibaneis Advogados Associados, pertencente ao governador.
Ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Piauí e ex-procurador-geral do Estado do Piauí, Willian Guimarães é um aliado próximo de Ibaneis. Ele tem atuado ativamente em representações e processos judiciais relacionados ao governador, com destaque para a área eleitoral. Seu nome aparece em registros de associações e representações processuais junto com o escritório Ibaneis.
Willian Guimarães é frequentemente citado em contextos que envolvem a atuação jurídica e eleitoral do grupo político e profissional de Ibaneis Rocha. Ele é cunhado do também advogado e ex-secretário de Economia do DF, Ney Ferraz Júnior, demitido do cargo em agosto de 2025, após ser condenado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios a mais de nove anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.
A entrevista de Ibaneis ao Metrópoles.
Durante a entrevista, o governador Ibaneis Rocha (MDB) negou ter determinado a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). A operação de aquisição de 58% do capital foi rejeitada pelo Banco Central, que determinou a liquidação do Master em novembro de 2025.
Em entrevista exclusiva ao Metrópoles, nesta sexta-feira (27/3), Ibaneis declarou que “nunca tinha ouvido falar o nome de Daniel Vorcaro e Banco Master na história”. Afirmou que esteve na casa de Vorcaro para um almoço, na ocasião em que falaram sobre “avião e vinhos”.
“Eu passei a ter esse conhecimento a partir da apresentação que foi feita. Como eu disse, eu fui convidado por ele para um almoço na casa dele. Eu achei natural. Eu recebo todos os empresários. Na ocasião, ninguém tratou sobre o banco. Ficamos falando sobre avião, ficamos falando sobre vinhos. Eu estava acompanhado da Juliana, do Willian Guimarães, que é sócio do nosso escritório, se eu não me engano, também do meu filho“, contou Ibaneis sobre o encontro na mansão de Vorcaro, em Brasília.
“Eu comecei a tomar conhecimento de que existiria essa operação em andamento relacionada à compra do Master pelo BRB. Quis entender como era essa operação e fui convencido pelo Paulo Henrique [ex-presidente do BRB] de que seria uma operação que faria o BRB se transformar no sexto maior banco do Brasil, sem necessidade de aporte financeiro do Governo do Distrito Federal”, declarou.
Ibaneis disse também que não detém conhecimento do sistema financeiro ou bancário e que não sabe nem “passar Pix”. “As contas minhas quem acompanha são meu filho e minha ex-esposa. Eu sou meio analógico ainda. Eu não tinha capacidade técnica de avaliar se aquela operação era ou não correta. Eu tinha que acreditar no meu principal interlocutor naquele momento, que era o Paulo Henrique“, afirmou.
Questionado se sabia que o BRB comprou R$ 16 bilhões em carteiras de crédito suspeitas de serem falsas do Master, Ibaneis negou. “Eu só vim a descobrir realmente o que é que estava sendo feito, mesmo sem ter notícia dos valores, quando começou a dar problema, aí eu comecei a ser procurado“, contou.
O governador disse que soube dos negócios próximo da liquidação do Master, que ocorreu em novembro de 2025. “Eu até fiz uma ligação para o Paulo. Estava terminando um curso em Harvard e eu liguei para ele e falei: você tem que abandonar isso aí ele procura resolver o problema, senão isso aqui vai se avolumar um ponto que não vai ter mais retorno. Infelizmente ele não nos ouviu. Também já estava em andamento a operação policial. Agora eu digo o seguinte para vocês: continuo confiando no Paulo. Ele tem como explicar tudo que ele fez lá dentro”, declarou.
Em 18 de novembro, Paulo Henrique foi afastado do cargo de presidente do BRB por determinação judicial, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. Naquela ocasião, Vorcaro foi preso pela primeira vez.
Veja a entrevista de Ibaneis Rocha ao Metrópoles
Renúncia e rombo no BRB
O governador Ibaneis Rocha (MDB) assinou hoje o ato de renúncia ao cargo de chefe do Executivo do Distrito Federal durante evento de aniversário de 55 anos da cidade de Ceilândia. A formalização da renúncia ocorreu em uma "costelada" na Praça da Bíblia, evento que marcou o último ato de Ibaneis à frente do governo. Ele quer concorrer ao Senado nas eleições de outubro.
Mas antes de deixar o cargo, Ibaneis Rocha (MDB), enviou uma carta ao presidente do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para iniciar as tratativas para um empréstimo de R$ 4 bilhões para socorrer o Banco Regional de Brasília - BRB.
O pedido ocorre em meio à crise enfrentada pelo BRB após uma série de operações mal sucedidas com o Banco Master. Entre 2024 e 2025, o BRB injetou mais de R$ 16 bilhões na instituição, transações são alvo de investigações.
De acordo com o documento, o objetivo é "assegurar a continuidade de serviços financeiros essenciais, o apoio a políticas públicas e a preservação de condições adequadas de liquidez e capital do BRB".
Fonte: Metrópoles
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