Brasil

Dados alarmantes sobre violência sexual no Brasil

Violência sexual aumenta e afeta 64 meninas por dia no Brasil

Entre 2011 e 2024, média diária de 64 vítimas foi registrada; subnotificação preocupa especialistas.

Da Redação

18 de maio de 2026 às 22:44 ▪ Atualizado há 39 minutos

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  • De 2011 a 2024, 308.077 meninas foram vítimas de violência sexual no Brasil, com média de 64 casos por dia.
  • Em 2024, foram registrados 45.435 casos, cerca de 3.780 por mês.
  • Os dados são do Mapa Nacional da Violência de Gênero, divulgados no Dia Nacional do Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
  • A pesquisa é uma parceria entre o Observatório da Mulher contra Violência, Instituto Natura e Associação Gênero e Número.
  • A subnotificação é um problema apontado que afeta a precisão dos dados.
  • A violência sexual cresceu 29,35% desde 2011, com queda em 2020 devido à pandemia, mas voltou a subir em 2021 e atingiu o pico em 2023.
  • 56,5% das vítimas entre 2011 e 2024 eram meninas negras.
  • Em 31% dos casos, os agressores são familiares das vítimas.
  • No primeiro trimestre de 2025, 2.776 dos 8.662 casos de violência sexual envolveram crianças ou adolescentes.
  • As denúncias ao Disque 100 aumentaram 49,48% em 2026 em relação a 2025.

Violência sexual aumenta e afeta 64 meninas por dia no Brasil

De 2011 a 2024, uma média de 64 meninas foram vítimas de violência sexual por dia no Brasil. No total, foram 308.077 casos envolvendo meninas de até 17 anos. Somente em 2024, foram registrados 45.435 casos, uma média de 3,78 mil notificações mensais.

Os dados são do Mapa Nacional da Violência de Gênero, com base no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, divulgados nesta segunda-feira (18) para marcar o Dia Nacional do Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A pesquisa é uma parceria entre o Observatório da Mulher contra Violência (OMV) do Senado Federal, Instituto Natura e Associação Gênero e Número.

De acordo com Vitória Régia da Silva, diretora da Associação Gênero e Número, esses números não refletem plenamente a realidade devido à subnotificação. Problemáticas relacionadas à qualidade e integração das bases de dados também são um desafio, limitando a eficácia das políticas públicas.

A violência sexual tem apresentado crescimento alarmante, com um aumento de 29,35% desde 2011. Em 2020, foi registrada uma queda de 13,76% nos casos, atribuída à pandemia de covid-19, mas os números voltaram a subir em 2021 e alcançaram o pico histórico em 2023.

Maria Teresa Prado, coordenadora do OMV, defende o fortalecimento das políticas públicas para proteção de meninas e adolescentes. O estudo destaca ainda que 56,5% das vítimas entre 2011 e 2024 eram meninas negras, com 52,3% dos casos registrados em 2024.

Muitas vezes, agressores são parentes das vítimas, como pais ou irmãos, correspondendo a cerca de 31% dos casos. Beatriz Accioly, do Instituto Natura, alerta que a violência sexual frequentemente acontece dentro de casa, exigindo atenção de profissionais da educação e saúde.

Além disso, no primeiro trimestre de 2025, das 8.662 ocorrências de violência sexual contabilizadas, 2.776 envolviam crianças ou adolescentes. O Disque 100 registrou um aumento de 49,48% nas denúncias nos primeiros meses de 2026 em comparação com 2025. As suspeitas ou confirmações de violência devem ser reportadas ao serviço, que oferece atendimento 24 horas, de forma gratuita e anônima.

Fonte: Agência Brasil



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