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ROMBO MILIONÁRIO

PF investiga banco do bispo Edir Macedo por fraude de R$ 480 milhões

Instituição teria utilizado fundos de investimento para esconder créditos inadimplentes e melhorar artificialmente os resultados financeiros

Da Redação

18 de maio de 2026 às 09:01 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • O Banco Digimais, ligado a Edir Macedo, enfrenta uma crise financeira com suspeitas de irregularidades.
  • A Polícia Federal está investigando o uso de fundos de investimento para ocultar dívidas.
  • O banco não registrou R$ 480 milhões em créditos vencidos, afetando seu lucro real.
  • A prática de "Zé com Zé" foi identificada, onde o banco vende ativos problemáticos para fundos próprios.
  • O fundo Tabor comprou créditos em inadimplência, totalizando R$ 575 milhões.
  • O financiamento de veículos, cobrando juros altos, é o principal foco do banco.
  • Auditorias independentes encontraram dificuldades para verificar R$ 3 bilhões em fundos.
  • Uma holding de Edir Macedo adquiriu R$ 741 milhões em cotas de um fundo sob condições questionadas.
  • O banco está em processo de venda, com o BTG Pactual manifestando interesse.
  • O Digimais e a Igreja Universal não comentaram as informações.

Edir Macedo é dono do Banco Digimais
Edir Macedo é dono do Banco Digimais

O Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo bispo Edir Macedo, enfrenta uma crise financeira em meio a suspeitas de irregularidades contábeis e investigações conduzidas pela Polícia Federal. As informações foram reveladas em reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo o levantamento, o banco teria utilizado fundos de investimento para retirar de seu balanço carteiras de crédito com elevados índices de inadimplência, prática que, de acordo com especialistas do mercado, pode ter contribuído para melhorar artificialmente os resultados financeiros da instituição.

A reportagem aponta que o Digimais deixou de registrar ao menos R$ 480 milhões em créditos vencidos que deveriam impactar negativamente o lucro do banco. Mesmo diante do cenário, a instituição informou lucro de R$ 31 milhões ao final de 2025.

Especialistas classificam o modelo utilizado como uma operação conhecida no mercado financeiro como “Zé com Zé”, quando o banco aparece dos dois lados da negociação: vende ativos problemáticos para fundos dos quais ele próprio é cotista. Dessa forma, os créditos inadimplentes deixam de constar diretamente nas demonstrações financeiras, embora o risco continue ligado à própria instituição.

Entre os fundos citados está o Tabor, que adquiriu carteiras de financiamento de veículos do banco. Em abril de 2026, o fundo possuía cerca de R$ 960 milhões em créditos, sendo que R$ 575 milhões estavam inadimplentes, incluindo mais de R$ 200 milhões em parcelas atrasadas há até 720 dias.

O perito contábil Alexandre Ripamonti afirmou ao Estadão que o nível de inadimplência é considerado crítico para esse tipo de operação. Já o analista Gabriel Uarian avaliou que as cessões agressivas de direitos creditórios fogem do padrão esperado em instituições financeiras consideradas saudáveis.

O financiamento de veículos é atualmente a principal área de atuação do Digimais. De acordo com a reportagem, o banco opera com financiamentos de veículos antigos para clientes endividados, cobrando juros elevados. Em dezembro de 2025, a instituição registrava uma das maiores taxas do mercado no segmento, com juros de 2,97% ao mês e 41,07% ao ano, segundo dados do Banco Central citados pelo Estadão.

Auditorias independentes também apontaram dificuldades para verificar cerca de R$ 3 bilhões aplicados em fundos de investimento, valor que representa aproximadamente 75% do total investido pelo banco nesse tipo de operação. Os relatórios indicam falta de acesso a documentos e classificam parte das transações como de alto risco regulatório.

Outro ponto destacado envolve uma holding ligada a Edir Macedo, que teria comprado R$ 741 milhões em cotas de um fundo chamado Hermon. Auditores registraram ressalvas sobre a negociação, afirmando que ela pode não ter seguido condições normais de mercado.

Em meio à crise, o banco está em processo de venda. O BTG Pactual confirmou que assinou documentos vinculantes para uma possível aquisição do Digimais. Segundo a instituição, o interesse está concentrado na carteira de clientes do banco, mas a operação ainda depende de condições financeiras, leilão e eventual participação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Procurados pelo Estadão, o Banco Digimais e a Igreja Universal não comentaram as informações divulgadas.

Fonte: Estadão



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