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Olga, Domésticas, PT40

Vivemos imersos na era traiçoeira que o golpismo neoliberal impõe ao Brasil. Golpismo fascisteiro e medonho.


Olga Benário

Olga Benário Foto: Divulgação

A bordo dessa descambada trajetória, aludimos a três episódios que a semana passante nos sugere relembrar.  Em primeiro, os 100 anos do nascimento de Olga Benário, a revolucionária.  

Olga nasceu em 1908, num dia 12 de fevereiro e sua vida inscreve na história dos trabalhadores um capítulo esperançoso. Nasceu na Alemanha, forja de lutadores por igualdade e justiça naquele tempo, país fronteiriço com o Império Russo, quando este entrava em ebulição para enfim triunfar em 1917 sob a direção bolchevique.

A menina Olga não precisou ficar adulta na idade para amadurecer suas opções de lutadora social, militante socialdemocrata alemã, naquela dinâmica tornando-se logo comunista. A vitória de 1917 levou à Rússia, logo nos anos seguintes, os lutadores socialistas de praticamente toda a Terra. Aos milhares, sobretudo os perseguidos em todo lugar por suas leituras aplicadas na esteira da tradição marxista de instauração do poder popular-operário. E foi na Rússia, já se fazendo a cabeça do Império soviético de depois, que a militante Olga conheceu um jovem oficial do Exército brasileiro, ali exilado por ter se tornado um líder comunista e voz radical no processo de luta tentando fazer do Brasil uma República socialista, capaz de avançar a direção do processo da revolução operária.

Muita gente sabe do final: presa no Brasil pela polícia política do tempo, Olga foi entregue aos nazistas da Alemanha pela ala radical de extrema direita do regime varguista. Um presente a Hitler: uma mulher judia-comunista, duas qualidades que para nazista do III Reich significava a eliminação com dupla agravante. Assassinada pelos nazistas, tornou-se anjo empunhando a espada redentora dos oprimidos do mundo, dos roubados pela voracidade do Sistema do Capital.

Trabalhadoras “Domésticas”? Sim, brasileiro bem sabe quem são. Olga talvez nem tenha tido tempo de conhecer o caráter excludente dessa herança, feita terrível, tão marcante na formação social do Brasil. São elas o corpo descarnado mais evidente nas heranças do escravismo desde a colonização mercantil. Herança escravista tão vil marcante, que, ainda que avanços tenham ocorrido na conquista dos direitos sociais dos trabalhadores em mais de um século, somente com a chegada da militante revolucionária Dilma Rousseff à presidência, e com concessões à lama congressual inimiga, alcançaram formalmente a igualdade jurídica que outros trabalhadores tinham desde o citado o referido regime de Vargas.

Insolente, arrastando-se no submundo, incivilizado, imposto pela extrema-direita golpista, neoliberal demente, a chefia do regime bolsomorista agora toma como exemplar da cassação dos direitos dos trabalhadores, exatamente a punição dessas operárias da esfera doméstica. Uma iniquidade descomunal.

O regime assim age e dá provas do seu crime de lesa-humanidade de maneira dura – é muita agressão dizer que é preciso destruir a possibilidade de uma trabalhadora dessas visitar o norte das Américas. O que diz e faz essa extrema-direita criminosa, que assaltou a República, pela fala do sabujo-mor, é coisa de feitor escrachado. Monstruosidade preconceituosa.   

Há menção ao PT no título, sugerindo uma terceira observação relacionada aos fatos da semana que vai findando: aniversário 40 do Partido dos Trabalhadores, datada sua formal criação em 10 de fevereiro de 1980.  

Que tem ele a ver com Benário? E com a perversão do nazi-neoliberalismo aniquilador do mundo do trabalho? Muito. Os nazistas que solapam, neste momento, o processo brasileiro, são herdeiros dos que mataram Olga, judia e revolucionária da Igualdade, em 1932. São de idêntica matéria racista-ideológica os que no Brasil tomaram o poder central, articulados com o empresariado-mor., além das corporações judiciária e caserneira. Nestas, o ninho decisivo dos parasitas vira-lata que roem a folha do erário, sabujando os verdadeiros “parasitas” desta colônia que rechaça a luta de seus filhos. Por Independência, um exemplo. Corporações ajustadas pela oligarquia controladora dos meios mídias.

Todos inimigos do povo trabalhador, dedicados, no quadro de atraso social insistente, abissal, a manter o Brasil como área da mais debochada pilhagem. O PT é mais que sinal de uma diferença. Nazistas e liberais toscos odiando o PT e querendo eliminá-lo é um chamado a que defendamos a existência dessa entidade.

Fonte: Fonseca Neto, da APL.

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Sobre a coluna

Fonseca Neto

Fonseca Neto

FONSECA NETO, professor, articulista, advogado. Maranhense por natural e piauiense por querer de legítima lei. Formação acadêmica em História, Direito e Ciências Sociais. Doutorado em Políticas Públicas. Da Academia Piauiense de Letras, na Cadeira 1. Das Academias de Passagem Franca e Pastos Bons. Do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí.

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