CORONAVÍRUS

Covid-19: "É preciso menos óbitos para voltarmos ao novo normal", diz pesquisador da UFPI

Para o biomédico Bruno Guedes, é necessário primeiramente diminuir a taxa de transmissão da doença


Traslado de paciente com Covid-19 em Teresina

Traslado de paciente com Covid-19 em Teresina Foto: Divulgação/Sesapi

O biomédico e um dos pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI) que formam o Comitê Gestor de Crise (CGC), Bruno Guedes, conversou com o PiauíHoje.com sobre a situação da Covid-19 no Piauí. Segundo o biomédico, a única maneira de diminuir a taxa de transmissibilidade da Covid-19 é por meio do isolamento social, já que ainda não existe um tratamento eficaz ou vacina capaz de combater o novo coronavírus.

Atualmente, a taxa de transmissibilidade no Piauí está em 1.5, o que significa que 10 pessoas infectam outras 15 pessoas. "No Piauí temos um aumento da taxa de transmissão, Não estamos vendo uma diminuição dessa taxa e o número de casos tem aumentando continuamente. Com o isolamento social que foi feito não aumentou como deveria, pois se a doença estivesse seguido seu curso normal a gente teria muito mais casos e muitos mais óbitos do que a gente tem hoje. Como fizemos o isolamento a gente tem menos casos e menos óbitos e com isso pudemos aumentar a capacidade do sistema de saúde", disse o biomédico.

Bruno Guedes/Arquivo Pessoal

O biomédico explica que a letalidade do Piauí já chegou a 15% porque tinha alguns óbitos e poucos casos confirmados. "A medida que fomos testando mais pessoas, essa taxa de letalidade foi caindo porque a letalidade é óbitos divididos por número de óbitos. Quanto menos você testa, você tem menos casos de Covid-19 e maior é a letalidade".

O pesquisador diz que o que interessa agora é saber se a taxa de transmissão está aumentando ou diminuindo. "O que a gente quer é que tenha menos casos, menos óbitos e assim possamos retomar as atividades e voltar ao novo normal", disse Bruno Guedes.

Confira a entrevista:

O índice de mortalidade da Covid-19 no Piauí está na casa dos 3% dos casos confirmados da doença no estado. Este é um número baixo ou alto?

 - No Piauí não está havendo diminuição da taxa de transmissão. Se a taxa de transmissão ainda não é menor que 1, significa que ainda é uma taxa alta,  que ainda não é decrescente para se acabar com a pandemia. É importante a gente observar a taxa de óbito diário. O número de mortes diárias é crescente. Antes a gente tinha um óbito por semana, depois um óbito diário, ai foi aumentando para cinco óbitos diários, de repente 10 e agora 17 óbitos diários nas últimas semanas. Quando começar a diminuir essa taxa, quando for registrado 20 óbitos diários e cair para 10, 5, isso quer dizer que a pandemia já formou o pico, ou seja, foi lá em cima e agora está diminuindo. Mas por enquanto, a única coisa que podemos fazer é o isolamento social.

Que medidas devem ser adotadas pelas autoridades para que não haja o avanço da doença no Piauí?
-  
As medidas são as que a gente já tem falado, que é o uso de máscara, de álcool em gel, lavar as mãos, higienização e o isolamento social.  Acontece que o número de casos vem aumentando a cada semana e a gente está chegando muito próximo à capacidade do sistema de saúde. Quanto mais próximo do limite da capacidade, maior a probabilidade de fazer lockdown.

O isolamento social está sendo desobedecido. Seria necessário um lockdwon no Piauí, já que os números tem crescido?

- Então, é uma medida que os gestores têm de avaliar qual é a capacidade do sistema, qual é a velocidade dessa transmissão e a possibilidade desse lockdown ou não. Esse lockdown pode ser numa cidade ou regional e quanto maior for esse lockdown melhor, pois se faço numa cidade e não faço na outra, eu tenho uma transmissão contínua e esse lockdown não vai ser eficiente.

A partir desses números o que pode se projetar pro futuro? A curva de crescimento  dos casos vai aumentar?

Temos que orientar a população a atingir as métricas de epidemiologia necessárias para a gente partir para a retomada das atividades. O documento Pró Piauí lançou essas métricas que já tem os indicadores que é o número de óbitos, internações, número de casos. Se a gente tem esses números aumentando, não é momento da reabertura. Então temos que fazer duas coisas nesse momento, que é juntar a população para ajudar nesses indicadores e fazer o planejamento da reabertura. Se reabrir de uma forma que não for gradual o número de casos volta a aumentar sem controle e vai aumentar a capacidade do sistema, que é um cenário que a gente não quer.

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