CORRUPÇÃO NO MEC

Polícia Federal prende ex-ministro da Educação e pastor ligado a Bolsonaro

Operação deflagrada pela Polícia Federa investiga balcão de negócios no Ministério da Educação


Bolsonaro e o ex-ministro da educação Milton Ribeiro

Bolsonaro e o ex-ministro da educação Milton Ribeiro Foto: @Getty

O ex-ministro da Educação Milton Ribeiro foi preso na manhã desta quarta-feira (22) em operação deflagrada pela Polícia Federal. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, além de Milton Ribeiro, o pastor Gilmar Santos, ligado ao presidente Jair Bolsonaro, também foi preso. A operação da PF foi denominada 'Acesso Negado' e apura irregularidades na liberação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). 

Os alvos são suspeitos de atuarem como intermediários na liberação de verbas do esquema. Ao todo, os agentes cumprem cinco mandados de prisão e 13 de busca e apreensão nos estados de Goiás, São Paulo, Pará e Distrito Federal.

As equipes da PF ainda fazem buscas em endereços dos presos e também de outro pastor citado no esquema, Arilton Moura. Milton Ribeiro teria sido preso em sua casa na cidade de Santos, no litoral paulista.  Arilton Moura e Gilmar Santos compunham um "gabinete paralelo" suspeito de agilizar liberação de verbas para prefeituras em troca de propina.

Pastor Gilmar Santos ao lado esquerdo do presidente Jair Bolsonaro, durante evento em 2019 Foto: Presidência / Carolina Antunes

A prisão do ex-ministro foi determinada pelo juiz federal Renato Borelli pelos crimes de corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência.

De acordo com a CCN Brasil, os policiais basearam a investigação em documentos, depoimentos e no “relatório final da investigação preliminar sumária” da Controladoria-Geral da União (CGU).  “Foram identificados possíveis indícios de prática criminosa para a liberação das verbas públicas”, afirma a PF.

Denúncias derrubaram Milton Ribeiro do MEC

Em um áudio obtido pelo jornal “Folha de S.Paulo” e em reportagens do “O Estado de S. Paulo”, Ribeiro é envolvido no que seria um esquema de favorecimento a pastores na pasta.

Em uma conversa gravada, o ministro afirma que recebeu um pedido do presidente Jair Bolsonaro (PL) para que a liberação de verbas da pasta fosse direcionada para prefeituras específicas a partir da negociação feita por dois pastores evangélicos que não possuem cargos no governo federal.

Na gravação, Ribeiro diz que se trata de “um pedido especial do presidente da República”. “Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar”, diz o ministro na conversa com prefeitos e outros dois pastores, segundo o jornal.

Ribeiro continua: “Porque a minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, em segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar.”

Os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura são os citados nos áudios. Segundo o jornal, os dois religiosos têm negociado com prefeituras a liberação de recursos federais para obras em creches, escolas e compra de equipamentos de tecnologia.

Na conversa vazada, o ministro de Bolsonaro indica que, com a liberação de recursos, pode haver uma contrapartida.

O apoio que a gente pede não é segredo, isso pode ser [inaudível] é apoio sobre construção de igrejas”. Nos áudios, não fica claro a forma como esse apoio se daria.

No ano passado, para poupar as emendas parlamentares de um corte maior, o governo promoveu um bloqueio de R$ 9,2 bilhões de despesas de ministérios e estatais que atinge principalmente a Educação.

Ribeiro negou que tenha favorecido pastores. Em nota enviada à CNN, o ministro dizia ainda que o presidente “não pediu atendimento preferencial a ninguém, solicitou apenas que pudesse receber todos que nos procurassem”.

Ribeiro deixou o Ministério da Educação em 28 de março.

“Não me despedirei, direi até breve”, diz ministro da Educação na carta entregue a Bolsonaro. Ribeiro é alvo de um inquérito da Polícia Federal (PF) e do Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de favorecimentos a pastores na distribuição de verbas do Ministério da Educação (MEC).

Na carta, Ribeiro diz que sua vida “sofreu uma grande transformação” desde a divulgação de reportagem que o implicavam em um esquema de favorecimento a pastores dentro do MEC.

Em entrevista exclusiva à analista de política da CNN Renata Agostini, o atual ministro da Educação, Victor Godoy, afirmou que mandou suspender todos os repasses da pasta que estão sendo investigados.

Fonte: Com informações do jornal Folha de S. Paulo e CCN Brasil

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