FILME DARK HORSE
Teresinha Ferreira
10 de setembro de 2026 às 08:35 ▪ Atualizado há 37 minutos
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (10 de setembro), uma operação que investiga suspeitas de desvio de recursos públicos envolvendo organizações relacionadas à produção de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Operação Make Up, realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), cumpre 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. As medidas foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Karina Gama, produtora do filme e ligada ao Instituto Conhecer Brasil (ICB). Segundo a Polícia Federal, a investigação apura suspeitas de utilização irregular de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares repassadas por meio de termos de fomento a organizações da sociedade civil.
PF aponta movimentação de centenas de milhões
A dimensão financeira da investigação chama atenção. Segundo a Polícia Federal, levantamentos financeiros identificaram movimentações da ordem de centenas de milhões de reais entre empresas que fariam parte do esquema investigado. A suspeita é de que agentes públicos e privados tenham direcionado valores recebidos para empresas subcontratadas irregularmente, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços. A PF investiga possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. As suspeitas ainda estão sob investigação, e a realização das buscas não representa condenação dos envolvidos.
Mario Frias é alvo de buscas
O deputado Mario Frias está entre os alvos da operação desta quinta-feira. Frias destinou emenda parlamentar de R$ 1 milhão ao Instituto Conhecer Brasil para a execução de um programa de empreendedorismo no interior de São Paulo. O parlamentar já negou anteriormente que recursos de emendas destinados por ele tenham sido utilizados para financiar irregularmente a produção cinematográfica. A produtora Karina Gama também é alvo das buscas. Em manifestação divulgada nesta quinta-feira, ela afirmou que os recursos foram aplicados corretamente.
Contrato de R$ 108 milhões também está sob suspeita
Outra frente das investigações envolve um contrato de aproximadamente R$ 108 milhões firmado pela Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil. O contrato tinha como finalidade a oferta de internet wi-fi gratuita em comunidades carentes. As autoridades investigam se ocorreram irregularidades na execução do contrato e se parte dos recursos pode ter sido direcionada para empresas relacionadas à produção do filme “Dark Horse”. Em junho, a Polícia Civil de São Paulo já havia realizado uma operação em endereços relacionados à produtora e em uma secretaria municipal. Posteriormente, Flávio Dino autorizou a Polícia Federal a acessar o material reunido pela Polícia Civil paulista para utilização na investigação federal.
Caso chegou ao STF
A investigação sobre emendas parlamentares relacionadas ao filme está sob relatoria de Flávio Dino no Supremo. O caso chegou à Corte a partir de uma representação apresentada pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). Na quarta-feira (9), esse mesmo processo ganhou repercussão nacional porque foi nele que Dino determinou a reintegração de Andrei Rodrigues à direção-geral da Polícia Federal, após o delegado ter sido afastado por decisão do ministro André Mendonça. Dino argumentou, entre outros pontos, que a substituição abrupta da direção da PF poderia prejudicar investigações que estavam em andamento.
Flávio Bolsonaro não é alvo da operação desta quinta
É importante diferenciar as duas frentes de investigação relacionadas ao filme. O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não é alvo da Operação Make Up deflagrada nesta quinta-feira. Existe outro inquérito, sob relatoria do ministro André Mendonça, que investiga os repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de “Dark Horse”. Essa investigação foi aberta para apurar, entre outros pontos, um repasse de R$ 61 milhões de Vorcaro para o financiamento do filme, feito após solicitação de Flávio Bolsonaro. Flávio Bolsonaro já negou irregularidades e sustenta que os recursos foram destinados à produção cinematográfica. Portanto, embora as duas investigações tenham como ponto de contato o filme “Dark Horse”, elas possuem objetos e relatores diferentes no Supremo.
Operação continua em andamento
A Operação Make Up foi deflagrada nas primeiras horas desta quinta-feira e novas informações poderão surgir com o cumprimento dos 49 mandados. Documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais eventualmente apreendidos deverão ser analisados pela Polícia Federal. A investigação busca identificar a destinação dos recursos públicos e esclarecer se houve efetivamente desvio de dinheiro ou utilização irregular das verbas.
Fonte: PF