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Dino reconduz diretor geral da PF ao cargo e dá aula de Direito para André Mendonça

Ex-ministro de Bolsonaro tentou repetir roteiro de interferência na PF para blindar Flávio Bolsonaro no escândalo do Banco Master, mas levou revés histórico de Flávio Dino

Por Luiz Brandão

09 de setembro de 2026 às 11:16 ▪ Atualizado há 48 minutos

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  • André Mendonça, ministro do STF, afastou temporariamente o diretor da PF, Andrei Rodrigues, numa decisão rapidamente revertida por Flávio Dino.
  • Dino criticou a legitimidade do Partido Novo na ação, destacando que partidos políticos não têm essa capacidade em processos penais.
  • Mendonça justificou sua decisão alegando monitoramento ilegal, mas a medida foi vista como uma tentativa de proteger aliados de Bolsonaro.
  • Flávio Dino apontou riscos processuais e destacou que a continuidade das investigações é essencial, criticando interferências pessoais ou políticas.
  • A decisão de Mendonça gerou suspeitas, especialmente por não afetar Flávio Bolsonaro, envolvido em um escândalo financeiro.
  • A reversão da medida foi vista como um golpe ao caráter político da decisão de Mendonça, expondo suas fragilidades jurídicas.

Fotomontagem Piauí Hoje Flávio Dino desmoralizou André Mendonça e reconduziu Andrei Rodrigues ao comando da PF
Flávio Dino desmoralizou André Mendonça e reconduziu Andrei Rodrigues ao comando da PF

Não se sustentou nem 24 horas. A decisão política e descabida do ministro André Mendonça, o “terrivelmente evangélico” do Supremo Tribunal Federal (STF), foi desmoralizada na manhã desta quarta-feira (9) pelo também ministro Flávio Dino, que não apenas reverteu o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do chefe de Inteligência da corporação, Leandro Almada, como deu uma verdadeira aula de Direito Processual Penal em seu colega de Corte.

A decisão de Mendonça, proferida na terça-feira (8), reeditou uma velha prática conhecida dos brasileiros: a interferência no comando da PF para blindar aliados e familiares, nos moldes do que fez o ex-presidente Jair Bolsonaro durante seu mandato. O roteiro é conhecido: mude o comando da Polícia Federal para que as investigações não avancem sobre o núcleo bolsonarista.

O que Mendonça fez, e por que caiu

André Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro em 2021 e chamado pelo próprio de “terrivelmente evangélico”, é relator do caso do Banco Master na Corte. Usou seu poder para determinar o afastamento preventivo do chefe da PF, sob a justificativa de que vinha sendo alvo de monitoramento ilegal por meio de relatórios de inteligência. A decisão também suspendeu a produção de relatórios de inteligência da corporação.

Mas o que motivou a medida? O pedido partiu do Partido Novo, que chegou a defender a prisão preventiva de Andrei Rodrigues. O ministro determinou ainda que a Corregedoria da PF abra investigações contra Rodrigues.

Horas depois, a Segunda Turma do STF formou maioria para referendar a ordem de Mendonça com os votos favoráveis dos ministros Nunes Marques e Luiz Fux. O julgamento foi suspenso por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. E foi nesse vácuo que Flávio Dino agiu.

A aula de Direito de Flávio Dino

Ao analisar o caso, Dino apontou um vício insanável: o Partido Novo não tem legitimidade para pedir o afastamento de uma autoridade pública dentro de uma ação penal da qual não faz parte. “Os partidos políticos não são partes no processo penal, submetido aos trilhos da legalidade estrita. É inequívoca a ilegitimidade ativa do Partido Novo para requerer a medida cautelar”, escreveu o ministro.

Dino foi além. Afirmou que “divergências funcionais ou pessoais” de Mendonça com a PF não podem se converter em uma decisão “em causa própria”, capaz de paralisar investigações. O ministro também avaliou que o afastamento de Andrei Rodrigues poderia prejudicar o andamento de “centenas de investigações”, inclusive procedimentos urgentes sob sua própria relatoria. “A interrupção dos trabalhos de direção de investigações policiais interessa, sobretudo, aos investigados”, pontuou.

Com a decisão, Dino restabeleceu o curso natural das investigações sobre o caso do Banco Master e determinou que novas punições cautelares contra os delegados sejam impedidas.

O silêncio de Mendonça sobre Flávio Bolsonaro

O que torna a decisão de Mendonça ainda mais suspeita é o que ela não atinge. Até agora, o ministro não tomou qualquer medida contra Flávio Bolsonaro (PL), um dos principais envolvidos no escândalo do Banco Master.

As investigações apontam que o senador embolsou R$ 65 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, responsável por uma fraude bilionária no país. Enquanto isso, Andrei Rodrigues, o chefe da PF que prendeu Vorcaro e Antônio Carlos Antunes (o “careca do INSS”), foi alvo de Mendonça.

O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) condenou a manobra: “André Mendonça extrapola suas competências para blindar o candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, e impedir a continuidade das investigações que estavam em curso sobre seu envolvimento no caso do Banco Master”. Deputados governistas já pedem à Procuradoria-Geral da República que tire Mendonça da relatoria do caso, alegando parcialidade.

Aliados do governo Lula afirmam que Mendonça age politicamente para beneficiar Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral.

Em menos de 24 horas, o que era para ser um golpe na cúpula da PF se transformou em um revés histórico para André Mendonça. Flávio Dino não apenas reverteu a decisão — desmoralizou-a, expondo os vícios jurídicos e o caráter político de uma medida que, para muitos, tinha um único objetivo: proteger Flávio Bolsonaro.

O “terrivelmente evangélico” levou uma lição de Direito. E o Brasil, mais uma vez, assistiu a mais um capítulo da guerra no STF, com a diferença de que, desta vez, a legalidade prevaleceu.


Fonte: STF

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Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há 40 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Também foi colunista do Jornal Meio Norte. Atualmente é diretor de jornalismo e colunista do portal www.piauihoje.com.