Viver Pleno

ELEIÇÕES 2026

Voto útil pela democracia

Uma conversa com quem pensa em anular, votar em branco ou ficar em casa

Por Nazareno Fonteles

01 de outubro de 2026 às 12:32 ▪ Atualizado há 53 minutos

Ver resumo
  • Votar nulo ou em branco não tem impacto nos resultados, pois apenas votos válidos são considerados.
  • Votos nulos ou em branco não são "recados" para os candidatos; eles são simplesmente descartados.
  • A eleição não é cancelada se a maioria votar nulo, e votos em branco não vão para quem está ganhando.
  • Votos são importantes, mesmo em grandes números de abstenções, pequenas margens podem decidir eleições.
  • Pesquisa eleitoral de 2026 mostra uma disputa acirrada, destacando a importância do voto dos indecisos.
  • O "voto útil" é escolher um candidato com chances de vitória para evitar o pior cenário.
  • Nenhum candidato pode representar completamente um eleitor, mas diferentes políticas têm efeitos práticos.
  • O protesto efetivo deve aparecer nas urnas através de votos válidos que contam.
  • Participar da escolha é essencial, pois a democracia foi conquistada com muito esforço.

Imagem gerada por IA O voto fortalece a democracia
O voto fortalece a democracia

Este texto é para você que está cansado. Cansado da briga no grupo da família, das mentiras que chegam pelo celular, da sensação de que nenhum candidato fala a sua língua. Para você que já pensou: “desta vez eu anulo”, “voto em branco e pronto”, ou até “nem vou sair de casa no domingo”.

Eu entendo esse cansaço. Não escrevo para julgá-lo. Escrevo para fazer um pedido: antes de decidir, leia até o fim.

O que acontece com o voto nulo e o voto em branco

Muita gente anula ou vota em branco acreditando que está mandando um recado. Mas a urna não guarda recados. Para a eleição de presidente, só contam os votos válidos — os votos dados a algum candidato. O voto em branco e o voto nulo são simplesmente descartados da conta.

Também não é verdade que, se a maioria anular, a eleição será cancelada. Isso é boato antigo, que volta a cada campanha. E o voto em branco não “vai para quem está ganhando”: ele não vai para ninguém.

O resultado prático é este: quando você anula, vota em branco ou fica em casa, a decisão sobre quem vai governar o Brasil pelos próximos quatro anos continua sendo tomada — só que sem você. Outros escolhem no seu lugar.

A diferença que cabe numa cidade

Parece que um voto não muda nada. Os números da última eleição dizem o contrário. Em 2022, o segundo turno para presidente foi decidido por pouco mais de dois milhões de votos — menos do que a população de muitas capitais brasileiras. Naquele mesmo domingo, mais de trinta milhões de eleitores não foram votar. Os ausentes, sozinhos, eram muitas vezes a diferença entre os dois candidatos.

Não é possível saber como esses eleitores teriam votado, nem afirmar que teriam mudado o resultado. Mas uma coisa é certa: a eleição mais importante do país foi decidida por uma margem menor do que o número de pessoas que escolheram não participar.

Onde estamos agora

Em 2026, a disputa pela Presidência está de novo apertada. No Datafolha divulgado em 24 de setembro¹, Lula (PT) aparece com 40% das intenções de voto no primeiro turno, e Flávio Bolsonaro (PL), com 36%. Os demais candidatos, somados, não passam de 15%. A pesquisa Real Time Big Data divulgada no mesmo dia² registrou 41% e 37%, respectivamente.

A mesma pesquisa Datafolha mostra que a imensa maioria dos eleitores já decidiu o voto. Isso quer dizer que quem ainda está indeciso — ou pensa em anular — tem hoje um peso maior do que imagina. Numa disputa assim, poucos pontos percentuais podem decidir se a eleição termina em 4 de outubro ou vai para o segundo turno, em 25 de outubro.

Pesquisa é retrato do momento, não profecia. Tem margem de erro, e as intenções ainda podem mudar. Justamente por isso, a decisão final continua nas mãos do eleitor — nas suas mãos.

O que é o voto útil

Voto útil é escolher, entre os candidatos que têm chance real de vencer, aquele que você considera menos distante do Brasil que deseja — ou aquele que pode impedir o projeto que você mais teme. Não é votar em quem você ama. É votar pensando no dia seguinte à eleição.

Ninguém precisa concordar com tudo o que um candidato diz para votar nele. Na vida, fazemos escolhas assim o tempo todo: aceitamos o emprego que não é perfeito, a escola possível para os filhos, o remédio que tem efeito colateral. Escolher o possível não é trair o ideal. É não deixar que o pior aconteça por omissão.

E o voto útil é perfeitamente legal. O voto é livre e secreto. Escolher estrategicamente é um direito seu — o que a lei proíbe é comprar votos, coagir o eleitor ou abusar do poder.

“Mas nenhum deles me representa”

Talvez seja verdade. Talvez nenhum dos candidatos à Presidência represente tudo aquilo em que você acredita. Mas pergunte a si mesmo: os dois projetos que disputam de fato o Palácio do Planalto são iguais? Terão o mesmo efeito sobre o preço da comida na sua mesa, sobre o posto de saúde do seu bairro, sobre a escola dos seus filhos, sobre a liberdade de você discordar do governo sem ter medo?

Se a resposta for “não, não são iguais” — mesmo que a diferença lhe pareça pequena —, então o seu voto tem valor. Porque, no dia 5 de janeiro de 2027, um dos dois vai subir a rampa. E o seu voto em branco não terá impedido nenhum deles.

“Meu voto sozinho não faz diferença”

Nenhum voto decide sozinho uma eleição. Mas nenhuma eleição é decidida sem a soma de votos como o seu. Um voto isolado é uma gota; milhões de pessoas pensando “o meu não faz diferença” formam o oceano que decide o país.

Pense naquele parente, naquele vizinho, naquele colega que também anda desanimado. Se você mudar de ideia e conversar com mais dois, três, cinco — o voto que parecia pequeno se multiplica.

“Anular é o meu protesto”

A indignação é legítima. Há muita coisa errada na política brasileira, e ninguém deve fingir o contrário. Mas o protesto que não aparece na contagem não assusta ninguém. Os políticos olham para os votos válidos no dia seguinte, não para os nulos.

O protesto mais forte é outro: votar, fiscalizar, cobrar. Escolher quem vai governar e, a partir de janeiro, exigir que cumpra o que prometeu. Isso só é possível para quem participou da escolha.

Um convite

A democracia brasileira não caiu do céu. Foi conquistada por gente que foi às ruas, que enfrentou a censura e a repressão, que lutou para que cada cidadão pudesse escolher seu presidente. Houve um tempo, não tão distante, em que o povo brasileiro não podia fazer isso.

No domingo, 4 de outubro, você terá nas mãos aquilo pelo que tantos lutaram. Não deixe esse direito na gaveta. Saia de casa, leve seu documento, vá até a sua seção. E, diante da urna, escolha — mesmo que não seja a escolha dos sonhos — o caminho que você acredita ser o melhor, ou o menos ruim, para o Brasil.

Anular é deixar que outros decidam por você. Votar é assumir a sua parte. Não entregue seu voto ao silêncio.

________________

¹ Datafolha, contratada por TV Globo e Folha de S.Paulo. 2.002 entrevistas, realizadas em 22 e 23 de setembro de 2026. Margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Registro no TSE: BR-00304/2026.

² Real Time Big Data, contratada por [CONFIRMAR CONTRATANTE]. 2.000 entrevistas por telefone e meios digitais, realizadas de 19 a 23 de setembro de 2026. Margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Registro no TSE: BR-04202/2026.

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José Nazareno Cardeal Fonteles é graduado em Medicina e Matemática. Fez residência médica em Ortopedia e Traumatologia e mestrado em Matemática. Atuou como ortopedista no HGV, na Casamater e nas clínicas Cot e Copil. É professor aposentado da UFPI. Exerceu mandatos de vereador, deputado estadual e de deputado federal. Fundou e presidiu por sete anos a Frente Parlamentar da Segurança Alimentar e Nutrcional do Congresso Nacional. Foi secretário de saúde do Piauí. Participa da direção do grupo educacional CEV. É casado com Nereida, pai de Deborah, Danielle e Rafael e avô de sete netos. Tem fé em Jesus de Nazaré, o Mestre do Amor Gratuito. <a href="https://www.instagram.com/nazarenofonteles/" target="_blank">Instagram do autor</a>