A beleza, em suas múltiplas formas, é uma linguagem universal. Ela se manifesta na arte, na natureza, na ciência e nas relações humanas. E a experiência interior da beleza é um pilar fundamental que molda nossas memórias mais profundas e enriquece nossa percepção do mundo. É imperativo que integremos essa dimensão da beleza em todos os aspectos educacionais de formação da pessoa. Isso significa ir além das disciplinas artísticas, abrangendo todas as áreas do conhecimento e todos os níveis de ensino, bem como as formas institucionais. Ao reconhecer a beleza inerente em cada campo, cultivamos uma apreciação mais profunda e um aprendizado mais significativo.
Para verdadeiramente aprender a perceber a beleza em sua forma mais profunda, precisamos de uma abordagem consciente. Não se trata apenas de observar, mas de sentir e integrar.
O caminho para essa percepção envolve:
● Buscar a plenitude em cada momento: Estar presente e atento ao que nos rodeia.
● Praticar a gratuidade: Agir e experimentar sem esperar algo em troca, apenas pelo prazer da experiência.
● Pausar, meditar e contemplar: Dedicar tempo para refletir sobre aquilo que nos toca mais profundamente.
● Cultivar a abertura mental e físico-emocional: Permitir que novas impressões e compreensões se organizem em um diálogo holístico entre o todo e as partes de nossas experiências e memórias.
É através dessa entrega total aos momentos de percepção da beleza que podemos vivenciar epifanias. Nesses instantes, o transcendente toca o imanente, o ilimitado se aproxima do limitado, o complexo se torna simples e o simples se torna complexo. É quando exclamamos: “Que beleza! Que maravilha!” E, de fato, não conseguimos ficar indiferentes.
A experiência da beleza vai muito além de um prazer estético passageiro. Ela é um poderoso catalisador para a transformação pessoal e social. Quando nos abrimos verdadeiramente para a beleza, ela tem o potencial de:
● Expandir nossa consciência e refinar nossa sensibilidade.
● Inspirar criatividade e inovação em todas as áreas da vida.
● Promover a cura emocional e psicológica, trazendo paz interior.
● Expandir a inteligência, conectando diferentes saberes e percepções.
● Fomentar o diálogo e a conexão solidária com os outros e com o mundo ao nosso redor.
A filósofa e mística Simone Weil, irmã do genial matemático do século XX André Weil, nos oferece uma profunda reflexão sobre a relação entre o amor e a inteligência: “Quando a inteligência, depois de fazer silêncio para deixar o amor invadir toda a alma, volta a se exercitar, ela sente que contém mais luz do que antes, mais aptidão para compreender os objetos, as verdades que lhe são próprias. (…) A inteligência só pode reconhecer por experiência, a posteriori, as vantagens dessa subordinação ao amor. Ela não as pressente previamente.”
Essa citação ressalta que a verdadeira compreensão e a capacidade de perceber a beleza em sua essência são aprimoradas quando a inteligência se subordina ao amor, abrindo espaço para uma percepção mais luminosa e profunda.
Viver é aprender, mas melhor ainda, é aprender a perceber a beleza na ação-reflexãocontemplação cotidiana! Trata-se do sublime, do admirável, do maravilhoso, do amor pleno se revelando na Realidade. Experienciar a verdadeira beleza é vivenciar um momento de totalidade e integração plena, onde nossa liberdade se expressa em sua plenitude humana, em comunhão com o mais profundo da Realidade Universal percebida.
Em um momento histórico-cultural de forte ameaça neofascista, presente em todos os espaços de convivência, incluindo as ruas e as redes sociais, precisamos urgentemente nos dedicar, com foco e atenção, a expandir núcleos e grupos de aprendências da beleza que brota do viver e conviver fraternal em todas as organizações sociais em que participamos, esboçando e construindo, no dia a dia e em planos de médio e longo prazo, caminhos diversos que nos aproximem, mesmo que de forma esboçada, do sonho de uma Sociedade Livre, Justa e Fraterna!