Municípios

DEMARCAÇÃO

MPF aciona Justiça por demarcação de terra Tabajara no Piauí

Ação busca acelerar estudos parados há mais de dez anos em Piripiri

Teresinha Ferreira

15 de setembro de 2026 às 13:27 ▪ Atualizado há 1 hora

Ver resumo
  • O MPF entrou com ação para que a Funai e a União demarquem a Terra Indígena Tabajara em Piripiri, Piauí.
  • O processo de reconhecimento do território está parado desde 2015.
  • A ação exige urgência na realização de estudos antropológicos para identificação e demarcação da área.
  • Vistorias evidenciaram que atividades minerárias na região afetam negativamente os indígenas.
  • A Funai alega falta de recursos e pessoal como motivo para a demora na demarcação.
  • O Piauí e o Rio Grande do Norte não têm terras indígenas oficialmente demarcadas.
  • O MPF também pede reabertura da sede da Funai em Piripiri, fechada desde 2017.

Ministério Público Federal (MPF) Demarcação da Terra Indígena do povo Tabajara, l
Demarcação da Terra Indígena do povo Tabajara, l

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação na Justiça Federal exigindo que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a União iniciem a demarcação da Terra Indígena do povo Tabajara, localizada em Piripiri, Piauí. O processo para reconhecimento formal do território está estagnado desde 2015.

O MPF solicita com urgência que a Funai e a União avancem com os estudos antropológicos necessários para identificar e delimitar a área indígena. A ação também requer que sejam cumpridos todos os atos para a efetiva demarcação, conforme o Decreto n° 1.775/1996.

Vistorias recentes realizadas pelo MPF, com uso de drones, evidenciaram violações graves ao povo Tabajara, incluindo a sobreposição de atividades minerárias autorizadas sem consulta. Tais ações têm causado contaminação hídrica, desmatamento e problemas de saúde.

De acordo com o procurador da República Kelston Lages, autor da ação, é urgente iniciar a demarcação para evitar o contínuo isolamento e a exploração econômica das comunidades indígenas da área.

A Funai justifica a lentidão por falta de recursos e pessoal, priorizando ações apenas quando judicialmente ordenadas, e o povo Tabajara está na fila junto a outros 425 processos no país.

O estado do Piauí, junto com o Rio Grande do Norte, não possui terras indígenas demarcadas pela União, abrigando mais de 1.600 famílias de 7 povos, segundo o último censo.

Além disso, o MPF cobra a reabertura imediata da sede da Funai em Piripiri, fechada desde 2017, descumprindo decisão judicial com multa acumulada de mais de R$ 44,5 milhões.

Ação Civil Pública nº 1053795-53.2026.4.01.4000

Consulta processual

Fonte: Ministério Público Federal (MPF)