Brasil

DARK HORSE

Vaza áudios de Mário Frias agradecendo a Vorcaro por apoio a filme sobre Bolsonaro; ouça

Mensagens divulgadas pelo The Intecept mostram deputado tratando longa como "justiça divina" e "milagre"; produção executiva tinha Frias e Eduardo Bolsonaro na captação de recursos

Da Redação

19 de maio de 2026 às 18:03 ▪ Atualizado há 39 minutos


Deputado federal Mário Frias e o banqueiro Daniel Vorcaro
Deputado federal Mário Frias e o banqueiro Daniel Vorcaro

O deputado federal Mário Frias (PL-SP) agradeceu diretamente, por meio de mensagens de áudio e texto no WhatsApp, o banqueiro Daniel Vorcaro pelo financiamento e apoio ao filme "Dark Horse" ("Azarão", em inglês), uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. 

As mensagens foram reveladas pelo portal The Intercept Brasil. Os diálogos contradizem a primeira versão pública do parlamentar e foram enviados a Vorcaro — dono do Banco Master — em dezembro de 2024, pouco antes de o banqueiro ser preso. De acordo com as investigações, Vorcaro chegou a repassar cerca de R$ 61 milhões ao projeto cinematográfico após sofrer cobranças diretas e intermediação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

"Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá?", disse Mário Frias em um áudio enviado no dia 11 de dezembro de 2024, às 18h24. Segundo a reportagem, o envio ocorreu menos de uma hora depois do horário previsto para um encontro entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro. Em outra troca de mensagens, no dia 22 de dezembro, Frias, que foi secretário especial da Cultura no governo Bolsonaro, classificou a produção como "o grande milagre" e uma "questão de justiça divina" para revelar a "verdadeira história" de JB, concluindo com: "2026 é do Brasil. Deus te abençoe meu Brother". Vorcaro respondeu de forma breve na ocasião: "Tenho certeza disso".

Negociações internacionais e o papel de Eduardo Bolsonaro

As revelações do Intercept também detalharam os bastidores da produção e o envolvimento da família Bolsonaro na estrutura técnica do longa-metragem:

  • Contrato de Produção Executiva: Documentos confirmados pela TV Globo apontam que o deputado Mário Frias e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) assinaram o contrato de "Dark Horse" como produtores executivos oficiais, vinculados à produtora GoUp. A função de ambos exigia dedicação direta na captação de recursos, formulação de estratégias de financiamento, atração de patrocinadores e busca por incentivos fiscais e créditos no mercado audiovisual.

  • Atores de Hollywood: Em 15 de dezembro de 2024, Frias enviou a Vorcaro um print de sua conversa com o diretor do filme, o norte-americano Cyrus Nowrasteh. No diálogo, o diretor afirmava que conseguiria convencer o ator Jim Caviezel (astro de A Paixão de Cristo) a interpretar o papel de Jair Bolsonaro. No entanto, Nowrasteh fez um alerta prático ao deputado: o ator exigiria ler o roteiro e receber um bom pagamento, demandando o início imediato dos fluxos financeiros. "Milagres SÓ são possíveis quando há fé. Vai ser a maior superprodução de uma história brasileira", celebrou Frias ao encaminhar o teor das tratativas ao banqueiro.

Deputado recua e muda versão após admissão de Flávio

A divulgação dos áudios expôs uma série de contradições na defesa de Mário Frias. Inicialmente, o deputado divulgou uma nota oficial afirmando categoricamente que a cinebiografia não havia recebido "um único centavo" do dono do Banco Master, alegando que o projeto vinha sofrendo "ataques direcionados" por motivações puramente políticas e ideológicas para descredibilizar a obra perante o mercado do audiovisual. Essa posição, contudo, desmoronou publicamente após o próprio senador Flávio Bolsonaro admitir em entrevistas que de fato se reuniu com Vorcaro e intermediou as negociações financeiras, chegando a pressioná-lo pelos repasses milionários ao projeto.

Diante das evidências e da exposição dos áudios, Mário Frias recuou da negação inicial e adotou uma nova linha de justificativa. Em entrevista ao jornalista Paulo Figueiredo, o parlamentar confirmou a existência dos agradecimentos e justificou que o contato telefônico com o banqueiro ocorreu "no máximo três vezes", com o objetivo de reportar o andamento do projeto. No novo posicionamento, Frias argumentou que Vorcaro e o Banco Master não constavam formalmente como investidores diretos nos contratos da cinebiografia, alegando que o relacionamento jurídico formal da produção ocorria com a empresa Entre Investimentos, e que o papel do banqueiro limitava-se a prospectar e atrair outros financiadores para a superprodução.

Fonte: Intercept Brasil e G1



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