Brasil

TENSÃO COMERCIAL

EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após investigação comercial

Governo Trump concluiu apuração contra o Brasil e apontou divergências sobre decisões judiciais, Pix e políticas ambientais

Natalia Costa

02 de junho de 2026 às 10:10 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • Os EUA anunciaram uma investigação comercial concluída contra o Brasil, propondo tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
  • A proposta ainda depende da aprovação de Donald Trump para ser implementada.
  • A investigação começou em 2025, baseando-se no mecanismo da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
  • Produtos como aeronaves, medicamentos e alimentos específicos foram excluídos da tarifa.
  • Os EUA criticaram decisões judiciais brasileiras sobre redes sociais e sistemas como o Pix.
  • O Pix foi defendido pelo ministro da Fazenda brasileiro, alegando benefícios às empresas que operam no Brasil.
  • O Brasil busca evitar sanções adicionais e promove negociações diplomáticas.
  • O processo está agora em fase de consulta pública com uma audiência prevista para 6 de julho.
  • A decisão final cabe ao presidente Donald Trump, com possíveis negociações contínuas entre os países.

Governo Trump ameaça o Brasil com tarifa de 25% após conclusão de investigação comercial; Pix é alvo - Foto: KENT NISHIMURA / AFP
Governo Trump ameaça o Brasil com tarifa de 25% após conclusão de investigação comercial; Pix é alvo - Foto: KENT NISHIMURA / AFP

O governo dos Estados Unidos anunciou a conclusão de uma investigação comercial contra o Brasil e propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros importados pelo mercado americano. A medida foi divulgada nesta segunda-feira (1º) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e ainda depende de aprovação final do presidente Donald Trump para entrar em vigor.

A proposta foi apresentada após o encerramento de negociações entre os governos dos dois países, que tentavam chegar a um acordo desde 2025. Entre os principais pontos de divergência apontados pelos americanos estão decisões do Judiciário brasileiro relacionadas às redes sociais, o sistema de pagamentos instantâneos Pix e políticas de combate ao desmatamento.

Investigação foi aberta em 2025

A investigação teve início em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite aos Estados Unidos adotar medidas contra países cujas práticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio americano.

Apesar da proposta de tarifa geral de 25%, diversos produtos ficaram de fora da lista. Entre eles estão aeronaves civis, motores, peças aeronáuticas, medicamentos, fertilizantes, produtos químicos, terras raras e alimentos como carne bovina, manga, mamão, castanha-do-pará e frutas cítricas.

Segundo o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, as negociações com o governo brasileiro avançaram nas últimas semanas, mas não foram suficientes para resolver as divergências identificadas durante a investigação.

Pix e decisões judiciais entram na lista de críticas

O relatório do USTR também faz críticas a decisões da Justiça brasileira envolvendo a remoção de conteúdos e a suspensão de perfis em plataformas digitais. O documento questiona ainda o sigilo adotado em algumas determinações judiciais.

Outro ponto citado pelos americanos é o Pix. O governo dos Estados Unidos alega que o sistema de pagamentos instantâneos poderia prejudicar empresas americanas que atuam no Brasil.

A avaliação foi contestada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo ele, o Pix ampliou as transações financeiras no país e também beneficiou empresas estrangeiras que operam no mercado brasileiro.

“O Pix não é pensado para ser um produto que vai concorrer e vai diminuir a presença na economia de empresas. Ao contrário, empresas norte-americanas mesmas têm nos dito, e a gente tem levado isso aos Estados Unidos, que o Pix aumentou as transações no país. Então, as empresas estão sendo beneficiadas”, declarou o ministro.

Brasil tenta evitar novas sanções

O anúncio ocorre em meio ao aumento das tensões entre os dois países. O governo brasileiro vinha apostando na negociação diplomática para evitar novas barreiras comerciais e havia criado um grupo de trabalho bilateral após reunião entre Lula e Trump realizada em maio de 2025.

Com a conclusão da investigação, o processo entra agora em fase de consulta pública. Empresas e entidades do setor privado poderão apresentar manifestações antes da publicação do relatório final. Uma audiência pública está prevista para o dia 6 de julho.

A decisão definitiva sobre a aplicação das tarifas caberá ao presidente Donald Trump. Até lá, os governos dos dois países ainda poderão manter negociações para tentar evitar o agravamento da disputa comercial.

Fonte: Revista Fórum



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