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Ditadura, comunavírus, obscurantismo

Uma hecatombe devasta a vida de milhões.


Ditadura Militar

Ditadura Militar Foto: Divulgação

Comandos extremistas de direita chamam as ruas brasileiras para comemoração do golpe de 31 de março de 64 que impôs ao Brasil a ditadura militar que durou décadas. Desse golpe e ditadura, uma herança iníqua impede que o Brasil avance, de fato e realmente, para ser um país livre e democrático.

Dizemos militar a ditadura de 64, pela conhecida força militar na operação golpista que gerou e sustentou, qual partido da farda. Contudo, entendemos não se deva reduzir a essa dimensão militar a imposição do regime que vigorou entre a década de 1960 e o final dos anos 80 do século passado. Trata-se de uma conjuntura na qual confluíram e tomaram o poder as forças decisivas, a serviço da barbárie social, que mantém o Brasil por séculos travado ao mais tacanho atraso, subjugado por colonizações e imperialismos de fora e escravidões aqui dentro. 

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A ditadura de 64 e o regime de exceção que impôs foram civilmente apoiados e não deixou herança que elevasse a nação em termos de altivez e maior respeitabilidade, em face de sua gente e no espelho do mundo. Foi preciso uma mobilização popular muito intensa para varrer o regime ilegal e alcançar-se uma conjuntura mais esperançosa em termos de progresso social.

Mobilizações populares e brotação de um tecido de organizações de toda espécie, notadamente do mundo laboral-sindical, alavancaram a reconstitucionalização da República, com a Carta de 88, uma carta de intenções de uma geração de brasileiros. 

A referida mobilização popular não foi capaz, contudo, de transpor as forças contrárias às mudanças intencionadas por lutadores românticos, em muitas jornadas, no recorte de tempo e vida entre 88 e 2013. 

A proximidade das eleições de 2014, e a reeleição de um governo declaradamente contrário à “verdade” imposta em 1964, e pactuada em 1988, levaram a outro golpe pela deposição da presidência legitimamente eleita e imposição da exceção política. 

A deposição de Dilma Rousseff, foi ação contrária à democracia e aos legítimos interesses nacionais do Brasil e da maioria do povo que seu governo sustentou. De golpe em golpe, continuados, golpistas alçaram à cabeça da República uma brotação da extrema direita, violenta, nutrida na cloaca fétida e viçosa da ignorância política. 

Não faltam os que chamam a atenção para a composição e conteúdo dos golpistas alçados ao mando. Quem, com mais acerto, o resume, em puras bases filosóficas-históricas, é Marilena Chauí, contemplando a classe média “conservadora” e nesta enxergando as “três abominações” que exprime: “política, porque é fascista; ética, porque é violenta; cognitiva, porque é ignorante”.  

A nação está submetida a grave ataque pandêmico, mortal, como em nenhuma guerra que o Brasil conheça em seus limites. E é nesse momento literalmente crucial que reponta do porão essa extrema-direita, forçando a barra para romper de vez a letra constitucional e assumir-se como de fato é: totalitária, sanguinária e que tem a ideologia como seita. Que jamais aceitou a democracia. 

Uma hecatombe devasta a vida de milhões. A ignorância dessa seita abraçada por alguns milhões de brasileiros, nega a virulência pandêmica, parecendo ter a morte e o desespero como meio para alcançar seu nefando desiderato necro-ditatorial. 

As celebrações de setores extremados da sociedade neste 31 de março clamando por nova ditadura é sinal tenebroso. Repita-se: não se trata apenas de posições políticas mais extremadas, afinal, nada incomuns na vida social e que devem caber nas linhas de contenção que a dinâmica da democracia resolva. 

Não, não é disso que se trata. O golpe em curso nesta conjuntura pós 2013 abraça a radicalidade do morrer, como método. É contra a vida, matar é o seu argumento.  

Direita fascista, violenta e ignorante: sua virulência mental e sua prática são tão devastadoras que acreditam que o vírus é comunista – comunavírus ernestinensis – e quem quer viver serve à subversão 21. 

Ah! Se tudo não fosse apenas pesadelo delirante. 

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Sobre a coluna

Fonseca Neto

Fonseca Neto

FONSECA NETO, professor, articulista, advogado. Maranhense por natural e piauiense por querer de legítima lei. Formação acadêmica em História, Direito e Ciências Sociais. Doutorado em Políticas Públicas. Da Academia Piauiense de Letras, na Cadeira 1. Das Academias de Passagem Franca e Pastos Bons. Do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí.

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