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Abriladas vexaminosas

Há o abril do ato inaugural da dominação colonial da Europa indo-mediterrânea sobre o maciço continental depois batizado de América, avistado em 22 de abril de 1500.


Ex-presidente Dilma Roussef

Ex-presidente Dilma Roussef Foto: @DR

Veículos de comunicação relembrando o terrível massacre de Eldorado dos Carajás, havido há exatos 25 anos: 17 de abril de 1996. 

Num 17 de abril se deu uma das mais infamantes cenas que inimigos do Brasil promoveram: a reunião bandida em que delinquentes derrubaram Dilma Rousseff da presidência da república, 2016.

Tem o dia 21 de abril que marca o enforcamento e a humilhação de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, entre mais, porque andou articulando ideias e manifestações contrárias à Coroa portuguesa no século XVIII.

Há o abril do ato inaugural da dominação colonial da Europa indo-mediterrânea sobre o maciço continental depois batizado de América, avistado em 22 de abril de 1500.

No Oitocentos pernambucano, 1832, ocorreu o que, à galhofa, alguns chamam de “abrilada”, reação armada de quadros militares contra a ordem regencial, de caráter conservador e regressista. 

Carvalho Júnior

Ditadura, comunPROA &PROSA

Jenipapo é mais que adesão

1977: o general-ditador Geisel fecha o Congresso Nacional, reescreve várias a Carta ditatorial, entre mais, mexe com eleições, duração de mandatos, cria senadores biônicos, reforma o Judiciário. Dita o chamado “pacote de abril”.  

Ser abril de anos e séculos tão distintos o mês desses acontecimentos é casualidade se se pretende uma explicação desse quilate. O que em comum eles têm é que de cada um se extrai uma atividade contrária à construção do Brasil tal um lugar para se viver em estado social de justiça e paz. 

O chamado “descobrimento”, agora se sabe, é ato inaugural do tempo mais horroroso da humanidade existente na margem ocidental do Atlântico: a escravização e aniquilamento de uma parte da população terrestre por outra parte que roubaria o  chão de seu lugar. 

Contra as mitologias fundadoras que afirmam algum heroísmo nisso, eis aqui a recordação histórica de uma tragédia. Entre a fantasia imaginada e a tragédia real há meio termo? Aqui apenas lembrando o resultado evidente do desastre que aquele 22 de abril implicou. 

Que nexos tem isso com os fatos que viriam acontecer no tempo brasileiro seguinte? A história que a formação social brasileira inscreverá vem assentada nas linhas mestras dessas ocorrências quinhentistas e da espécie de dominação que impôs, fundada pela força da pilhagem e da submissão da gentilidade nativa, somada ao sequestro de afros. 

Quase 300 anos depois, abril de 1792, matando-se à forca Tiradentes, o fazem para manter intacta a dominação de 1500, a pilhagem colonial, escravização. 

Nos ensaios de liberdade política no entreato dos Impérios do primeiro e do segundo Pedro, Pernambuco em chamas, milicos recusam independência do Brasil, em nome do “partido do trono e do altar”. Querem o regresso contra botões que se insinuam abrir em flores de liberdade e república. Inabalado ficará o Império da escravidão insistente em proveito dos ganhos de longe. 

O século XIX transita para o próximo com o Brasil paraíso da escravidão em xeque, inacreditável república que se impõe por um conchavo golpista para manter íntegras as bases sociais da monarquia. A mudança da forma de governo leva a que o século  XX faça a maquilagem da velha submissão. Sem escravidão? Jogo de palavras.

Contra a Independência do Brasil, para conservar as linhas mestras da dominação de 1500, impõe-se a ditadura de 1º de abril de 1964, depois o “pacote” de 77. Obra de neocapatazes saudosos do eito, agora também do asfalto, inimigos da democracia. 

A dominação desembarcada naquele abril de 1500 e sua vocação que se faria mortal para enriquecer reinos e áulicos de longe a qualquer custo, massacra os filhos da escravidão – sem ironia –, em “Eldorado”. Rouba terras e águas da nação. 

Dominação, de covardes incuráveis, que com seu ferrão neoliberal incandescido ferem, e derrubam, a valente Dilma Rousseff, chefe da nação, por ela ter tido a coragem de assinar o artigo segundo da lei de maio de 1888 e de enfrentar seus algozes torturadores. Sua derrubada em abril de 2016 é das cenas mais infames em 52 décadas desde o abril mil quinhentista. 

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Sobre a coluna

Fonseca Neto

Fonseca Neto

FONSECA NETO, professor, articulista, advogado. Maranhense por natural e piauiense por querer de legítima lei. Formação acadêmica em História, Direito e Ciências Sociais. Doutorado em Políticas Públicas. Da Academia Piauiense de Letras, na Cadeira 1. Das Academias de Passagem Franca e Pastos Bons. Do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí.

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