Política

CAOS NA VIZINHANÇA

Greve geral paralisa Argentina em protesto contra reforma trabalhista do governo Milei

Paralisação argentina contra reforma que amplia jornada para até 12 horas expõe confronto direto entre sindicatos e governo

Da Redação

Quinta - 19/02/2026 às 09:53



Foto: REUTERS/Francisco Loureiro Manifestação na Argentina contra medidas do governo Milei
Manifestação na Argentina contra medidas do governo Milei

Nesta quinta-feira (19), a Argentina atravessa um momento de ampla mobilização social com uma greve geral de 24 horas convocada pelas principais centrais sindicais do país contra a reforma trabalhista impulsionada pelo governo do presidente Javier Milei. A paralisação coincide com a análise do projeto de lei pela Câmara dos Deputados, após sua aprovação no Senado na semana passada — um processo que tem provocado tensões políticas e sociais no país vizinho.

A greve, anunciada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), a maior federação sindical da Argentina, começou à 0h01 (horário local) e estende-se por 24 horas. O movimento envolveu setores essenciais como transporte público — com trens, metrô e ônibus paralisados — e serviços que vão desde bancos até hospitais públicos e educação, gerando impacto direto na rotina de milhões de argentinos.

A reforma trabalhista em discussão busca modernizar o marco regulatório do trabalho, alterando direitos historicamente protegidos — inclusive permitindo a ampliação da jornada diária para até 12 horas dentro de um sistema de compensação, flexibilizando regras de contratação e demissão e limitando a capacidade de greve em setores considerados essenciais. O governo argumenta que as mudanças são necessárias para estimular investimentos, reduzir a informalidade e aumentar a competitividade econômica. Por outro lado, os sindicatos sustentam que as medidas representam um retrocesso significativo nas proteções trabalhistas, abrindo espaço para jornadas mais longas sem correspondente compensação financeira, cortes em indenizações por demissão e enfraquecimento do poder sindical. A oposição sindical também teme que cláusulas incluídas durante a tramitação no Congresso ampliem ainda mais a precarização das condições de trabalho no país.

A greve geral de hoje (19) marca a quarta grande paralisação nacional desde que Milei assumiu o governo em dezembro de 2023, um indicativo da crescente contestação social às reformas estruturais propostas pela administração. A estratégia dos sindicatos inclui não apenas a interrupção de atividades, mas também pressão política sobre os deputados que debatem o texto na Câmara — última etapa antes de uma possível sanção definitiva.

O Ministério da Segurança da Argentina, em um comunicado, adotou medidas de segurança mais rigorosas para a cobertura jornalística dos protestos, delimitando zonas para a imprensa e aconselhando cautela diante de possíveis confrontos.

Com o objetivo de reduzir situações de risco, recomenda-se (à imprensa) evitar posicionar-se entre eventuais focos de violência e o efetivo das forças de segurança destacado para a operação.

A abrangência da greve e os debates no Congresso colocam a Argentina no centro de uma ampla discussão sobre o futuro das relações de trabalho e das políticas econômicas no país no início de 2026, com repercussões potenciais tanto no plano interno quanto na percepção de investidores e parceiros comerciais na região.

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