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Bolsonaro paga milhões para instituto que coloca Silvio Mendes em 1º lugar nas pesquisas

O instituto é o único que bota Silvio Mendes à frente de Rafael Fonteles


Silvio Mendes e Bolsonaro

Silvio Mendes e Bolsonaro Foto: Montagem/Piauí Hoje

O presidente Jair Bolsoanaro (PL) paga milhões para o Instituto Paraná Pesquisa, que nessa quinta-feira (08/09) divulgou um levantamento de intenções de votos para governador do Piauí, em que Silvio Mendes (União Brasil), aparece na frente com 44,3% das intenções de votos. O Paraná Pesquisa tem contrato milionário com o governo Bolsonaro, que apoia a candidatura de Silvio, tendo Ciro Nogueira como intermediador. 

Na pesquisa, Rafael Fonteles (PT), aparece com 29,1% das intenções de votos. A sondagem ouviu 1380 eleitores em 46 municípios do Piauí, entre os dias 03 e 07 de setembro 2022. O nível de confiança é de 95,0% para uma margem estimada de erro de aproximadamente 2,7% para os resultados gerais. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é PI-02405/2022.

No início deste ano, o Instituto Paraná Pesquisas fechou contrato com o Governo Federal no valor de R$ 1,6 milhão para prestação de serviços de pesquisa. Coincidentemente, dois meses depois, o instituto divulgou pesquisa eleitoral em que coloca Bolsonaro tecnicamente empatado com Lula, o que diverge com outros institutos, assim como acontece no Piauí.

O contrato do Governo Federal com o Ministério das Comunicações, que é comandado por Fábio Faria, um dos maiores defensores de Bolsonaro, visava fazer levantamentos de opinião pública. Outro contrato, de quase R$ 12 milhões, foi fechado com o Instituto de Pesquisa de Reputação e Imagem (IPRI). Ao todo, no ano eleitoral, o governo Bolsonaro gastou mais de R$ 13 milhões em contratos para pesquisas.

Estes contratos chegaram, inclusive, a serem analisados pelo Tribunal de Contas da União, após uma representação feita pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) sobre ‘desvio de finalidade’ destas pesquisas.

Sócio investigado por lavagem de dinheiro
Segundo denúncia do jornalista Lúcio de Castro, da Agência Sportlight de Jornalismo Investigativo, em 2020, o Ministério Público Federal de São Paulo, denunciou Murilo Hidalgo Lopes de Oliveira, sócio do Instituto Paraná Pesquisas, por lavagem de dinheiro e associação criminosa em caso envolvendo políticos e uma indústria farmacêutica.

Ele teria celebrado contrato ‘ideologicamente falso’ com o grupo Hypermarcas. Pelo acordo, o instituto simulava uma pesquisa para a farmacêutica, possibilitando assim a emissão de uma nota fiscal e posteriormente, em operação triangular, o repasse de propina ao deputado Paulo Roberto Bauer.
Dois contratos foram assinados pelo instituto na ocasião, no total de R$ 750 mil.

Pesquisa autofinanciada


O levantamento do Paraná Pesquisas, que colocou Sílvio na frente, foi paga pelo próprio instituto, ou seja, a empresa que se contratou para fazer a pesquisa, ao custo de R$ 80 mil.

Esse tipo de sondagem gera desconfiança porque há a suspeita de que sejam produzidas sem qualidade, afinal, os institutos não precisam informar a origem dos recursos, como se fosse uma forma do candidato influenciar eleitores e induzir votos.

Segundoreportagem do Estadão, num dos casos mais recentes, o estatístico Augusto da Silva Rocha, do Instituto Ranking Brasil, voltou a ser alvo do MPF em 2022 por supostas fraudes em pesquisas de intenção de voto.

Há a suspeita de que ele tenha manipular pesquisas autofinanciadas em diferentes campanhas nos últimos anos, apesar de sua defesa negar irregularidades.

O Ipop Cidades & Negócios virou alvo de operação do Ministério Público do Goiás após liderar pesquisas autofinanciadas na eleição passada e o dono do instituto, Márcio Rogério Pereira Gomes, era suspeito de produzir pesquisas fraudulentas, chegando a ser preso.

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Fonte: El Piauí

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