Uma movimentação recente no primeiro escalão do Governo do Piauí revela mais do que um simples ajuste de cargo: é um posicionamento tático claro para os desafios políticos que se aproximam. Washington Bandeira, até a semana passada à frente da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), deixa o cargo técnico para assumir uma função de peso e nuances diferentes: a coordenação das ações do plano de governo que servirá de base à campanha de reeleição do governador Rafael Fonteles em 2026.
A mudança é astuta. Liberado das amarras formais do cargo de secretário, Bandeira ganha uma liberdade preciosa. Agora, pode "fazer política" em seu sentido mais puro e estratégico: articular com lideranças municipais, conversar com bases partidárias e construir pontes sem o formalismo e os eventuais ciúmes que cargos executivos de primeiro escalão podem gerar. Sua nova missão é ser os olhos, os ouvidos e o braço direito do projeto de Fonteles no território, transformando a gestão em narrativa eleitoral.
Essa transição só faz sentido porque Bandeira deixa a Seduc com o saldo positivo. Durante sua gestão, o Piauí manteve trajetória de destaque no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), com avanços consistentes nos anos iniciais do ensino fundamental, conforme dados do Inep. Ele não sai para ser afastado; sai para ser reposicionado em uma frente onde sua competência administrativa, já reconhecida, deve ser potencializada para habilidade política.
O cenário de sua estreia na nova função não poderia ser mais simbólico. Neste final de semana, ele acompanhou o governador Rafael Fonteles e o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, na inauguração da pavimentação asfáltica da PI-248, ligando Socorro do Piauí a Pedro Laurentino. A obra, de 37,5 km e R$ 28,4 milhões em investimentos, é um cartão de visitas perfeito para a nova fase: representa desenvolvimento real, integração regional e a linguagem concreta que o eleitor do interior compreende e valoriza.
Ao discursar, Fonteles conectou a infraestrutura a políticas de crédito e assistência técnica, mostrando um discurso integrado. Dias reforçou a parceria entre União, estado e municípios. Nesse coro, Washington Bandeira observava e aprendia o terreno. Sua tarefa agora será garantir que esse tipo de mensagem e realização ecoe de forma coordenada e eficaz em todos os 224 municípios piauienses até 2026.
A estratégia é clara: aproveitar um quadro técnico de confiança, com credibilidade acumulada em uma pasta sensível, e lançá-lo à linha de frente da construção política. O governador Rafael Fonteles parece entender que a reconexão com o interior é vital, e quem melhor para intermediá-la do que alguém que já provou ser capaz de gerir uma das maiores máquinas do estado? O tabuleiro para 2026 está sendo montado, e Washington Bandeira acaba de virar uma peça-chave no jogo.
Luiz Brandão
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