Blog do Brandão

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INGRATIDÃO E HIPOCRISIA

Ingratidão: por que alguns brasileiros que prosperaram “cospem no prato que comeram”?

Especialistas apontam que a negação de políticas públicas bem-sucedidas por beneficiários revela fenômeno de viés ideológico e falta de memória social

Por Luiz Brandão

Sexta - 13/02/2026 às 18:06



Foto: Redes sociais Políticas públicas que se tornaram conquistas dos trabalhadores
Políticas públicas que se tornaram conquistas dos trabalhadores

Os ensinamentos passados de pais para filhos, como o de que “a ingratidão é um grande defeito do ser humano” e que “não se pode cuspir no prato que comeu”, parecem estar cada vez mais esquecidos em meio à polarização política que tomou conta do país. O que se observa, especialmente nas redes sociais e debates públicos, é um movimento crescente de pessoas que, embora tenham tido suas vidas transformadas por políticas de inclusão social e desenvolvimento econômico, agora se voltam contra aqueles que viabilizaram essas mudanças.

No Piauí e no Brasil, os últimos anos foram marcados por avanços significativos. Programas de transferência de renda, incentivos ao crédito e investimentos em infraestrutura, implementados durante gestões como as do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ex-governador Wellington Dias e do atual governador Rafael Fonteles, tiraram milhões da pobreza e impulsionaram a nova classe média.

O invisível aos olhos da ideologia

Dados oficiais escancaram a transformação. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) e o Ministério do Desenvolvimento Social, o acesso ao crédito consignado e ao microcrédito produtivo orientado permitiu que milhares de piauienses realizassem sonhos antigos. Foi esse acesso que possibilitou a compra da primeira moto ou do primeiro carro, garantindo mobilidade e dignidade para ir e vir.

O setor de habitação também viveu um boom. Através de programas como o Minha Casa, Minha Vida, a taxa de déficit habitacional no estado diminuiu consideravelmente. Dados da Caixa Econômica Federal mostram que, somente nos últimos ciclos do programa, mais de 100 mil famílias piauienses conquistaram a chave da casa própria, um patrimônio que antes era inalcançável.

No campo da educação, a expansão de escolas técnicas e universidades federais interiorizou o ensino de qualidade. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP) aponta uma melhora nos índices de desenvolvimento da educação básica (Ideb) em cidades polo do Piauí, resultado direto de investimentos que permitiram que filhos de trabalhadores permanecessem na escola.

O empreendedorismo floresceu. O acesso facilitado ao crédito por meio de bancos públicos foi o combustível para que pequenos negócios surgissem. Restaurantes, lojas e pousadas, especialmente no litoral piauiense e nas principais cidades, foram abertos por pessoas que, movidas pela estabilidade econômica, viram a chance de se tornarem seus próprios chefes.

Há ainda aqueles que migraram de outras regiões para o Piauí, atraídos pelo crescimento acima da média nacional. Estes, hoje estabelecidos e com famílias formadas, enriqueceram no estado justamente graças às melhorias na infraestrutura, segurança jurídica e incentivos fiscais promovidos pelos governos locais.

O prato sujo da hipocrisia

No entanto, é exatamente uma parcela desses beneficiários que hoje protagoniza um dos fenômenos mais lamentáveis da política recente: a ingratidão travestida de convicção.

“A pessoa que melhora de vida, sobe na vida e depois ataca exatamente as políticas que a tiraram da invisibilidade social age com uma leviandade moral inaceitável. Isso não é opinião, é falta de caráter e ausência de memória”, analisa a socióloga e pesquisadora de políticas públicas, Dra. Mariana da Costa.

O que se vê, com frequência, são acusações levianas e mentiras deslavadas contra figuras públicas, sem a apresentação de uma única prova. Essas acusações, geralmente motivadas por tendências ideólogicas passageiras e importadas, ignoram completamente a responsabilidade social.

Ao negar o óbvio, esses indivíduos não prestam um serviço ao país; pelo contrário, atrasam o debate público. Ao espalharem desinformação, eles desconsideram a luta histórica pela soberania nacional, pelo desenvolvimento do estado e, acima de tudo, pela melhoria da qualidade de vida dos que ainda dependem do poder público para sobreviver.

O veredito da memória

Cuspir no prato que comeu vai além de uma simples discordância política. É um atestado de falta de memória e de caráter. É ignorar que o carro na garagem, a moto que leva ao trabalho, o teto que abriga a família e o diploma do filho são, em grande parte, frutos de um ambiente econômico e social construído coletivamente, com políticas de Estado que priorizaram os mais pobres.

Aqueles que mentem e fazem acusações sem provas não servem ao Brasil. Servem, sim, a uma narrativa vazia que tenta apagar a história de quem trabalhou para incluir. Como ensinam os mais velhos, a gratidão não é apenas um sentimento, mas uma obrigação moral de quem reconhece que, sozinho, não teria chegado onde chegou.

Luiz Brandão

Luiz Brandão

Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há 40 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Também foi colunista do Jornal Meio Norte. Atualmente é diretor de jornalismo e colunista do portal www.piauihoje.com.
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