O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (6) que só aceitará negociar com o Irã quando houver o que chamou de "rendição incondicional" e uma liderança aceitável no país. A declaração foi publicada na rede social Truth Social e acontece no sétimo dia de troca de ataques entre Washington e Teerã.
Trump afirmou ainda que os EUA e seus aliados "trabalharão incansavelmente" para tirar o Irã do "abismo da destruição" fortalecendo a economia do país e tornando o "Irã grande novamente". O republicano finalizou a publicação com a abreviação MIGA, que significa Make Iran Great Again (Torne o Irã Grande Novamente, em tradução literal), uma referência ao seu principal slogan MAGA, Make America Great Again (Torne a América Grande Novamente, em tradução literal).
A troca de ataques entre Washington e Teerã chegou hoje no sétimo dia
O conflito, iniciado no último sábado, ganhou escala regional com novos ataques entre Israel e Irã, além de interceptações no Golfo Pérsico, com países da região relatando ações de defesa aérea contra mísseis e drones.
A troca de hostilidades acontece em meio a novas ameaças. Na noite de quinta-feira (5), o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que “a quantidade de poder de fogo sobre o Irã está prestes a aumentar drasticamente”, citando a decisão do Reino Unido de permitir o uso de bases militares na região por Washington para ataques defensivos contra Teerã.
Uma escalada também foi prometida pelo chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (FDI, na sigla em inglês), Eyal Zamir, que mencionou “novas surpresas” para derrubar o regime iraniano.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (28). O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio, que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Na última semana, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".
Fonte: SBT News
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