OLHE DIREITO
Da Redação
25 de maio de 2026 às 19:27 ▪ Atualizado há 1 hora
Nesta segunda-feira, 25 de maio, celebra-se o Dia da Indústria no Brasil e há realmente motivos para que se fale da data – seja por necessária celebração a um fundamental setor da economia do país, seja porque por indústria na atualidade podemos ir bem além da visão mais simples deste segmento como fábrica, já que pode expandir-se para áreas como a construção civil, para ficar na mais conhecida entre aquelas atividades industrializantes ou que transformam bens e serviços.
Tem-se na atualidade a ideia de uma reindustrialização em boa parte do mundo. O tema avança como arrimo a discursos políticos que tentam seduzir eleitores de áreas antes industrializadas e que entraram em declínio pelos processos de descentralização industrial ou transferência de fábricas de países ricos para nações ditas emergentes. Por razões de custo, quem produzia mais ganhando menos levou para seus territórios as fábricas – a China, Índia e outros países asiáticos à frente desse processo.
No caso do Brasil, também a ideia se se reindustrializar e de industrializar regiões menos desenvolvidas habita o imaginário político, alimenta a fala de quem pretende seduzir o eleitor e termina sendo simplificada demais para caber numa promessa vaga e vã. Atrair indústrias de volta ou instalá-las em regiões menos favorecidas economicamente é objeto de frequentes promessas políticas.
Porém, será que estamos lidando com a industrialização sob um viés realmente bom o bastante para sair do discurso para firmar-se na realidade? Vamos tomar o exemplo do nosso Estado do Piauí, onde a indústria representa 15% do Produto Interno Bruto, segundo mediu o IBGE em 2023. Como seria possível expandir fisicamente este setor para fazê-lo maior na formação de todas as riquezas produzidas no Estado?
Uma das ideias mais comuns é o de atrair negócios industriais pela via de incentivos oficiais, como anistia fiscal ou suportes materiais ofertados por governo estadual e prefeituras. É um caminho fácil, que, no entanto, ignora a possibilidade de êxito em longo prazo ou de sustentabilidade econômica e socioambiental. É possível que tenhamos de trilhar um caminho de expansão industrial considerando um entrelaçamento de plantas fabris com atividades produtivas já instaladas ou ainda de incentivar os setores de serviço e agropastoril para que estes sejam impulsionadores de uma industrialização que se valha das demandas deles.
É realmente razoável indicar que o Piauí avance rumo a uma maior participação do setor industrial na economia a partir do crescimento da agropecuária como fornecedora de matérias-primas para a indústria de transformação; é também uma possibilidade bastante plausível que, favorecido por uma expansão firme da geração de energia solar e eólica, o Estado use essa oferta para impulsionar novos negócios industriais.
Portanto, neste 25 de maio, Dia da Indústria, há que se olhar para o futuro do setor em nosso estado com otimismo, considerando condições muito próprias do estado como maior oferta de energia e um setor agropecuário dinâmico capaz de fornecer matérias-primas para vários segmentos industriais. Se alguém pensa que não existam razões para uma celebração mais efusiva, parece haver razões de sobra para a projeção de um futuro melhor para a indústria local.
Fonte: Alvaro Mota
Álvaro Mota é procurador do Estado, advogado e presidente do Instituto dos Advogados Piauienses (IAP). Na área acadêmica, atua como professor, sendo mestre em Filosofia e Teoria Geral do Direito (UFPE) e doutor em Direito Administrativo (PUC-SP).