OPERAÇÃO TRANSPARÊNCIA
Da Redação
14 de setembro de 2026 às 12:05 ▪ Atualizado há 26 minutos
A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (14) a terceira fase da Operação Transparência, que tem como um dos principais alvos o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). O parlamentar é amigo e aliado do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e foi responsável por organizar um encontro entre o magistrado e o empresário Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master.
A operação cumpre quatro mandados de busca e apreensão em endereços de São Paulo e do Distrito Federal. As ordens foram expedidas pelo STF e autorizadas pelo ministro Flávio Dino.
A investigação apura suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, o grupo investigado teria negociado com terceiros o pagamento de valores expressivos, condicionados ao resultado de processos judiciais em andamento, sob a promessa de influenciar decisões em tribunais superiores.
Cezinha organizou encontro entre Mendonça e Vorcaro
O nome de Cezinha de Madureira ganhou destaque na investigação também pela relação próxima com André Mendonça e pela articulação de um encontro entre o ministro e Daniel Vorcaro.
Mensagens e áudios extraídos do celular de Vorcaro indicam que o deputado ajudou a organizar a reunião, realizada em 14 de março de 2025, em São Paulo.
Naquele dia, Cezinha e Mendonça estiveram juntos durante uma cerimônia de posse de um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). Horas depois, o deputado teria enviado uma mensagem a Vorcaro informando que o ministro já o aguardava.
O encontro ocorreu em um endereço ligado ao Instituto Iter, fundado por André Mendonça.
O gabinete do ministro confirmou a reunião com Vorcaro. Segundo Mendonça, o encontro tratou de questões relacionadas a créditos de precatórios de interesse do Banco Master. O ministro afirmou que se limitou a ouvir o empresário.
PF investiga suposta venda de influência
A terceira fase da Operação Transparência busca esclarecer se integrantes do grupo investigado ofereciam a terceiros a possibilidade de interferir em processos judiciais em troca de dinheiro.
A Polícia Federal informou que, até o momento, não há elementos que indiquem a participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos apurados.
A investigação teve início em dezembro de 2025, a partir de apurações sobre possíveis irregularidades relacionadas à destinação de emendas parlamentares. Com o avanço das diligências, os investigadores passaram a apurar também suspeitas de negociação de influência sobre processos em tribunais superiores.
Relação com ministro do STF
Cezinha de Madureira é uma liderança ligada à Assembleia de Deus do Ministério de Madureira e mantém proximidade política e pessoal com André Mendonça.
A relação entre os dois ganhou atenção especialmente durante o processo que levou Mendonça ao STF. O ministro foi indicado à Corte pelo então presidente Jair Bolsonaro.
Apesar da proximidade entre o deputado e o ministro, a PF afirma não ter identificado, até o momento, participação de integrantes do Judiciário nos crimes investigados nesta fase da operação.
As buscas realizadas nesta segunda-feira fazem parte do avanço das investigações e devem ajudar os investigadores a identificar a eventual participação dos alvos e a origem dos recursos que teriam sido negociados.
Até a publicação desta matéria, a defesa de Cezinha de Madureira não havia se manifestado publicamente sobre a operação.
Fonte: Revista Fórum
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