Mundo

ATAQUES A LULA

Filho de Trump ameaça Lula e o chama de 'próximo Maduro'

Donald Trump Jr. compartilhou publicação de advogado que acusa o processo eleitoral brasileiro de manipulação, sem apresentar provas

Da Redação

26 de outubro de 2026 às 09:22 ▪ Atualizado há 55 minutos


Fotomontagem / Portal Piauí Hoje Donald Trump Jr. filho do presidente dos Estados Unidos
Donald Trump Jr. filho do presidente dos Estados Unidos

O empresário Donald Trump Jr., filho do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou nas redes sociais uma publicação que questiona a legitimidade da eleição brasileira e associa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao líder venezuelano Nicolás Maduro. A manifestação ocorreu no domingo (25), após a confirmação da vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.

A publicação original é do advogado Martin De Luca, que acusou o processo eleitoral brasileiro de suposta manipulação e questionou se a comunidade internacional reconheceria o resultado como legítimo. Ele, no entanto, não apresentou provas que sustentassem as acusações.

“Pelo bem do Brasil, rezo para que não seja o caso”, escreveu De Luca ao sugerir que Lula poderia se tornar o “próximo Nicolás Maduro”.

Ao compartilhar a mensagem, Trump Jr. também criticou a imprensa norte-americana, alegando que os veículos de comunicação teriam uma reação diferente se a situação envolvesse um governo conservador.

“Se um governo conservador no Brasil fizesse isso, todos na grande imprensa americana perderiam a cabeça, mas acho que eles estão apenas escolhendo ficar em silêncio porque é tudo pela causa”, escreveu o empresário.

A manifestação amplia a repercussão internacional da disputa brasileira e ocorre em meio às tentativas de aliados de Flávio Bolsonaro de questionar a decisão judicial que estendeu o horário de votação no domingo.

Advogado tem ligação com processos contra Alexandre de Moraes

Martin De Luca já atuou em processos envolvendo a plataforma Rumble e a Trump Media, empresa de mídia ligada a Donald Trump, em ações contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A publicação compartilhada por Trump Jr. questiona a decisão judicial que ampliou o horário de votação e usa a medida como argumento para colocar em dúvida a legitimidade do resultado eleitoral.

As acusações, porém, não vieram acompanhadas de evidências de fraude ou de demonstração de que a decisão tenha alterado o resultado da eleição.

Lula venceu o segundo turno e foi reeleito presidente da República. A contestação política de uma decisão judicial, por si só, não comprova irregularidade no processo eleitoral.

Entenda a polêmica sobre o horário de votação

A controvérsia começou durante a votação deste domingo. A campanha de Lula solicitou a ampliação do horário, inicialmente citando dificuldades de transporte em municípios da Bahia. Depois, o pedido foi estendido para todo o país.

A equipe de Flávio Bolsonaro também apresentou uma solicitação, mas com alcance mais restrito. O pedido mencionava 19 cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, onde chuvas, alagamentos, interdições e problemas no fornecimento de energia poderiam dificultar o acesso dos eleitores às seções.

Na sequência, o ministro Cristiano Zanin, do STF, determinou a extensão do horário de votação até as 19h. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, orientou o cumprimento da decisão, esclarecendo que as seções que ainda estivessem abertas deveriam continuar recebendo eleitores até o horário estabelecido.

A decisão provocou questionamentos de integrantes da direita, que passaram a criticar a condução do processo. Até o momento das publicações, entretanto, as acusações divulgadas por De Luca e compartilhadas por Trump Jr. não apresentavam provas de fraude eleitoral.

Trump Jr. já havia relacionado eleições à política externa do pai

A manifestação deste domingo não foi a primeira vez que Donald Trump Jr. comentou o cenário eleitoral latino-americano.

Após o primeiro turno das eleições brasileiras, o empresário relacionou o desempenho de candidatos de direita na região às mudanças promovidas pelo governo de seu pai na política de ajuda internacional dos Estados Unidos.

Na ocasião, atribuiu parte dos resultados eleitorais ao desmonte da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid). Ele alegou que recursos anteriormente destinados à agência financiavam redes de ativistas que, em sua interpretação, apoiavam sistematicamente o mesmo campo político.

Trump Jr., porém, não apresentou evidências de que os recursos da Usaid tivessem sido usados para interferir nas eleições brasileiras.

Donald Trump ainda não se pronunciou sobre vitória de Lula

Enquanto o filho questionava publicamente o resultado brasileiro, Donald Trump ainda não havia se manifestado sobre a vitória de Lula até a manhã desta segunda-feira (26), segundo as informações divulgadas pela imprensa.

O presidente norte-americano retornou à Casa Branca na noite de domingo, mas não comentou publicamente o desfecho da eleição brasileira naquele momento.

Em ocasiões anteriores, Trump havia afirmado que acompanhava a disputa de perto, sem declarar apoio explícito a um dos candidatos.

O silêncio contrasta com as manifestações de outros líderes internacionais que parabenizaram Lula pela vitória. Também ocorre em um momento em que a relação entre Brasília e Washington deve permanecer entre os principais desafios da política externa brasileira.

Fonte: Brasil 247



Siga no WhatsApp (abre em uma nova aba)