Política

ELEIÇÕES 2026

O que fez Lula virar a eleição e vencer Flávio Bolsonaro no 2º turno

Petista reverteu desvantagem nacional, conquistou Minas Gerais e ampliou a votação em todos os estados; no Piauí, chegou a 75,88% dos votos válidos

Da Redação

26 de outubro de 2026 às 08:58 ▪ Atualizado há 35 minutos


Ricardo Stuckert Presidente Lula busca a reeleição
Presidente Lula busca a reeleição

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 foi resultado de uma mudança expressiva na distribuição dos votos pelo país. Depois de terminar a primeira etapa da disputa atrás de Flávio Bolsonaro (PL), o presidente acrescentou mais de 10,3 milhões de votos à sua votação e conseguiu inverter o resultado em 211 municípios brasileiros.

Os dados foram analisados pela BBC News Brasil com base nos números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O levantamento mostra que a recuperação de Lula combinou o fortalecimento de sua vantagem no Nordeste, a virada em Minas Gerais e a redução da diferença em estados populosos do Sudeste, onde Flávio continuou na frente.

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio havia recebido 56,1 milhões de votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos. Lula ficou com 53,8 milhões, ou 45,16%. A diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos em favor do candidato do PL foi revertida na segunda votação.

No segundo turno, Lula chegou a 64,2 milhões de votos, enquanto Flávio terminou com cerca de 59,8 milhões. O petista acrescentou 10,3 milhões de votos ao resultado anterior, enquanto o adversário teve um aumento de aproximadamente 3,7 milhões.

A mudança garantiu a Lula cerca de 4,4 milhões de votos de vantagem no resultado nacional e um quarto mandato presidencial.

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Minas Gerais foi decisivo para a virada

Minas Gerais foi o único estado brasileiro em que o candidato que terminou em segundo lugar no primeiro turno passou à liderança no segundo.

Na primeira votação, Flávio recebeu 5,77 milhões de votos no estado, contra 5,18 milhões de Lula. A vantagem do candidato do PL era de aproximadamente 588 mil votos.

No segundo turno, o resultado mudou. Lula chegou a 6,33 milhões de votos e alcançou 50,41% dos votos válidos, enquanto Flávio ficou com 49,59%. O petista terminou com uma vantagem de aproximadamente 103 mil votos.

A inversão foi importante para o resultado nacional porque Minas Gerais é um dos maiores colégios eleitorais do país. A disputa acirrada no estado mostrou como mudanças regionais podem alterar o resultado de uma eleição presidencial.

Sudeste reduziu a vantagem de Flávio

Embora tenha ampliado sua votação em São Paulo e no Rio de Janeiro, Lula não conseguiu vencer nesses dois estados. Ainda assim, o avanço reduziu a distância entre os candidatos e contribuiu para a virada nacional.

Em São Paulo, Lula passou de aproximadamente 9,5 milhões de votos no primeiro turno para 12,1 milhões no segundo, um acréscimo de 2,6 milhões. Flávio também ampliou sua votação, chegando a 14,1 milhões.

A diferença entre os dois caiu de aproximadamente 3,4 milhões para 2 milhões de votos. Foi a maior redução da vantagem de Flávio entre os estados brasileiros.

No Rio de Janeiro, Lula aumentou sua votação de 3,69 milhões para 4,56 milhões de votos. Flávio permaneceu na liderança, mas sua vantagem caiu de cerca de 1,27 milhão para 603 mil votos.

Os resultados indicam que Lula conseguiu diminuir a distância em importantes centros eleitorais, mesmo sem conquistar a maioria dos votos nesses estados.

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Nordeste ampliou vantagem do petista

A região Nordeste continuou sendo a principal base eleitoral de Lula. O presidente venceu nos nove estados nordestinos e ampliou seu percentual de votos válidos em todos eles.

De acordo com o levantamento da BBC News Brasil, Lula acrescentou aproximadamente 2,95 milhões de votos à sua votação na região em comparação com o primeiro turno.

Na Bahia, o petista passou de 5,66 milhões para 6,48 milhões de votos. Em Pernambuco, acrescentou mais de 563 mil votos, enquanto no Ceará o aumento foi de aproximadamente 480 mil.

No Piauí, Lula também ampliou sua votação proporcional. O presidente havia conquistado 70,99% dos votos válidos no primeiro turno e chegou a 75,88% no segundo.

O resultado piauiense reforçou a liderança do petista no estado, onde ele terminou a eleição com mais de 1,65 milhão de votos, contra aproximadamente 525 mil de Flávio Bolsonaro.

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Lula também avançou em estados onde perdeu

A ampliação da votação de Lula não ficou restrita aos estados em que venceu. O levantamento aponta crescimento do percentual de votos válidos do petista nas 27 unidades da Federação, incluindo o Distrito Federal.

Em Goiás, por exemplo, Lula teve a maior alta percentual entre as unidades federativas. Sua votação passou de 31,06% para 40,34%, um avanço de 9,28 pontos percentuais.

Mesmo com o crescimento, Flávio terminou à frente no estado, com 59,66% dos votos válidos.

No Distrito Federal, Lula também ampliou sua participação, passando de 38,11% para 45,72%, mas permaneceu atrás do adversário.

No Amapá, onde a disputa já havia sido apertada no primeiro turno, o petista ampliou sua vantagem e chegou a 52,88% dos votos válidos.

Os números mostram que o resultado nacional não foi determinado apenas pelas vitórias estaduais, mas também pela capacidade de cada candidato de ampliar ou reduzir sua diferença em regiões estratégicas.

Viradas ocorreram em 211 municípios

Além da mudança no resultado nacional, Lula conseguiu ultrapassar Flávio em 211 municípios entre os dois turnos. Entre eles estão as capitais Rio de Janeiro e Macapá, além de cidades das regiões metropolitanas de São Paulo, Belo Horizonte e Belém.

Na capital fluminense, Lula passou de 43,91% para 51,54% dos votos válidos. Depois de terminar o primeiro turno em desvantagem, encerrou o segundo com mais de 113 mil votos de frente.

Em Macapá, o presidente avançou de 43,30% para 50,99%, transformando uma desvantagem de aproximadamente 10 mil votos em uma vitória por quase 4,9 mil.

Também houve viradas em municípios paulistas como Osasco e Cotia, além de cidades mineiras e paraenses.

Em algumas localidades, a disputa foi decidida por margens mínimas. Em Apiacá, no Espírito Santo, Lula recebeu 2.366 votos, apenas um a mais que Flávio. O mesmo tipo de diferença foi registrado em São João do Pau d'Alho, em São Paulo, e Altamira do Paraná, no Paraná.

As mudanças municipais ajudam a dimensionar a distribuição territorial da recuperação eleitoral do petista. Embora muitas dessas cidades tenham peso reduzido individualmente, o conjunto das viradas revela como pequenas diferenças locais podem contribuir para um resultado nacional.

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Vitória histórica, mas cenário político continua dividido

A eleição de 2026 marcou uma virada inédita na disputa presidencial brasileira desde a redemocratização: pela primeira vez, um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu vencer a eleição no segundo.

A vitória, porém, não significa que Lula tenha conquistado a maioria em todas as regiões ou eliminado a força eleitoral da direita. Flávio permaneceu à frente em 14 unidades da Federação e venceu em estados de grande peso eleitoral, como São Paulo e Rio de Janeiro.

O resultado evidencia um país dividido, no qual a disputa foi definida pela combinação entre a manutenção de bases eleitorais consolidadas e a conquista de votos adicionais em estados e municípios estratégicos.

Fonte: Piauí Hoje com informações da BBC



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