Brasil

FALECIMENTO DE ELZA BERQUÓ

Morre Elza Berquó, referência em demografia no Brasil

A demógrafa faleceu aos 100 anos, deixando legado em estudos populacionais e direitos humanos

Teresinha Ferreira

17 de julho de 2026 às 01:38 ▪ Atualizado há 58 minutos

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  • Elza Salvatori Berquó, demógrafa e ativista dos direitos reprodutivos, faleceu aos 100 anos.
  • Natural de Guaxupé, Minas Gerais, contribuiu para a análise das transformações demográficas do Brasil.
  • Foi fundamental na articulação de centros de pesquisa sobre urbanização e mudanças sociais.
  • Defendeu os direitos reprodutivos, promovendo o acesso a métodos contraceptivos e a discussão sobre mortalidade infantil.
  • Formou-se em Matemática e especializou-se em Estatística e Bioestatística.
  • Analisou o desenvolvimento populacional e cofundou o Cebrap em 1969.
  • Fundou o Núcleo de Estudos de População da Unicamp (Nepo) e a Comissão Nacional de População e Desenvolvimento.
  • Deixou um legado significativo na educação, pesquisa e políticas públicas.
  • Foi reconhecida por seu impacto na demografia e direitos humanos no Brasil.

Agência Brasil Natural de Guaxupé, Minas Gerais, Elza foi uma das responsáveis pela articulação de importantes centros de pesquisa no continente
Natural de Guaxupé, Minas Gerais, Elza foi uma das responsáveis pela articulação de importantes centros de pesquisa no continente

Elza Salvatori Berquó, renomada demógrafa brasileira e ativista dos direitos reprodutivos, faleceu nesta quinta-feira (16) em São Paulo, aos 100 anos. Com uma carreira dedicada à análise de dados demográficos, Berquó foi uma figura essencial para entender as transformações do Brasil entre as décadas de 1960 e 2000.

Natural de Guaxupé, Minas Gerais, Elza foi uma das responsáveis pela articulação de importantes centros de pesquisa no continente, fundamentais para estudar a urbanização e as mudanças sociais no país. Defensora fervorosa dos direitos reprodutivos, ela lutou pelo acesso a métodos contraceptivos e pela discussão sobre a mortalidade infantil.

Formada em Matemática pela Universidade Católica de Campinas, concluiu seu mestrado em Estatística pela USP em 1949 e se especializou em Bioestatística na Columbia University em 1950. Destacou-se em 1965 ao analisar o desenvolvimento populacional paulista e participou da fundação do Cebrap em 1969, junto a importantes intelectuais como Fernando Henrique Cardoso.

Elza também foi uma das fundadoras do Núcleo de Estudos de População da Unicamp (Nepo), que hoje leva seu nome. Em 1995, fundou a Comissão Nacional de População e Desenvolvimento, contribuindo para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.

Seu legado foi amplamente reconhecido por colegas e instituições. "Elza é a história da demografia no Brasil", comentou o ex-coordenador do Nepo-Unicamp, José Marcos Cunha, ressaltando seu papel na educação e pesquisa na área.

A atual coordenadora do Nepo, Gláucia Marcondes, destacou a perda de uma cientista inspiradora, mas enfatizou as conquistas e o legado de Elza, que formou muitas pessoas e instituições ao longo de sua trajetória.

Richarlls Martins, presidente da CNPD, também reconheceu sua contribuição para os direitos humanos e políticas públicas, afirmando que Elza viu pessoas além dos números, promovendo a democracia em cada esfera de sua atuação.

Fonte: Agência Brasil