Proa & Prosa
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Latrina da dolarama

Chama-se a atenção para o destino que alguns super ricos dão ao dinheiro que amealharam.


Pandora papers

Pandora papers Foto: Divulgação

“Pandora Pappers”: arrebenta-se as tampas fétidas e a sujidade dessa latrina infecta respinga na cara do mundo. 

Mas prefiro tirar a Pandora dessa conversa porque sua mítica tem a ver com a força da beleza feminina e as tantas e tais artes que elas irradiam para encantar a espécie. E na caixa pandoresca a esperança permanece e pronta para nutrir utopias.

Já a “caixa” que Latrina Pappers está revelando não tem absolutamente nada que possa supor beleza e seus requisitos, entre mais, a ética e a dignidade. O que o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos – CIJI – vem dando a conhecer com esses pappers é algo tenebroso: ricos tirando seu dinheiro do país para render nos chamados “paraísos fiscais” de ilhas escondidas e longe de controles nacionais.  

Chama-se a atenção para o destino que alguns super ricos dão ao dinheiro que amealharam. Destinado por seus “donos” a encabeçar listas de ranking depreciativos desde os atos colonizatórios inaugurais, o Brasil aparece na lista suja com o segundo maior número de grandes ricos que deixam sua grana por lá, para render, fora da economia brasileira.

Não são os ricaços dos Estados Unidos do Norte ou da China, cabeças de Impérios poderosos, que deveriam liderar essa lista? Pois não lideram. A Rússia e o Brasil são campeões.

No caso do Brasil, entre outros, têm dinheiro guardado e rendendo fora, Paulo Guedes, o  chefe do Ministério encarregado de cuidar das finanças e da economia do país como um todo. Outro é Roberto Neto, o encarregado de administrar a própria chave do cofre nativo, isto é, o Banco Central brasileiro, que também define medidas sobre câmbio, taxas de juro e afins.

Esses super ricos dizem que depositam seu dinheiro fora do Brasil por que a lei brasileira permite. Esfarrapada desculpa: eles é que fazem essas leis. E nisso e em muita coisa só imitam os EUA no que não presta.     

Chama-se rentista o agiota que vive de ganhar dinheiro, de dinheiro; que vive de rendas e não de trabalho produtivo. Nas revelações da Latrina, juntos com os testas de ferro brasileiros, estão o presidente do Chile e o do Equador, dois expoentes da extrema direita das Américas.

Em que pese denunciados os tais Pappers por uma organização de jornalistas, a imprensa empresarial brasileira já operou o encobertamento do fato, porque há chefes seus também no mesmo esquema e defendem e são sustentáculos do esquema local, golpista neoliberal.

Ilustrativo como o economista José Álvaro de Lima Cardoso põe essa questão: “As denúncias do Pandora Pappers, que revela o vergonhoso envolvimento dos dois principais homens da economia brasileira, com investimentos ilegais em refúgios fiscais, deve indignar, mas não surpreender ninguém. Esses cidadãos são fruto de duas grandes ilegalidades, que foram o golpe de 2016 e a fraude eleitoral de 2018. Manter uma fortuna em refúgios fiscais, para esconder dinheiro e aumentar margens de lucro, é fichinha perto do que vem sendo feito na política econômica desde então. Os investimentos, são praticamente um aquecimento para, por exemplo, vender a Eletrobrás, a mais importante geradora de energia da América Latina, a preços de banana”.

Enquanto escrevo, vejo nota do chefe da Economia, em site alternativo, declarando nos EUA que vai vender ações da Petrobrás para distribuir o dinheiro com os pobres. De um cinismo colossal.

Mais: “As revelações [...] sobre Paulo Guedes e Roberto Campos Neto, apenas evidenciam, de novo, o que move a turma que promoveu/apoiou o golpe de 2016: falta de compromisso com o Brasil, ausência absoluta de patriotismo e subserviência desmedida ao imperialismo. Por isso, todo o desmanche do Brasil que foi realizado desde 2016 teria que ser anulado por um próximo governo democrático”.

Momentos graves vive o Brasil. Há sinais de resistência. Mas a devastação em todos os sentidos abate uma geração e o Brasil independência cada vez mais se faz quimera.    

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Sobre a coluna

Fonseca Neto

Fonseca Neto

FONSECA NETO, professor, articulista, advogado. Maranhense por natural e piauiense por querer de legítima lei. Formação acadêmica em História, Direito e Ciências Sociais. Doutorado em Políticas Públicas. Da Academia Piauiense de Letras, na Cadeira 1. Das Academias de Passagem Franca e Pastos Bons. Do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí.

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