Piauí Hoje Veículos
Sérgio Dias
27 de agosto de 2026 às 19:30 ▪ Atualizado há 1 hora
O Geely EX2 disputa um espaço que se tornou estratégico para a expansão dos automóveis elétricos no Brasil: o dos modelos compactos destinados principalmente ao uso urbano. Disponível nas versões Pro, por R$ 123.800,00 e Max, por R$ 136.800,00 o modelo oferece 289 quilômetros de autonomia pelo Inmetro, motor elétrico traseiro de 116 cv e 150 Nm e bateria de 39,4 kWh. A combinação entre dimensões externas, capacidade para cinco ocupantes e dois compartimentos para bagagem coloca o EX2 como alternativa para quem considera incorporar a eletrificação à rotina sem migrar para um veículo de maior porte. 
Nesse mercado, o EX2 encontra BYD Dolphin Mini e Dolphin, Chevrolet Spark EUV e GAC Aion UT, cada um procurando responder de maneira diferente à questão do custo e da utilização de um elétrico no Brasil. O Geely mede 4,135 metros de comprimento, 1,805 metro de largura e tem 2,650 metros de entre-eixos. O porta-malas traseiro comporta 375 litros e chega a 1.320 litros com os bancos rebatidos, enquanto um segundo compartimento, sob o capô, oferece outros 70 litros. A produção nacional no Complexo Ayrton Senna, no Paraná, acrescenta outro componente à estratégia do modelo no mercado brasileiro.
As duas versões compartilham bateria LFP, tração traseira, suspensão independente McPherson na dianteira e multilink na traseira, seis airbags e central multimídia FLYME AUTO de 14,6 polegadas. A Pro já oferece saídas de ar para o banco traseiro, freio de estacionamento eletrônico e os dois porta-malas. A Max acrescenta piloto automático adaptativo, alerta de mudança de faixa, frenagem automática de emergência, câmera panorâmica de 540 graus, ajuste elétrico do banco do motorista, carregador por indução, rodas de 16 polegadas, teto preto e conectividade com o aplicativo da Geely. 
Foi principalmente no trânsito da Região Metropolitana de São Paulo que procurei entender a proposta do EX2. Em vez de planejar uma viagem longa para testar autonomia, concentrei a avaliação nas atividades do dia a dia, exatamente onde considero que um automóvel elétrico apresenta atualmente algumas de suas principais vantagens. Também percorri trechos rodoviários, mas mantive os deslocamentos pouco acima dos 60 quilômetros, sem transformar a disponibilidade de pontos públicos de recarga em uma preocupação durante a experiência.
Na cidade, a condução elétrica simplifica uma rotina marcada por paradas, retomadas e congestionamentos. O torque disponível desde o acionamento do acelerador ajuda nas saídas, enquanto a ausência das trocas de marcha torna o deslocamento contínuo. A tração traseira é outra característica pouco comum entre os concorrentes dessa faixa de mercado. Somada à suspensão independente nas quatro rodas e ao raio de giro de 4,95 metros, ela contribui para um automóvel pensado para circular por ruas, avenidas, estacionamentos e espaços onde a capacidade de manobra tem importância prática.
Os 116 cv não transformam o EX2 em um modelo voltado ao desempenho, nem essa me parece ser sua proposta. O 0 a 100 km/h ocorre em 10,2 segundos e a velocidade máxima é de 140 km/h. Na utilização cotidiana, interessa mais a maneira como os 150 Nm estão disponíveis para acompanhar o fluxo. Os modos Eco, Comfort e Sport permitem alterar as respostas conforme a situação, enquanto o sistema de regeneração recupera energia durante desacelerações. Para o tipo de percurso que realizei, o conjunto mostrou coerência com a utilização urbana para a qual o modelo foi desenvolvido.
A autonomia homologada de 289 quilômetros também precisa ser observada sob essa perspectiva. Para quem dispõe de carregamento em casa ou no trabalho e realiza deslocamentos urbanos, a necessidade de procurar um carregador público pode diminuir consideravelmente. A bateria aceita recarga em corrente contínua de até 70 kW, permitindo passar de 30% para 80% em aproximadamente 21 minutos nas condições indicadas pela fabricante. Em corrente alternada, a potência é de 6,6 kW e a carga de 10% a 100% leva cerca de 6,5 horas.
Minha experiência também reforçou uma questão pessoal que considero importante registrar. Ainda não me sinto plenamente seguro para depender da infraestrutura pública de carregamento em viagens mais longas com um veículo elétrico. Reconheço, porém, que essa rede evoluiu e continua avançando. Não considero essa percepção uma limitação específica do EX2, mas uma variável que ainda pesa na minha decisão de viajar com qualquer elétrico. Por isso, preferi avaliá-lo dentro da Região Metropolitana, onde pude concentrar a análise no carro e não na procura pelo próximo carregador.
Essa escolha acabou evidenciando outro atributo do EX2: aproveitamento de espaço. Os 375 litros do porta-malas traseiro atendem às tarefas cotidianas, enquanto os 70 litros dianteiros criam uma segunda área para transportar objetos. Há ainda 28 litros de armazenamento sob o banco traseiro e porta-luvas em formato de gaveta com 10 litros. Para um veículo de 4,135 metros, essas soluções ajudam a aproveitar a área disponível e reforçam a proposta de utilização diária.
A tecnologia acompanha essa abordagem. A tela de 14,6 polegadas trabalha com painel digital de 8,8 polegadas e oferece Apple CarPlay e Android Auto. Na Max, versão com maior conteúdo, entram recursos de assistência que fazem diferença justamente no ambiente em que concentrei a avaliação, como piloto automático adaptativo, frenagem automática de emergência e câmera 540 graus. A Geely oferece ainda garantia de seis anos ou 150 mil quilômetros para o veículo e oito anos ou 150 mil quilômetros para a bateria. 
Ao concluir minha avaliação do Geely EX2, três pontos ficaram em evidência. O primeiro é a praticidade no ambiente urbano, onde propulsão elétrica, dimensões e raio de giro trabalham a favor do uso cotidiano. O segundo é o aproveitamento do espaço, com porta-malas traseiro de 375 litros, compartimento dianteiro de 70 litros e áreas adicionais na cabine. O terceiro é o conjunto formado por tração traseira e suspensão independente nas quatro rodas. Como ponto que pode ser melhorado, considero que uma autonomia maior ampliaria minha confiança para avançar além da utilização metropolitana e planejar viagens sem depender tanto da infraestrutura pública. Dentro da cidade, porém, foi justamente essa avaliação que me mostrou onde um elétrico como o EX2 consegue transformar suas características técnicas em vantagens percebidas no dia a dia.
Notas Rápidas, por Sérgio Dias
Citroën atualiza tecnologia e amplia gama do Aircross 2027
A Citroën apresenta o Aircross 2027 no Brasil em três versões de sete lugares, todas equipadas com motor Turbo 200 e câmbio automático CVT: Feel 7 Turbo 200 AT, por R$ 124.990; Feel Pack 7 Turbo 200 AT, por R$ 128.990; e XTR 7 Turbo 200 AT, por R$ 134.990. A nova gama recebe alterações na central multimídia, equipamentos de conveniência e opções de cores, com conteúdos específicos para cada configuração.
A central multimídia Citroën Connect Touchscreen de 10,25 polegadas concentra uma das mudanças da linha. Depois de receber bordas em preto brilhante no ano anterior, o equipamento passa a utilizar interface com fundo escurecido e ícones em tom cáqui. O sistema mantém Android Auto e Apple CarPlay sem fio, seis alto-falantes e comandos de áudio no volante.
Jaecoo 5 amplia oferta eletrificada da Omoda & Jaecoo no Brasil
A Omoda & Jaecoo apresenta o Jaecoo 5 ao público brasileiro durante o Festival Interlagos, realizado entre 27 e 30 de agosto, em São Paulo, como parte da ampliação de seu portfólio de veículos eletrificados no País. O SUV híbrido terá pré-venda iniciada em setembro e chega com sistema Super Hybrid System (SHS-H), potência combinada de 224 cv, autonomia combinada próxima de 1.000 km e proposta que também contempla o transporte de animais de estimação.
"A tecnologia SHS-H também foi desenvolvida para oferecer uma experiência de condução com características próximas às de um veículo elétrico em determinadas situações, especialmente em velocidades mais baixas", afirma Flavio Cuareli, gerente executivo de Produto e Preço da Omoda & Jaecoo Brasil. Segundo o executivo, a resposta do motor elétrico atua nas acelerações, enquanto o gerenciamento dos sistemas busca preservar a eficiência em percursos urbanos e rodoviários.
Omoda E5 evolui em potência e tecnologia para o mercado nacional
A Omoda & Jaecoo apresenta o novo Omoda E5 no Festival Interlagos, realizado entre 27 e 30 de agosto, em São Paulo, com mudanças no design, no interior e no conjunto elétrico. Presente no mercado brasileiro há pouco mais de um ano, o SUV elétrico passa a oferecer motor de até 155 kW, equivalente a 210 cv, duas opções de bateria e novos recursos de conectividade, conforto e assistência à condução.
“O Omoda E5 foi o nosso ponto de partida na mobilidade 100% elétrica no Brasil e tem papel fundamental na construção da nossa marca no País”, afirma Roger Corassa, vice-presidente executivo da Omoda & Jaecoo Brasil. Segundo o executivo, a atualização concentra mudanças em desempenho e design, mantendo tecnologia e eficiência entre os elementos que orientam a proposta do veículo.
Chevrolet Captiva PHEV terá produção no Brasil ainda em 2026
A Chevrolet produzirá o Captiva PHEV no Brasil ainda em 2026, tornando o SUV o primeiro híbrido plug-in da marca fabricado no País. A informação foi divulgada por Thomas Owsianski, presidente e diretor-geral da General Motors na América do Sul, em seu LinkedIn e coloca o modelo como o terceiro veículo a entrar em produção na Planta Automotiva do Ceará (PACE) em menos de um ano, depois do Spark EUV e do Captiva EV.
O anúncio amplia a estratégia de produção nacional da Chevrolet com diferentes tecnologias de eletrificação. A sequência formada por Spark EUV, Captiva EV e Captiva PHEV também aumenta a participação de modelos eletrificados na operação brasileira da fabricante, combinando veículos elétricos e, agora, um híbrido plug-in produzido localmente.
Hyundai traça plano para vender 5,55 milhões de carros em 2030
A Hyundai Motor definiu uma estratégia para alcançar 5,55 milhões de veículos vendidos globalmente em 2030, equivalentes a uma participação de 6% no mercado mundial, apoiada pela ampliação da produção, eletrificação e renovação do portfólio. Apresentado durante o CEO Investor Day 2026, o planejamento prevê que os veículos eletrificados representem 60% das vendas da companhia no fim da década, ante 23% em 2025, além do lançamento ou atualização de mais de 100 modelos em diferentes regiões.
“Nossos fundamentos nunca estiveram tão fortes. O Hyundai Motor Group é o terceiro maior grupo automotivo e o segundo mais rentável, o que nos dá capacidade de investir enquanto outros estão recuando”, afirma José Muñoz, presidente e CEO da Hyundai Motor Company. O executivo acrescenta que a empresa levará mais de 100 novos modelos ao mercado até 2030, com diferentes opções de motorização, e pretende elevar sua margem operacional para mais de 9%.
Caoa Chery Tiggo 7 muda design, tecnologia e parte de R$ 139.990
A Caoa Chery apresenta no Brasil o novo Tiggo 7 nas versões Sport, PRO e PHEV, ampliando a família de seu SUV com diferentes propostas de motorização e equipamentos. Conforme os preços apresentados pela marca, o Tiggo 7 Sport parte de R$ 139.990, o Tiggo 7 PRO de R$ 169.990 e o Tiggo 7 PHEV de R$ 209.990. Para Sport e PRO, os valores correspondem à condição de lançamento válida até 29 de agosto, data em que a fabricante realizará uma ação comercial nacional em sua rede.
“O Tiggo 7 é um dos maiores símbolos do sucesso da Caoa Chery no Brasil. Por isso, não queríamos simplesmente renovar seu visual”, afirma Roberto Pedrosa, diretor comercial da Caoa. Segundo o executivo, a fabricante trabalhou em diferentes áreas do veículo, incluindo design, calibração, desempenho, tecnologia, conforto e segurança.
Pneus passam a fornecer dados para decisões na gestão de frotas
A Dunlop apresentou o Sensing Core durante a edição 2026 do Frotas Conectadas, realizada na Lat.Bus, em São Paulo, para mostrar como informações geradas a partir dos pneus podem apoiar a gestão de frotas. Desenvolvida pela Sumitomo Rubber Industries, fabricante dos pneus Dunlop, a plataforma utiliza dados existentes no veículo, provenientes do sistema de freios ABS e da rede CAN, para monitorar pressão e desgaste dos pneus, distribuição de carga, condições da pista e situação do aperto das rodas, sem exigir sensores adicionais.
“O pneu está em contato direto com a estrada e, por isso, pode fornecer informações importantes sobre o que acontece entre o veículo e o pavimento”, explica Beltrão Neto, analista de produto na Dunlop Pneus. Segundo ele, a proposta do Sensing Core é transformar esses sinais em dados capazes de apoiar decisões relacionadas à segurança e à eficiência na gestão das frotas.
FPT conecta educação e indústria na formação de novos talentos
A FPT investe na formação de estudantes para aproximar educação e indústria diante da demanda por mão de obra qualificada no setor automotivo brasileiro. Por meio do EDUCAR FPT e do apoio à equipe universitária Fórmula Cefast, a empresa conecta jovens da rede pública e universitários à engenharia, aos sistemas de propulsão e às práticas industriais, em um cenário marcado pela transição energética e pela evolução tecnológica.
“A transformação da indústria passa pela tecnologia, mas também pelas pessoas. Desenvolver novas soluções é fundamental, e preparar profissionais capazes de aplicá-las é parte desse mesmo processo”, afirma Bernardo Brandão, presidente da FPT para a América Latina. Segundo o executivo, aproximar estudantes da realidade da engenharia contribui para preparar talentos para os desafios do setor e para a competitividade da indústria brasileira nos próximos anos.
Iveco Tector 27-320 conquista prêmio por valor no mercado
A Iveco conquistou o Prêmio Campeão de Revenda 2026 com o Tector 27-320, caminhão reconhecido pela Frota&Cia a partir dos índices de valorização registrados no mercado de usados. O resultado coloca o valor de revenda entre os componentes considerados durante o ciclo de vida do veículo e relaciona esse desempenho ao retorno sobre o investimento realizado pelo transportador.
“A conquista do Prêmio Campeão de Revenda pelo Tector 27-320 é motivo de grande orgulho para a Iveco. O reconhecimento reforça que nossos veículos mantêm seu valor ao longo do tempo, combinando robustez, confiabilidade e baixo custo operacional”, afirma George Carloto, diretor Comercial da Iveco. Segundo o executivo, o prêmio também representa uma confirmação da estratégia da empresa e do compromisso com a rentabilidade do cliente.
Librelato entra no ranking das 150 empresas mais inovadoras
A Librelato passou a integrar o ranking das 150 empresas mais inovadoras do Brasil ao ser reconhecida no Prêmio Valor Inovação Brasil 2026, tornando-se a única fabricante brasileira de implementos rodoviários presente na lista. A 12ª edição, promovida pela Strategy&, consultoria estratégica da PwC, e pelo Valor Econômico, com participação editorial da Época Negócios, considera critérios relacionados ao planejamento, execução, resultados e reconhecimento em inovação.
“Estar entre as empresas mais inovadoras do Brasil demonstra que inovação precisa fazer parte da estratégia e estar conectada às necessidades reais do mercado”, afirma João Librelato, Diretor Comercial e Marketing da Librelato. O executivo acrescenta que o desenvolvimento de soluções deve transformar conhecimento, engenharia e tecnologia em ganhos para o transportador, com projetos destinados às condições encontradas nas operações.
*** Texto escrito por colaborador externo. As opiniões nele contidas não refletem, necessariamente, a opinião do veículo.
Fonte: Sérgio Dias
Natural de Pernambuco, é jornalista em São Paulo, editor dos jornais Alpha Autos e BLEH!, do blog Alpha Lazer e da fanpage @CoisaVelha - que tem mais de um milhão de seguidores no Facebook e Instagram. É Top4 dos “+Admirados Jornalistas da Imprensa Automotiva 2023”, na votação promovida pelo Jornalistas&Cia Imprensa Automotiva.
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