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Hotelaria

Henrique Weaver da Oyo Brasil na Hotel News

Em Teresina o Real Palace Hotel integra a plataforma de apartamentos e suítes da rede Oyo Brasil


Henrique Weaver levantando a bandeira da hotelaria através da Oyo

Henrique Weaver levantando a bandeira da hotelaria através da Oyo Foto: Divulgação

A crise da Covid-19 atingiu o setor de hotelaria como um todo, mas os negócios não pararam para algumas redes. Esse é o caso da OYO, que fechou mais de três mil contratos globalmente em época de pandemia. Segundo o diretor geral da OYO Brasil, Henrique Weaver, o grupo indiano segue prospectando novos parceiros e recebe de maneira positiva as críticas pelo seu modelo de atuação.

Responsável pela estratégia da empresa com foco em crescimento e lucratividade, Weaver é formado em Business pela Universidade de Brasília (UNB) e tem MBA pela Universidade da Califórnia (UCLA), somando mais de 15 anos de experiência. Ele aceitou o desafio da OYO em 2019, quando a companhia iniciou sua operação no País.

Confira a entrevista abaixo:

Hotelnews: A OYO chegou agressiva em números ao País. Quantos hotéis o grupo possui no Brasil e qual é o modelo de negócio?

Henrique Weaver: A OYO é uma empresa indiana que tem hoje mais de 450 hotéis na base do Brasil após um crescimento muito expressivo no ano passado. Estamos em mais de 40 cidades do Brasil com 13 mil quartos. As maiores cidades como São Paulo e Rio de Janeiro têm grande presença, mas também cidades menores com potenciais turísticos como Gramado (RS) e Búzios (RJ), com unidades em praticamente em todos os Estados. Somos a maior rede em número de hotéis no País. Em geral, fechamos parcerias com hotéis independentes e oferecemos ferramentas para que eles obtenham melhores resultados financeiros.

Disponibilizamos uma plataforma de soluções com algoritmos de precificação inteligente, equipe de especialistas para transformação do hotel com engenheiros, arquitetos e designers, envolvendo branding, e gestão de canais de vendas, desde as OTAs aos canais próprios – que são o aplicativo, call center e site, responsáveis por quase 20% de todas as reservas. E na questão da fidelidade, o programa OYO Wizard deve ser lançado no Brasil em 2021.

Em mercados maduros na OYO, como a Índia, 70% de todas as receitas são recorrentes, ou seja, de clientes que usam a OYO da segunda vez em diante. Trazemos ainda a força de uma marca internacional com projeção para o hoteleiro independente. Nosso levantamento inclui o endereço do hotel, capacidade de geração de demanda e a nossa capacidade de agregar valor ao empreendimento.

Essa análise de dados norteia a nossa prospecção. E criamos ainda o site sejaparceirooyo.com para iniciar as conversas. A tendência é que essa primeira abordagem, de forma online, seja ainda maior. Somos uma empresa inovadora e disruptiva, por isso esse motivo recebemos críticas. Estamos empolgados em ver o impacto que já criamos e que ainda vamos criar no mercado, sempre com muita ética e transparência. Nosso contrato é muito claro e agregamos valor aos empreendimentos.

HN: Quais são as vantagens de ser parceiro da OYO?

HW: O ponto principal é que os hoteleiros têm melhores resultados financeiros depois da parceria. Em muitos casos dobramos a ocupação e receita de cada hotel e o resultado, mesmo depois deles pagarem as nossas taxas, eles conseguem resultados melhores que antes. Ou seja, melhora o Revpar de maneira geral. Somos amparados em análise de dados e tecnologia para saber quanto cobrar e em que momento cobrar a tarifa certa. É uma suíte de benefícios.

HN: Qual é o padrão dos hotéis do portfólio?

HW: Temos hotéis de várias categorias e, no País, operamos três bandeiras: a OYO, já consolidada no segmento econômico, e agora em fase de testes com a Hotel O, super econômica, e a Capital O, a mais premium. Cada uma das marcas tem um padrão de como o hotel deve ser, desde elementos como a quantidade de fios do lençol ao tamanho do colchão, TV e ar-condicionado. O A&B fica mais a cargo do hotel e não entramos tanto nessa área.

Sempre realizamos uma inspeção para saber qual é a condição do hotel e recomendar a marca mais adequada. Em alguns casos fazemos investimento financeiro para que o negócio possa se adequar, mas depende de cada caso.

Trabalhamos apenas com conversão e não temos hotéis completamente operados pela OYO, mas sim pelo proprietário, que continua sendo dono do hotel. Mantemos a essência de cada unidade. Não importa se é um hotel ou pousada, desde que tenha padrões de qualidade que o tornarão elegíveis. Em termos de marca, não mudamos o nome do hotel, mas sim acrescentemos o nome OYO na frente.

HN: Com a pandemia de coronavírus, qual é a situação da OYO ao redor do mundo e também aqui no País?

HW: Criamos um comitê de crise e tomamos uma série de medidas para garantir o nosso futuro e dos hoteleiros. Cortamos gastos não essenciais de marketing e do escritório, e desligamos uma quantidade substancial de funcionários em abril, o que foi muito difícil. Reduzimos em até 50% a taxa dos parceiros para ajudá-los no fluxo de caixa, fornecemos treinamentos para os funcionários sobre como realizar trabalho remoto e ainda lançamos o programa OYO de Quartos Abertos, onde fornecemos hospedagem de graça para médicos e outros funcionários da saúde, ultrapassando mais de mil noites.

Desde junho focamos no programa de higiene e segurança chamado Limpeza Certificada, onde reunimos as melhores práticas. Existe um processo de certificação e auditoria com um selo para identificar que o hotel segue padrões rigorosos de limpeza. A auditoria é feita de maneira 100% remota, começando com uma prova teórica e depois uma inspeção fotográfica dos ambientes, que checa a disponibilidade de álcool gel, cartazes, entre outros detalhes.

***

Já notamos que o Revpar é mais que o dobro nos hotéis que aderem aos protocolos. Isso prova que o hóspede busca locais com as melhores práticas neste sentido e vamos buscar parceiros para aumentar a quantidade de hotéis certificados. Em outros países, os hotéis da OYO tiveram uma volta muito mais rápida. No Brasil, temos agora 20% em média de ocupação, indicador 270% acima da média de mercado de acordo com números que coletamos de OTAs há um mês.

HN: Com as dificuldades financeiras do setor na crise, a OYO lançou uma parceria com a Creditas para linhas de crédito. De que maneira é possível conseguir essa ajuda?

HW: Desenhamos essa parceria para garantir que os hotéis da rede tenham recursos para manter fluxo de caixa e capital de giro, normalmente utilizado em manutenções, débitos pendentes e pequenas reformas. São linhas de R$ 5 mil a R$ 3 milhões com carência de até 6 meses. É uma super ajuda. A diferença é que as taxas são menores para membros da OYO.

A análise de crédito é muito parecida para os não parceiros OYO, mas escolhemos a empresa por eles terem um processo simplificado. É preciso deixar de garantia algum bem, seja carro ou imóvel (que podem ser pessoais). Acredito que é a forma mais fácil e prática de se conseguir crédito, com taxas convidativas.

HN: Vocês acreditam que haverá oportunidade de mais hotéis fecharem parcerias com a OYO no pós-crise?

HW: De maio a junho tivemos mais de 3 mil contratos fechados globalmente. Ficamos surpresos em ver o interesse e a procura de hotéis pela OYO. Nossa equipe de parcerias continua atuando e tivemos muito mais procura reativa, de pessoas que vieram nos procurar, por verem em nós um parceiro para ajudar a passar pela crise de maneira mais saudável.

Da Revista Hotel News

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Sobre a coluna

Fábio Teles

Fábio Teles

Fábio Teles é jornalista. Escreveu nos jornais A Folha do Litoral, Correio do Piauí, Diário do Povo, O Dia e Meio Norte. Trabalhou também na TV Timon, TV MN, Rádios Igaraçu de Parnaíba e Jockey FM. Foi responsável por blogs em vários portais. Retrata a sociedade em sua forma multimídia. FACEBOOK fabiotelesjornalista TWITTER @fabioteles_ INSTAGRAM @pluralagenciadecomunicacao WHATSAPP 86 99903.5941 EMAIL fabioteles@yahoo.com.br

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