Blog do Brandão

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OBRA MAL FEITA

Sem drenagem, Avenida Poti Velho, na zona norte de Teresina, vira um rio a cada chuva

Inaugurada em 2017, obra não possui sistema de escoamento. Com as fortes chuvas que atingem a capital via de 5,6 km se torna intransitável

Por Luiz Brandão

Quarta - 15/04/2026 às 00:03



Foto: Luiz Brandão Avenida Poti Velho depois de uma chuva rápida
Avenida Poti Velho depois de uma chuva rápida

TERESINA - O período chuvoso na capital piauiense, que se intensificou a partir de março, trouxe de volta um velho pesadelo para quem vive ou transita pela zona Norte. Mais uma vez, a Avenida Poti Velho, uma das principais vias de ligação da região, a cada chuva, se transforma em um verdadeiro "rio", deixando um rastro de transtornos e prejuízos para motoristas, pedestres e, principalmente, motociclistas.

O problema não é novo. A via de 5,6 quilômetros de extensão, que começa no lado norte da Ponte Mariano Gayoso Castello Branco e vai até as proximidades do povoado São Domingos, na região da Santa Maria da Codipi, foi entregue à população em 26 de agosto de 2017. Na época, o saudoso prefeito Firmino Filho (PSDB) inaugurou a obra com um passeio ciclístico em comemoração aos 165 anos de Teresina. No entanto, o que era para ser um marco de desenvolvimento tornou-se um exemplo clássico de obra mal planejada.

A principal queixa de quem usa a via diariamente é a falta de um sistema básico de drenagem. Quem construiu a avenida "esqueceu" de instalar bueiros, galerias pluviais ou esgotos laterais que dessem vazão às águas da chuva. O resultado é previsível e trágico: a qualquer chuva de maior volume, quase toda a extensão do asfalto desaparece sob uma lâmina d'água.

"Só Deus sabe o medo que passa"

Para os motociclistas, a situação é ainda mais crítica. Além do risco de aquaplanagem, a força da correnteza esconde a verdadeira face do asfalto que já tem parte degradado. Com a água, surgem buracos e desníveis que se tornam armadilhas fatais, causando quedas e acidentes graves que se repetem todos os anos.

“A gente fica com medo de cair nesses buracos que a água esconde. É muito transtorno para quem usa essa via todos os dias para trabalhar e levar os filhos para a escola. Quando chove, o desespero toma conta”, relata o motociclista e morador da região, Carlos Antônio Costa. Ele é pedreiro e todos os dias passa naquela avenida para ir e voltar do trabalho no bairro Aeroporto, também na zona norte da cidade.

A situação precária da Avenida Poti Velho não é novidade. Dados oficiais de março de 2026 mostram que a região está no mapa da vulnerabilidade da capital. Um levantamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e do Ministério das Cidades aponta que Teresina possui 167 áreas de risco geo-hidrológico, onde vivem cerca de 28 mil pessoas expostas a alagamentos.

Apesar do diagnóstico e da recorrência histórica do problema, a Prefeitura de Teresina, na gestão do prefeito Sílvio Mendes, ainda não apresentou um projeto definitivo para solucionar a drenagem da avenida. Enquanto isso, o discurso oficial aponta para investimentos vultosos em outras regiões. O orçamento de 2026 prevê cerca de R$ 400 milhões em obras de mobilidade e drenagem, com destaque para as galerias do Torquato Neto (R$ 36 milhões) e São Pedro (R$ 35 milhões), mas sem menção ao problema de escoamento da Avenida Poti Velho.

Enquanto as soluções não chegam, a população segue refém do tempo. Nos últimos dias, com as fortes chuvas que caíram sobre Teresina, a cena se repetiu: a avenida virou rio, o trânsito parou e o medo voltou. A expectativa é que, após quase uma década da inauguração, as autoridades acordem para a realidade de que uma obra sem planejamento de drenagem não é uma avenida completa: é um perigo iminente.

Luiz Brandão

Luiz Brandão

Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há 40 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Também foi colunista do Jornal Meio Norte. Atualmente é diretor de jornalismo e colunista do portal www.piauihoje.com.
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