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MANDANDO BEM

“Interpi não faz reforma agrária, entrega documento a quem já tem a posse”, diz secretário

Em entrevista ao podcast Mandando Bem, Rodrigo Cavalcante faz balanço robusto da regularização fundiária no Piauí, anuncia uso de Inteligência Artificial e projeta ações integradas que vão da agricultura familiar aos grandes produtores de soja

Da Redação

25 de maio de 2026 às 18:58 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • Rodrigo Cavalcante, diretor do Interpi, compartilhou um balanço das ações do órgão no podcast Mandando Bem.
  • O Interpi foca na entrega de documentos de posse e não na reforma agrária.
  • Desde a Lei Estadual de Regularização Fundiária de 2019, o Piauí se destacou nacionalmente e economicamente.
  • O programa "Essa Terra Agora é Minha" utiliza IA para acelerar processos de regularização.
  • Piloto do programa em Água Branca já cadastrou mil propriedades.
  • O Interpi suporta políticas públicas ao mapear necessidades sociais nas áreas rurais e urbanas.
  • O Piauí avançou na titulação de territórios tradicionais, ganhando reconhecimento internacional.
  • Regularização fundiária beneficia tanto comunidades tradicionais quanto o agronegócio.
  • Rodrigo Cavalcante apoia reeleição do governador Rafael Fonteles e do presidente Lula em 2026.
  • Cavalcante destaca a evolução e reconhecimento técnico do Piauí em diversas áreas governamentais.

Entrevista em podcast mandando bem
Entrevista em podcast mandando bem

O diretor-geral do Instituto de Terras do Piauí (Interpi), Rodrigo Cavalcante, participou de uma entrevista no podcast Mandando Bem, conduzido por Willian Guimarães. Na sabatina, o gestor apresentou um balanço técnico das ações da autarquia, consolidando o estado como referência nacional em governança de terras.

Cavalcante fez questão de delimitar o papel institucional do órgão. “O Interpi não faz reforma agrária, a gente não entrega terra para quem não tem terra. A gente entrega documento para quem já tem a posse de sua terra”, pontuou. 

Com a segurança jurídica garantida pela Lei Estadual de Regularização Fundiária de 2019, o impacto econômico disparou. O diretor destacou que mais de 80 mil piauienses já foram beneficiados diretamente e apontou o efeito multiplicador do investimento: “Existem estudos que chegam a dizer que R$ 1 investido em regularização fundiária projeta mais de R$ 10 na economia, pela valorização do imóvel e pelo acesso ao crédito”.

Inovação com IA e o programa "Essa Terra Agora é Minha"

A grande aposta da gestão para acelerar os processos em 2026 é o programa "Essa Terra Agora é Minha", classificado por Cavalcante como uma revolução metodológica na estrutura do Interpi. Diferente do modelo tradicional, onde os técnicos agiam apenas sob demanda, o instituto agora realiza uma varredura completa na zona rural dos municípios utilizando tecnologias de ponta.

“O Interpi agora não vai apenas atuar sob demanda (...), mas ele vai fazer varredura em toda a zona rural do município e fazendo isso com muita maturidade, com muita inteligência, fazendo uso de, produzindo mapas com, acessando bases espaciais públicas de outros órgãos federais, estaduais, usando inteligência artificial”, explicou o diretor.

O projeto piloto foi implantado na cidade de Água Branca e já contabiliza mais de mil cadastros em sua fase final de operação. A meta do governo estadual é atingir municípios com 100% de suas áreas rurais e urbanas completamente regularizadas. Além do ganho de velocidade jurídica, Cavalcante ressaltou que o mapeamento detalhado das propriedades gera um banco de dados social valioso, identificando demandas por água, energia, calçamento e postos de saúde, o que transforma o Interpi em uma ferramenta crucial para o planejamento de políticas públicas de outras secretarias e prefeituras parceiras.

Da reparação histórica à consolidação do Piauí como potência do Cerrado

A atuação do Interpi equilibra-se entre o resgate social de populações vulneráveis e o diálogo com o mercado produtivo. No campo social, o Piauí saltou de 15 territórios tradicionais protegidos até 2022 para mais de 50 áreas tituladas coletivamente hoje. Esse modelo, que atende quilombolas e quebradeiras de coco babaçu com títulos associativos indivisíveis e inalienáveis, virou vitrine internacional para o Banco Mundial.

Cavalcante relembrou de forma emocionante a entrega de títulos na comunidade Mimbó, em Amarante. “As pessoas vivem ali há mais de 200 anos. Você imagina o que é, 200 anos depois, receber o documento da terra em que você vive?”, indagou.

Por outro lado, o gestor celebrou a forte aceitação da autarquia junto aos grandes produtores da região Sul do estado, marcando presença em feiras de grande porte como a ExpoSoja em Uruçuí. O diretor reforçou que a regularização fundiária beneficia o agronegócio ao delimitar áreas com exatidão e permitir que os produtores acessem linhas de financiamento de grande porte e avancem no licenciamento ambiental de forma regular.

“Os produtores do Cerrado piauiense já estão fazendo conta sobre a redução de custo do transporte do grão por meio de hidrovia, para ser exportado pelo Porto de Luís Correia. (...) É óbvio que o nosso governo tem uma visão social muito importante, que protege o meio ambiente, o trabalhador e as comunidades tradicionais, mas o discurso do desenvolvimento é o de desenvolver o Piauí sem deixar ninguém para trás”, argumentou o secretário.

Sola de sapato, dados e as projeções políticas para as eleições de 2026

No bloco final do programa, a pauta política e o cenário de pré-campanha eleitoral para o pleito de 2026 ganharam destaque. Servidor público federal de carreira desde 2009, Rodrigo Cavalcante relembrou que a capacidade técnica do piauiense costumava ser vista com desconfiança em Brasília no passado, um estigma completamente desconstruído pelas atuais taxas de inovação e entrega do governo local em pastas como saúde, segurança e infraestrutura.

Visando as próximas eleições, o diretor-geral do Interpi cravou que trabalhará ativamente e "de mangas arregaçadas" pela reeleição do governador Rafael Fonteles (PT) e do presidente Lula. 

Cavalcante traçou um paralelo comparativo com o último pleito e destacou que o atual grupo político possui uma vantagem competitiva nítida em relação ao cenário passado. “Em 2022, o Rafael era secretário de Fazenda, uma pasta técnica, e uma grande fatia da população não sabia quem ele era. Essa eleição é diferente. É de muito trabalho também, muita sola de sapato, mas é muito mais confortável. Antes você era uma aposta, hoje você é realidade. A gente tem orgulho, tem números e tem resultados para apresentar”, concluiu o gestor, reafirmando que o desenvolvimento do Piauí passa, inevitavelmente, pelo fortalecimento da sua governança de terras.

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