Saúde

SETEMBRO AMARELO

Redes sociais podem ampliar risco de contágio suicida, aponta pesquisadores

Estudo publicado na Revista Nursing analisa o chamado Efeito Werther e mostra como a comunicação em tempo real pode influenciar pessoas vulneráveis

Da Redação

11 de setembro de 2026 às 16:50 ▪ Atualizado há 54 minutos

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  • O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio enfatiza a importância de tratar o tema de forma responsável.
  • Em 2026, a campanha "Mudar a narrativa sobre o suicídio" visa iniciar diálogos abertos e acolhedores.
  • O "Efeito Werther" refere-se ao aumento de comportamentos suicidas devido a relatos inadequados nas mídias, exacerbado pelas redes sociais.
  • Conteúdos prejudiciais podem ser replicados, enquanto os algoritmos direcionam usuários vulneráveis para mais informações sobre o tema.
  • O "Efeito Papageno" sugere que comunicações positivas sobre superação podem ajudar na prevenção.
  • A prevenção depende de um esforço conjunto de profissionais, plataformas e sociedade para mitigar conteúdos nocivos e promover a busca por ajuda.
  • A OMS aponta que o suicídio é prevenível e a campanha global incentiva conversas para combater o estigma.
  • No Brasil, serviços como o CVV oferecem apoio contínuo e gratuito para pessoas em crise.

Redes Sociais Setembro Amarelo
Setembro Amarelo

O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, celebrado nesta quinta-feira (10), chamou atenção para a importância de falar sobre o tema de forma responsável e acolhedora. A data, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), integra as ações de prevenção realizadas durante o Setembro Amarelo. Em 2026, a campanha internacional mantém como tema “Mudar a narrativa sobre o suicídio”, com o chamado para iniciar a conversa sobre o assunto.

Um dos desafios atuais está justamente na forma como informações sobre suicídio circulam na internet. Uma revisão publicada recentemente na Revista Nursing analisa como as redes sociais e as comunicações em tempo real podem contribuir para o chamado contágio suicida, também conhecido como Efeito Werther.

O artigo “Contágio Suicida (efeito Werther) na Era das Comunicações em Tempo Real” é assinado pelas médicas Amanda Torres Talim, Fiama Jéssica Francieli Cardoso Rapette e Henrique Lima Rufeisen. O trabalho foi publicado em 27 de agosto de 2026 e discute estudos sobre a relação entre a exposição a conteúdos digitais relacionados ao suicídio e comportamentos autolesivos.

Como funciona o chamado Efeito Werther

Segundo os autores, o Efeito Werther descreve o aumento de comportamentos autolesivos associado à exposição a relatos de suicídio. O fenômeno foi inicialmente observado no contexto da mídia tradicional, mas ganhou novas características com a chegada das redes sociais.

A diferença está principalmente na velocidade e no alcance das informações. Na internet, uma publicação pode ser compartilhada rapidamente e permanecer circulando mesmo depois de o acontecimento original ter passado.

O estudo aponta que conteúdos que apresentam o suicídio de maneira inadequada, romantizada ou com informações que podem ser prejudiciais podem ser replicados por usuários e permanecer nas redes por mais tempo. A interação entre comentários, compartilhamentos e comunidades virtuais também pode reforçar sentimentos de identificação e pertencimento em pessoas que já estejam passando por sofrimento emocional.

Para os pesquisadores, outro fator de preocupação são os sistemas de recomendação das plataformas. A revisão discute a possibilidade de usuários vulneráveis serem direcionados para conteúdos semelhantes, formando ambientes digitais em que o sofrimento pode ser reforçado.

Redes sociais também podem ajudar na prevenção

O estudo, no entanto, destaca que a internet não precisa ser apenas um fator de risco. As mesmas ferramentas podem ser utilizadas para oferecer informação, acolhimento e orientação para buscar ajuda.

É nesse contexto que os autores apresentam o chamado Efeito Papageno, associado à divulgação de histórias de superação, busca de ajuda e alternativas diante de situações de sofrimento. A comunicação responsável pode, portanto, funcionar como uma ferramenta de proteção.

A revisão defende que profissionais de saúde, pesquisadores, plataformas digitais e sociedade precisam atuar conjuntamente para reduzir a circulação de conteúdos prejudiciais e ampliar a presença de informações que estimulem a procura por ajuda.

A discussão também reforça a importância de a população saber identificar e denunciar conteúdos potencialmente perigosos. Para os autores, a educação para o uso responsável das redes deve fazer parte das estratégias de prevenção.

Prevenção exige conversa e acolhimento

A OMS destaca que o suicídio é um importante problema de saúde pública, mas pode ser prevenido. Em 2026, a campanha mundial chega ao último ano do tema iniciado em 2024: “Mudar a narrativa sobre o suicídio”, com a proposta de combater o silêncio e o estigma e estimular conversas abertas e acolhedoras.

No Brasil, o Ministério da Saúde também destaca que o suicídio é um fenômeno complexo e que sinais de alerta não devem ser analisados isoladamente. A orientação é buscar ajuda profissional diante de situações de sofrimento.

Quem estiver passando por uma crise ou tiver preocupação com alguém próximo pode procurar serviços de saúde, como CAPS e unidades básicas de saúde, além de serviços de urgência. O CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.

A principal mensagem do Setembro Amarelo, portanto, não é evitar falar sobre suicídio, mas aprender a falar sobre o assunto de maneira responsável, sem julgamento e sem transformar o sofrimento em espetáculo. Na era das redes sociais, a comunicação pode contribuir para o risco, mas também pode ser parte importante da prevenção.

Leia o artigo completo:

Contagio-Suicida-efeito-Werther-na-Era-das-Comunicacoes-em-Tempo-Real.pdf