Política

CAMPANHA ELEITORAL

TRE-PI mantém uso de “Julinho do Lula” por Júlio César na propaganda eleitoral

Juiz rejeitou pedido para suspender a expressão e considerou público e notório o apoio de Lula à candidatura de Júlio César

Da Redação

31 de agosto de 2026 às 15:27 ▪ Atualizado há 47 minutos

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  • O TRE-PI decidiu manter, por enquanto, o uso da expressão “Julinho do Lula” pelo candidato Júlio César de Carvalho Lima.
  • A coligação “A Força da Fé” tentou proibir o uso, alegando possível indução do eleitor sobre apoio de Lula.
  • O juiz Rodrigo Pinheiro do Nascimento não encontrou razões para retirar as expressões, considerando o apoio público de Lula.
  • O juiz também descartou uso de inteligência artificial indevido em materiais de campanha.
  • Júlio César pode continuar usando as expressões enquanto o caso está sob análise.
  • A situação faz parte das movimentações políticas para as eleições de 2026 no Piauí.

Reprodução Candidato ao senado Júlio César e presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Candidato ao senado Júlio César e presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI) decidiu manter, por enquanto, a utilização da expressão “Julinho do Lula” pelo candidato ao Senado Júlio César de Carvalho Lima durante a campanha eleitoral de 2026. O pedido para impedir o uso do nome havia sido apresentado pela coligação “A Força da Fé”, formada por Avante e Novo, e por Wallace Rodrigues de Holanda Miranda.

A decisão foi assinada pelo juiz Rodrigo Pinheiro do Nascimento, da Comissão de Propaganda 2026, que analisou um pedido de tutela de urgência para retirar da campanha expressões como “Julinho do Lula”, “Julim de Lula” e “Julim do Lula”.

Os autores da representação argumentaram que a estratégia poderia induzir os eleitores a acreditar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoiaria a candidatura de Júlio César, caso esse apoio não existisse. As expressões foram identificadas em materiais de campanha, incluindo publicações em redes sociais, jingles, peças impressas e propaganda eleitoral gratuita.

Juiz considera apoio de Lula à candidatura

Ao analisar o pedido, o magistrado entendeu que não havia, neste momento, elementos suficientes para determinar a retirada das expressões da campanha.

Um dos principais argumentos considerados na decisão foi a existência de apoio de Lula à candidatura de Júlio César, apontado pelo juiz como fato público e notório. A decisão também menciona o posicionamento do Partido dos Trabalhadores (PT) em âmbito nacional e a aliança formada entre PT e PSD no Piauí.

Diante desse cenário, o magistrado avaliou que o uso da expressão não caracteriza, nesta fase, uma tentativa de criar uma falsa associação entre o candidato e o presidente da República.

“Não há que se falar em falseamento da realidade para induzir o eleitor a erro”, afirmou o juiz.

A decisão, no entanto, trata apenas do pedido de urgência apresentado no processo. Com isso, a possibilidade de utilização do nome permanece enquanto a representação segue em análise pela Justiça Eleitoral.

Pedido também questionava uso de inteligência artificial

A representação apresentada ao TRE-PI também levantou questionamentos sobre o possível uso irregular de inteligência artificial em peças da campanha.

Nesse ponto, o juiz não identificou, no material analisado, indícios de alteração artificial da voz ou dos movimentos faciais de terceiros com o objetivo de simular declarações.

Conforme a decisão, os conteúdos apresentados no processo podem ser identificados como peças de marketing político e possuem indicação sobre a utilização de elementos digitais sintéticos.

Assim, também não houve determinação para retirada dos conteúdos com base nessa alegação.

Expressão continua liberada na campanha

Com o indeferimento da tutela de urgência, Júlio César poderá continuar utilizando, neste momento, as expressões “Julinho do Lula”, “Julim de Lula” e “Julim do Lula” em sua campanha eleitoral.

A decisão foi tomada em caráter inicial, após a análise do pedido apresentado à Justiça Eleitoral, e não representa necessariamente o encerramento da discussão sobre o assunto.

A disputa envolve o uso do nome do presidente Lula associado à campanha de Júlio César e ocorre em meio à articulação das chapas que disputarão as eleições de 2026 no Piauí.