
Depois de entregar a função de gestora na Secretaria da Assistência Social, a ex-governadora Regina Sousa já sabia o que queria fazer. Seu plano é reunir pessoas dispostas a contribuir com a melhoria da qualidade de vida no Piauí. "Para mim, a política ativa encerrou. Quero trabalhar com o que muda a vida das pessoas sem a burocracia do governo", explicou durante entrevista ao podcast Piauí Hoje, comandado pelos jornalistas Luiz Brandão e Roberto John.
Ela esclarece que não pretende criar ONG nem nada institucional. "Vou juntar pessoas dispostas a ajudar onde o Estado não chega. Já tenho voluntários que topam dar aula de informática em bibliotecas comunitárias ou atividades físicas para crianças", adiantou.
Na Vila Bandeirante, por exemplo, Regina identificou uma necessidade concreta: "Lá tem computadores novos, mas ninguém para ensinar. Vou conseguir um professor duas vezes por semana. E uma mãe que seja educadora física pode fazer uma roda de dança. Vai ser assim: identifico a necessidade e busco quem resolva".
A ex-governadora disse que a experiência na SASC mostrou os limites da gestão pública. "Mesmo reformando 17 casas de acolhimento, a gente esbarrava em falta de verba e em muita papelada. Agora, vou direto à ponta, como fazia nos tempos de sindicato". Durante sua gestão, priorizou a dignidade mesmo com orçamento apertado, reformando abrigos para crianças e idosos.
Seu modelo se inspira em iniciativas como a Casa de Ester, comunidade terapêutica para jovens: "Voluntariado é doar tempo e o Piauí tem gente solidária". O governador Rafael Fonteles, ao homenageá-la na despedida, destacou justamente sua "capacidade de transformar realidades".
Na visão da ex-governadora, o assistencialismo puro não resolve problemas estruturais. Seu foco será em capacitação e soluções sustentáveis. "Não quero distribuir cesta básica para ganhar voto. Quero ensinar a pescar, não dar o peixe", destacou
Assista à entrevista completa