Política

RELIGIÃO

Pesquisa revela que 81% dos brasileiros querem candidato que creia em Deus

Estudo destaca maior demanda por crença religiosa entre eleitores de baixa renda no Brasil.

Teresinha Ferreira

20 de agosto de 2026 às 10:31 ▪ Atualizado há 5 horas

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  • 81% dos brasileiros acham importante que candidatos a cargos eletivos acreditem em Deus.
  • Esse sentimento é mais forte entre pessoas de baixa renda, alcançando 89% entre os que ganham até um salário mínimo.
  • Apenas 56% confiam na Igreja Católica, a instituição religiosa mais confiável na pesquisa.
  • 54% dos brasileiros acham que o Estado não deveria ser laico, refletindo confusão sobre separação entre igreja e Estado.
  • A extrema direita no Brasil utiliza valores religiosos em discursos políticos.
  • 70% dos políticos do Rio de Janeiro acreditam ou dizem acreditar em teorias conspiratórias sobre o ensino nas escolas.
  • Há uma ligação entre ser evangélico e a tendência de votar na extrema direita, de acordo com o cientista político Lucio Rennó.

Agência Brasil Brasileiros querem candidato que creia em Deus
Brasileiros querem candidato que creia em Deus

Uma pesquisa do Laboratório de Estudos Socioantropológicos em Política, Arte e Religião (LePar), da UFF, indica que 81% dos brasileiros consideram fundamental que candidatos a cargos eletivos acreditem em Deus. Este sentimento é mais intenso entre as classes mais pobres, chegando a 89% entre aqueles com renda de até um salário mínimo.

Os dados foram apresentados durante o 1º Congresso Internacional e Multidisciplinar sobre Sociedade na UFRJ. Para a socióloga Christina Vital, da UFF, isso não se traduz em confiança nas instituições religiosas, apesar da alta valorização de Deus no cotidiano.

O estudo mostrou que apenas 56% dos entrevistados confiam na Igreja Católica, a instituição religiosa mais confiável segundo a pesquisa, seguida pelas igrejas protestantes, com 51%. A confiança nos centros kardecistas é menor, com 19%.

Além disso, 54% dos brasileiros acreditam que o Estado não deveria ser laico, refletindo uma confusão sobre a separação entre religião e Estado, conforme Vital.

Michel Gherman, do Observatório das Crises das Democracias das Américas da UFRJ, aponta que a extrema direita no Brasil tem usado valores religiosos para promover uma visão de retorno a tempos sagrados, destacando que 70% dos políticos no Rio de Janeiro acreditam ou dizem acreditar em teorias de conspiração moral progressista nas escolas.

O cientista político Lucio Rennó, da UnB, observa que há uma relação entre ser evangélico e tendências de voto na extrema direita, sugerindo uma identificação entre eleitores e candidatos que compartilham suas crenças.

Fonte: Agência Brasil