Política

CASO MASTER

Nikolas chama Vorcaro de “lindão” e banqueiro diz ter pago todos os voos do deputado

Áudios e mensagens revelam proximidade entre o deputado federal Nikolas Ferreira e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro

Da Redação

03 de setembro de 2026 às 10:26 ▪ Atualizado há 16 minutos

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  • Conversas e áudios revelam a relação entre o deputado Nikolas Ferreira e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
  • Nikolas pede ajuda a Vorcaro para tratar de um ativo minerário ligado a seu advogado, Thiago Rodrigues de Faria.
  • As mensagens mostram um tom informal entre Nikolas e Vorcaro, chamando-se por apelidos carinhosos.
  • Em 2022, Vorcaro teria financiado voos de Nikolas durante a campanha eleitoral.
  • Em 2024, houve um desentendimento por críticas de Nikolas a um evento financiado pelo Banco Master, mas depois ele pediu desculpas.
  • Thiago Faria, advogado de Nikolas, aparece em uma investigação sobre mineração ilegal em Minas Gerais.
  • Faria nega irregularidades e minimiza o envolvimento no caso relatado.
  • As mensagens analisadas revelam uma relação próxima entre Nikolas e Vorcaro, com favores e cobranças mútuas.

Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados / Reprodução Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro
Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro

Áudios e mensagens revela detalhes da relação entre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em uma das conversas, o parlamentar pede ao empresário ajuda para tratar de um “ativo minerário” ligado ao seu advogado e ex-assessor Thiago Rodrigues de Faria. Na mesma mensagem, enviada em março de 2025, Nikolas chama Vorcaro de “Dani” e “lindão” e afirma que gostaria de ter mais proximidade com o banqueiro.

Ouça o áudio:

O contato ocorreu em 30 de março de 2025, um domingo. No áudio, Nikolas explica que havia sido procurado por Thiago Faria, que mencionara o nome de Vorcaro em relação a um negócio envolvendo mineração.

“Ei Dani, tudo bom? Como você está? Como estão as coisas aí?”, começa o deputado.

Na sequência, Nikolas diz que o advogado é seu “amigo” e “irmão” e explica que Faria teria um ativo minerário que já havia passado por uma avaliação técnica e estaria pendente dentro da empresa.

O deputado afirma que não sabia exatamente do que se tratava, mas que poderia fazer a ponte entre os dois.

“Eu posso dar um toque nele”, diz Nikolas no áudio.

O parlamentar então oferece o contato de Thiago Faria para que o banqueiro pudesse avaliar o negócio e, caso tivesse interesse, conversar diretamente com o advogado.

Minutos depois, Vorcaro responde a Nikolas com um áudio de visualização única. Na sequência, o deputado agradece e envia o contato de Faria. O banqueiro responde: “Amém irmão. Estamos na guerra juntos”.

A conversa segue em tom informal. Nikolas diz que vai “dar banho na pequena” e, em seguida, afirma que no dia seguinte estaria de volta “pra guerra”. Vorcaro encerra a troca pedindo que Thiago entre em contato com ele.

No dia 1º de abril, Nikolas avisa que Thiago estaria em Brasília e que poderia encontrá-lo “qualquer horário”. No dia seguinte, Vorcaro responde: “Deixa comigo”.

As mensagens, no entanto, não permitem concluir se o banqueiro efetivamente tomou alguma providência para ajudar no negócio apresentado pelo advogado do deputado.

Relação já vinha de 2022

A proximidade entre Nikolas e Vorcaro também aparece em conversas relacionadas aos voos utilizados pelo deputado durante a campanha eleitoral de 2022.

Em uma troca de mensagens com o empresário Flávio Carneiro, em abril de 2024, Daniel Vorcaro afirma que teria bancado os voos de Nikolas Ferreira.

“Esse Nikolas eu banquei todos os voos dele”, escreveu o banqueiro.

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Na mesma conversa, Vorcaro ainda afirma que poderia tornar a informação pública. A mensagem ocorre em meio a reclamações sobre publicações feitas pelo deputado e críticas relacionadas à participação de autoridades brasileiras em um evento realizado em Londres.

Não fica esclarecido, nas mensagens apresentadas, quantos voos teriam sido pagos por Vorcaro nem durante qual período.

Durante o segundo turno das eleições de 2022, Nikolas Ferreira utilizou um jato ligado a Daniel Vorcaro em uma série de viagens de campanha em apoio ao então candidato à Presidência Jair Bolsonaro. Na ocasião, o deputado percorreu nove estados e o Distrito Federal em aproximadamente dez dias.

À época, segundo informações já divulgadas sobre o caso, Nikolas afirmou que não sabia inicialmente quem era o proprietário da aeronave e que só posteriormente teria descoberto que o avião pertencia a Vorcaro.

Cobranças e pedido de desculpas

A relação entre os dois também aparece em conversas envolvendo publicações feitas por Nikolas em abril de 2024. O deputado havia criticado um evento realizado em Londres que contou com a participação de ministros do STF, STJ e TSE.

Posteriormente, foi divulgado que o Banco Master havia financiado o evento.

As críticas provocaram reação de Vorcaro. Em conversas com pessoas próximas, o banqueiro demonstrou insatisfação com as publicações do deputado.

Um ano depois, no áudio enviado em março de 2025, Nikolas retoma o episódio e pede desculpas ao banqueiro.

O deputado afirma que havia conversado com o pastor André Valadão sobre a publicação e que, caso soubesse que o Banco Master estava envolvido no evento, teria procurado Vorcaro antes de fazer as críticas.

“Eu não fazia ideia que era este o Banco do Dani”, afirma Nikolas, ao relatar a conversa com Valadão.

O deputado reconhece que o que foi dito não poderia ser simplesmente apagado e afirma esperar que a situação tivesse sido esclarecida.

No final da mensagem, Nikolas reforça o desejo de encontrar pessoalmente o banqueiro e encerra chamando-o novamente de “lindão”.

Advogado de Nikolas é citado em investigação sobre mineração

O nome de Thiago Rodrigues de Faria, citado por Nikolas no áudio enviado a Vorcaro, também aparece em uma investigação da Polícia Federal relacionada à mineração ilegal em Minas Gerais.

Faria foi apontado em reportagens como intermediário de uma negociação envolvendo uma lavra de minério e empresas investigadas na Operação Rejeito, deflagrada em setembro de 2025.

A operação levou à prisão preventiva de 22 pessoas e investigou um suposto esquema relacionado à extração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo informações atribuídas ao inquérito da Polícia Federal e a reportagens sobre o caso, a empresa Thiago Rodrigues Sociedade Individual de Advocacia mantinha um contrato firmado em janeiro de 2025 com a Gmais Ambiental.

O documento previa participação nos lucros de uma negociação envolvendo uma área de mineração. Os valores estimados para o negócio variavam entre US$ 30 milhões e US$ 45 milhões.

O inquérito também menciona uma previsão de comissão para os envolvidos na negociação.

Uma das empresas relacionadas ao contrato era a mineração Topázio Imperial, detentora de direitos minerários sobre uma área onde está localizada a barragem Água Fria, em Minas Gerais.

A investigação apontava que o grupo pretendia viabilizar a exploração e posterior negociação da área.

Faria nega irregularidades

Procurado para responder às perguntas sobre as mensagens e a relação com Vorcaro, Thiago Faria afirmou que as questões eram “nada a ver” e disse que não poderia ser responsabilizado pelos fatos investigados pela Polícia Federal.

O advogado afirmou ainda que atua na área de mineração e que o ativo minerário mencionado na conversa com Nikolas foi apresentado a diferentes pessoas.

Faria também negou que Nikolas tivesse apagado publicações relacionadas ao episódio do jatinho. Apesar disso, uma publicação do deputado com um discurso realizado na Câmara dos Deputados em 27 de abril de 2024 não aparece mais entre suas postagens.

As mensagens analisadas não permitem determinar se houve efetivamente pagamento de voos além do que foi afirmado pelo próprio Vorcaro, nem se o banqueiro tomou alguma providência em relação ao ativo minerário apresentado por Thiago Faria.

O conjunto das conversas, porém, revela uma relação de proximidade entre o deputado e o banqueiro, marcada por pedidos de intermediação, referências a favores anteriores, cobranças relacionadas a publicações nas redes sociais e uma linguagem informal entre os dois.

Fonte: ICL notícias