Por Álvaro Mota
01 de setembro de 2026 às 11:35 ▪ Atualizado há 1 hora
Convidado a comparecer à principal solenidade de celebração dos 183 anos de fundação do Instituto de Advogados Brasileiros, ocorrida no dia 27, no Rio de Janeiro, para além da honra de estar ali, tive um “flashback”: no começo de minha carreira, era na Biblioteca da Casa de Montezuma, a sede do IAB, o local em que eu estudava. Isso trouxe muita alegria ao meu coração.
Esse espaço de tanto estudo passa agora por uma revitalização, o que só confirma a importância daquele espaço para o saber jurídico, como bem destacou em sua fala na solenidade dos 183 anos do IAB o ministro Herman Benjamin, ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça, ele próprio um usuário da biblioteca do IAB quando estudante. Isso certamente foi elemento motivador para que o STJ esteja a receber agora os acervos das bibliotecas dos professores Nelson Nery Jr. e Sérgio Ferraz, este último ex-presidente do IAB e luminar do Direito Administrativo no Brasil.
Nesse contexto de celebração, em que o saber jurídico ganhou o merecido destaque, o que muito me alegrou como um dos representantes estaduais do IAB convidados a estar presentes para assistir em primeira mão ao documentário “Bernardo Cabral: a palavra em ação”, dirigido pelo cineasta Alexandre Pena, com foco na trajetória pessoal, jurídica e política do advogado, ex-presidente da OAB, deputado constituinte, ministro da Justiça e senador.
A trajetória de Cabral e sua participação nas instituições da Advocacia estão em consonância com o que disse em seu discurso a Dra. Maria Adélia Campello, ex-presidente do IAB, ao destacar que o fortalecimento das instituições ocorre com a participação das pessoas, devem reforçar o caráter permanente das instituições que sobrevivem ao tempo e devem, mais do que isso, ter algo a dizer às novas gerações – que é o caso do IAB.
A fala de Maria Adélia fez-me lembrar que a perenidade de uma instituição como o IAB, celebrando seus 183 anos, decorre, sobretudo, do fato de o instituto ter-se tornado um espaço de debate, de discussão sobre crises e sismos na institucionalidade, em momentos como a Proclamação da República e nos embates sobre transformações sociais necessárias, como o fim do regime escravista no país e o voto feminino, avanços civilizatórios sobre os quais o consenso felizmente prevaleceu.
A solenidade na Casa de Montezuma, sob a liderança da presidente Rita Cortez, evidenciou mais ainda o já citado compromisso do IAB com a causa do saber jurídico e da defesa rotineira do Estado de Direito, como bem lembrou o ex-presidente Sérgio Ferraz, em vídeo no qual saudou ao constituinte Bernardo Cabral, que se deve destacar como um bastião em defesa da Advocacia, cuja maior força está na união de seus pares e de se suas instituições.
Aliás, sobre estarmos unidos, destaque-se a fala da presidente Rita Cortez, para quem a advocacia vive um momento muito difícil, o que deve levar a à união para não abrir espaços aos que querem construir fissuras entre nós.
As falas de todos os que participaram da solenidade principal dos 183 anos do IAB me encheram de orgulho e esperança e estar na Casa de Montezuma trouxe a mim as memórias de um tempo de construção de minhas bases profissionais, levando-me de volta ao tempo nas ruas do centro histórico do Rio de Janeiro, lugar essencial na história de nosso país.

Álvaro Mota é procurador do Estado, advogado e presidente do Instituto dos Advogados Piauienses (IAP). Na área acadêmica, atua como professor, sendo mestre em Filosofia e Teoria Geral do Direito (UFPE) e doutor em Direito Administrativo (PUC-SP).