ATAQUES
Da Redação
14 de julho de 2026 às 11:08 ▪ Atualizado há 42 minutos
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reagiu na noite dessa segunda-feira (13) à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu por 90 dias suas visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante uma transmissão ao vivo de mais de uma hora, o parlamentar criticou duramente a medida, fez ataques ao ministro e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aproveitou o espaço para reforçar sua pré-candidatura à Presidência da República.
Em diversos momentos da live, Flávio elevou o tom, utilizou palavrões e afirmou que a decisão de Moraes representa uma tentativa de interferir no processo eleitoral. Segundo ele, o prazo de 90 dias impedirá que volte a encontrar o pai antes do primeiro turno das eleições.
"Eu só poderia voltar a falar com o presidente Jair Bolsonaro depois do primeiro turno das eleições deste ano. Alguém acha que isso é uma coincidência? Qual o critério para esses 90 dias?", questionou.
O senador também afirmou que Moraes estaria buscando motivos para revogar a prisão domiciliar do ex-presidente.
Gritos, palavrões e ataques a Lula
Em um dos momentos mais exaltados, Flávio elevou a voz e utilizou palavrões ao defender o endurecimento das punições contra autores de crimes sexuais.
“Tem que se fuder”, gritou o senador, antes de acusar Lula, sem apresentar provas, de defender criminosos desse tipo.
O pré-candidato também atacou diretamente eleitores pobres e beneficiários de políticas sociais. Em tom de discurso eleitoral, afirmou que Lula deseja manter a população na pobreza e apresentou a si próprio como alguém capaz de enriquecer os brasileiros.
Na sequência, Flávio ironizou pessoas que atribuem conquistas pessoais aos governos petistas.
“Eu vejo as postagens: ‘Tudo que eu tenho eu devo ao Lula’. Aí você vai ver o que a pessoa tem, a pessoa não tem nada. Gente, não tem lógica. O Lula é o pai dos ricos”, afirmou.
Live vira discurso de campanha
Embora tenha sido anunciada como uma resposta à decisão do STF, a transmissão acabou assumindo tom de campanha eleitoral. Flávio apresentou propostas para áreas como segurança pública, educação, economia e assistência social, além de reafirmar sua intenção de disputar a Presidência.
Entre as medidas citadas estão a criação de vouchers para creches particulares quando não houver vagas na rede pública, incentivo ao ensino técnico, endurecimento de penas para integrantes de organizações criminosas, castração química para condenados por estupro, redução da burocracia para empresas e a indicação de quatro ministros ao STF, caso seja eleito.
Durante a transmissão, o senador pediu apoio dos seguidores e declarou que permanecerá como pré-candidato.
"Não tem nada que me tire de ser, agora por enquanto, pré-candidato e, depois das convenções, candidato à Presidência da República."
Ao encerrar a live, lávio afirmou que acredita que Jair Bolsonaro colocará nele a faixa presidencial em janeiro de 2027.
Suspensão das visitas
A decisão de Alexandre de Moraes foi tomada após o ministro entender que Flávio utilizou uma visita autorizada ao pai para obter uma carta posteriormente divulgada nas redes sociais.
O documento foi lido pelo senador durante uma transmissão realizada no último sábado (11). Na carta, Jair Bolsonaro apresenta Flávio como seu "porta-voz" e afirma que ele seria "a melhor opção" para disputar a Presidência da República.
Segundo Moraes, a divulgação do conteúdo pode ter servido para contornar a proibição imposta ao ex-presidente de utilizar redes sociais, direta ou indiretamente, por intermédio de terceiros. O ministro também apontou indícios de possível propaganda eleitoral antecipada e encaminhou o caso ao Ministério Público Eleitoral.
A defesa de Jair Bolsonaro recebeu prazo de 48 horas para esclarecer se o ex-presidente tinha conhecimento de que a carta seria publicada.
Com a suspensão das visitas por 90 dias, Flávio só poderá voltar a encontrar o pai após o primeiro turno das eleições, previsto para 4 de outubro.
Lindbergh critica atuação de Flávio
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou a postura do senador após a transmissão. Para o parlamentar, Flávio utilizou a divulgação da carta do pai para fortalecer sua própria candidatura presidencial.
Segundo Lindbergh, o senador tinha conhecimento de que a publicação poderia representar descumprimento das medidas cautelares impostas a Jair Bolsonaro. O deputado também defendeu que o ex-presidente volte a cumprir pena em unidade prisional e afirmou que Flávio age politicamente ao explorar a situação envolvendo o pai.
Fonte: Revista Fórum
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