Polícia

FEMINICÍDIO

Identificada mulher trans assassinada em Teresina; Núcleo de Feminicídio investiga

Tabatha Lavinny, de 24 anos, foi encontrada morta a tiros no bairro Pedra Mole, zona Leste da capital

Da Redação

03 de agosto de 2026 às 12:44 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • Tabatha Lavinny, uma mulher trans, foi encontrada morta no bairro Pedra Mole, Teresina.
  • O caso é investigado pelo Núcleo de Feminicídio e acompanhado pela Coordenadoria de Proteção aos LGBTQIAPN+.
  • Próximo ao corpo foram encontrados estojos de munições deflagradas.
  • A vítima foi morta a tiros após ser seguida por um veículo.
  • Existiam relatos de que Tabatha tinha dívidas relacionadas ao tráfico de drogas.
  • A polícia investiga a autoria e a motivação do crime, sem suspeitos identificados até o momento.
  • A Coordenadoria de Proteção aos LGBTQIAPN+ lamentou a morte e destacou a importância de investigação rigorosa.
  • A instituição reafirmou o compromisso com os direitos humanos e contra a discriminação de pessoas trans.

Reprodução Tabatha Lavinny
Tabatha Lavinny

O Núcleo de Feminicídio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) assumiu a investigação da morte de Tabatha Lavinny, de 24 anos, encontrada morta na manhã de domingo (2), no bairro Pedra Mole, zona Leste de Teresina. A vítima era uma mulher trans e, segundo a Polícia Civil, também era conhecida pelos nomes de Maria e Zaque.

O caso também está sendo acompanhado pela Coordenadoria de Proteção aos LGBTQIAPNda Secretaria de Estado da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI).  Próximo ao corpo foram encontrados estojos de munições deflagradas

A motivação e a autoria do crime ainda não foram esclarecidas. A delegada Nathalia Figueiredo informou que as primeiras diligências já foram iniciadas. Segundo ela, o caso foi encaminhado ao Núcleo de Feminicídio por se tratar da morte de uma mulher trans.

De acordo com informações repassadas por familiares à Polícia Militar, Tabatha havia saído da casa de um parente, localizada na mesma rua onde ocorreu o crime. Ela caminhava pela via quando teria sido seguida por um veículo. Em seguida, os ocupantes do carro efetuaram vários disparos contra a vítima, que morreu ainda no local.

Ainda conforme o relatório policial, familiares relataram que Tabatha era usuária de drogas e possuía dívidas relacionadas ao tráfico de entorpecentes. A polícia informou que ela teria sido agredida semanas antes por pessoas supostamente ligadas ao tráfico, em razão da cobrança dessas dívidas.

As circunstâncias da morte, no entanto, continuam sendo apuradas pela Polícia Civil, que busca identificar os responsáveis pelo assassinato.

A Coordenadoria de Proteção aos LGBTQIAPN+ da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) informou que acompanha o caso e lamentou a morte de Tabatha.

Segundo a coordenadora Leonna Osternes, o órgão tomou conhecimento do crime ainda nas primeiras horas de domingo e entrou em contato com o DHPP para acompanhar o andamento das investigações.

Em nota, a coordenadoria destacou a necessidade de uma investigação rigorosa e afirmou que a violência contra pessoas trans e travestis não pode ser naturalizada.

As investigações seguem em andamento e, até o momento, não há informações sobre suspeitos identificados ou prisões relacionadas ao caso.

Nota da Coordenadoria de Proteção aos LGBTQIAPN+

“Recebemos com profunda tristeza e indignação a notícia do assassinato de uma mulher transexual, ocorrido na manhã de domingo (02), na zona Leste de Teresina.

Até então, o Piauí figurava entre os estados sem registros de assassinatos de pessoas trans notificados em âmbito nacional no ano de 2025. Hoje, essa realidade foi interrompida por mais uma vida brutalmente ceifada pela violência, em um contexto que exige investigação rigorosa para esclarecer as circunstâncias e a motivação do crime.

Não podemos naturalizar a violência que atinge a população trans e travesti. O preconceito, a discriminação, o ódio e a transfobia continuam produzindo exclusão, sofrimento e, muitas vezes, a morte de pessoas que lutam diariamente pelo direito de viver com dignidade, respeito e igualdade.

Manifestamos nossa solidariedade aos familiares, amigos e a toda a comunidade LGBTQIAPN+ neste momento de dor.

Reafirmamos nosso compromisso com a defesa dos direitos humanos e com o enfrentamento de todas as formas de violência e discriminação. É urgente fortalecer cada vez mais as políticas públicas de proteção, garantir o acesso à justiça e promover uma cultura de respeito à diversidade.

Parem de nos matar.

Toda vida trans e travesti importa. Viver é um direito de todas as pessoas.”