CASO MASTER
Teresinha Ferreira
11 de setembro de 2026 às 07:42 ▪ Atualizado há 50 minutos
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou a abertura de informações relacionadas às investigações do Banco Master, incluindo o procedimento que resultou na prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A medida foi tomada nesta quinta-feira (10) e atendida pelo ministro André Mendonça, relator de processos relacionados ao caso. Mendonça retirou o sigilo da Petição 15.556, relacionada à prisão de Vorcaro, e de outros 14 procedimentos vinculados às investigações.
Fachin pediu abertura do caso Master
Fachin solicitou a Mendonça que retirasse o sigilo dos procedimentos relacionados ao Banco Master, preservando apenas diligências cujo segredo seja considerado indispensável para o andamento das investigações. Entre os documentos que tiveram o sigilo retirado estão os inquéritos 5.026 e 5.035, além de outras petições. Mendonça também deverá encaminhar o material aos gabinetes dos ministros do Supremo. A iniciativa ocorre em meio à crise instalada na Corte após a divulgação de informações obtidas nas investigações envolvendo Vorcaro.
Conversas de Vorcaro estão no centro da crise
Parte da controvérsia envolve mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal. Um relatório da PF tornou públicas mensagens atribuídas ao ex-banqueiro e enviadas a um número identificado pelos investigadores como pertencente ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo informações divulgadas sobre o relatório, foram identificadas 52 mensagens encaminhadas entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025. O conteúdo provocou questionamentos sobre a relação entre Moraes e Vorcaro e abriu uma crise interna no Supremo.
PGR questiona procedimento
A Procuradoria-Geral da República (PGR), comandada por Paulo Gonet, questionou a validade de medidas adotadas durante a investigação. A PGR sustenta que uma apuração capaz de atingir diretamente um ministro do Supremo deveria observar procedimentos específicos e passar pela Presidência da Corte e pelo colegiado. Também questiona a iniciativa de produção de elementos de investigação pelo próprio magistrado. Essas controvérsias serão analisadas pelo plenário do STF.
Fachin convoca sessão extraordinária
Fachin marcou para terça-feira, 15 de setembro, às 10h, uma sessão extraordinária do Supremo para discutir o caso. Os ministros deverão analisar, entre outros pontos, a legalidade da ordem de Mendonça que levou ao aprofundamento da análise do celular de Vorcaro, a validade do material produzido pela Polícia Federal e o pedido da PGR para anular o procedimento. O plenário também deverá definir o destino das informações relacionadas a Alexandre de Moraes. A sessão poderá decidir se esses elementos poderão fundamentar uma investigação ou se deverão ser descartados.
Fachin centraliza decisões em meio à crise
A atuação de Fachin ocorre depois de uma sequência de decisões conflitantes envolvendo integrantes do Supremo e a cúpula da Polícia Federal. Na quarta-feira (9), o presidente do STF suspendeu decisões de André Mendonça e Flávio Dino relacionadas à direção da PF e manteve Andrei Rodrigues no comando da corporação. Fachin também suspendeu temporariamente procedimentos envolvendo possíveis investigações contra ministros do próprio Supremo até que o plenário analise a controvérsia. A justificativa foi evitar decisões contraditórias e sobreposições processuais dentro da Corte.
Caso Master amplia tensão no STF
O caso Banco Master ganhou dimensão institucional após a divulgação das mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Além de Alexandre de Moraes, decisões envolvendo André Mendonça, Flávio Dino e a direção da Polícia Federal passaram a integrar uma disputa jurídica sobre os limites das investigações e a competência de cada ministro. Fachin agora tenta levar as principais decisões para o plenário, evitando que questões relacionadas ao caso continuem sendo decididas individualmente por diferentes ministros. A sessão de 15 de setembro será decisiva para definir a validade dos elementos obtidos pela Polícia Federal e os próximos passos das investigações.
O que muda para Daniel Vorcaro
A retirada do sigilo não representa absolvição, arquivamento da investigação nem ordem de soltura de Vorcaro. A mudança diz respeito à publicidade dos procedimentos judiciais. Com a decisão, partes dos autos anteriormente protegidas por segredo de Justiça poderão se tornar públicas, enquanto diligências consideradas sensíveis continuarão sob sigilo. A situação processual de Vorcaro deverá continuar sendo tratada separadamente das decisões sobre a publicidade dos documentos e da controvérsia envolvendo integrantes do Supremo.
Fonte: STF