ELEIÇÃO

Candidatos e a mídia como palanque no Piauí

A Constituição Federal é clara: políticos em exercício de mandato não podem ser proprietários de canais.


A mídia e eleição

A mídia e eleição Foto: Arte do Especial - Crédito Thyago Nogueira

Um dos pré-requisitos básicos para ser eleito e ser conhecido pelo grande público. Durante todo o ano, apresentadores de TV e Rádio usam sua voz e dão espaço para faladas para aqueles que lhes convêm. Portanto, levam uma  vantagem enorme sobre outros candidatos.

A Constituição Federal é clara: políticos em exercício de mandato não podem ser proprietários de canais. Mas os apresentadores e repórteres, se eleitos, ainda podem voltar para a bancada. Apesar da Lei e desses detalhes que afetam nossas vidas, as campanhas dos donos e dos comunicadores estão a todo vapor no Brasil. No Piauí não é diferente.

Apesar da prática ser inconstitucional para os donos e ser um diferencial para jornalistas, o número de políticos proprietários ou em meios de comunicação cresce a cada eleição.

Segundo levantamento do Intervozes  apresentado dia 27, 45 candidatos representam esse setor nas eleições 2022: são 18 candidatos a deputado federal, 13 a deputado estadual, 6 ao Senado e 1 a suplência do Senado, 5 ao cargo de governador e 2 de vice-governador. Das candidaturas analisadas, a maior parte são homens (38), brancos (33) e milionários (33).

No Piauí, aparecem quatro candidatos ligados a meios de Comunicação que disputam uma vaga no congresso nacional: Amadeu Campos (MDB), Antônio de Pádua Araújo Resende (PP), Evildo Moção da Silva Gomes (Solidariedade), Silas Freire (Solidariedade). Na relação não consta mais ainda tem a candidatura do Jornalista Wellington Francisco Raulino, o Xerife (Republicanos).

As candidaturas não são novas no cenário político e foram mapeadas pelo levantamento Donos da Mídia com base nos registros no TSE de 14 estados brasileiros (BA, PB, PE, CE, PI, AM, PA, RR, MT, MG, ES, SP, RJ e PR) e Distrito Federal, cruzados com as propriedades de mídias das 10 maiores cidades, em número de habitantes, de cada estado. Esse é um projeto realizado pelo coletivo Intervozes a cada ano eleitoral. No levantamento de 2018, foram identificados 34 candidatos donos de mídia em 10 estados e no Distrito Federal. Os três nomes do Ceará estão na lista desde o levantamento passado.

Mais da metade dos políticos donos da mídia são milionários (33), empresários, herdeiros e agentes públicos que declararam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) patrimônios que chegam a mais de 600 milhões.

Em 2015, o Partido Socialismo e Liberdade (Psol), com o apoio do Intervozes, denunciou na justiça a concentração de mídia nas mãos de políticos. Através de um pedido de Arguição por Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) n. 379, no Supremo Tribunal Federal (STF), as organizações solicitam, entre outras coisas, que o art. 54 da Constituição seja cumprido através do cancelamento das outorgas de rádio e TV em poder dos políticos e seus familiares, além do impedimento de posse dos candidatos eleitos à Câmara Federal caso sejam proprietários ou tenham ligação com propriedades de radiodifusão.

No curso da multiplicação de candidaturas que focam na propriedade de mídia como um empreendimento eleitoral a democracia sai perdendo por causa do silenciamento e desinformação provocado por essas emissoras. Para que as eleições sejam limpas e reflitam um ambiente saudável de participação social se faz necessário barrar a gestão da radiodifusão por políticos donos da mídia.

Segue aqui gráficos, fotos e tabela completa com a pesquisa.

https://app.rios.org.br/index.php/s/WyG5zpCSNGxpGRd  

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Fonte: Iraildon Mota

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