MISTÉRIO

Dois PM's fugiram durante a operação que prendeu nova célula do crime organizado

Operação Dictum cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e prendeu até o momento 13 homens


Secretário estadual de Segurança Pública, Fábio Abreu

Secretário estadual de Segurança Pública, Fábio Abreu Foto: Divulgação/SSP

Dois policiais militares conseguiram fugir durante a "Operação Dictum" desencadeada pela Polícia Civil, na madrugada desta segunda-feira (02), para desarticular uma organização criminosa formada por policiais civis e militares que vinha agindo no Piauí. A Informação é do secretário de Segurança, Fábio Abreu.

A operação resultou na prisão de 12 policiais militares e um policial civil. Também foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão. Um dos foragidos é da região de Parnaíba, litoral do Piauí, e o outro de Teresina. Os nomes dos foragidos não foram revelados.

A fuga dos acusados é misteriosa porque eles podem ter sido beneficiados com informações antecipadas de alguém que participou das investigações e também da operação. Advogados procuraram policiais do Grupo de Combate ao Crime Organizado - GRECO, para informado que os dois se apresentariam à Polícia.

“Dois dos que foram abordados hoje pela madrugada e conseguiram fugir iriam se apresentar hoje (02) à tarde com seus advogados. Um é da região de Parnaíba e o outro é daqui de Teresina. Com apresentação ou não, vamos estar na captura dos dois”, assegurou o secretário Fábio Abreu.

O secretário explicou que a investigação começou em 2018, após o roubo de uma carga de eletrodomésticos que chegava a Teresina. Dois dos líderes presos nesta segunda-feira já haviam sido expulsos da Polícia Militar. O principal, o carioca Wanderley Rodrigues da Silva, estava no Rio de Janeiro, para onde retornou após ser expulso da PM. Ele veio a Teresina para vender a casa e carro dele, mas foi preso antes de fechar os negócios. A partir da prisão dele foi deflagrada a Operação Dictum.

“A partir dessa investigação chegamos às informações de que se tratava de policiais participando da ação. Depois disso várias informações foram passadas através de acompanhamento de conversas de whatsapp, que mostram como eles operavam", revelou Fábio.

O secretário disse que o grupo "operava" mais na busca de pessoas que estavam fazendo contrabando de cigarros. Os "policiais" faziam apreensão de cigarro e vendiam esse material para outros comerciantes. Costumavam se fizer em operações de combate a tráfico de drogas, mas nunca apresentavam o material apreendido.

Armados e usando a farda da PM ou distintivo da PC, os membros da organização criminosa invadiam bocas-de-fumo, ameaçavam os traficantes, tomavam drogas, dinheiro vê armas e revendiam para outros traficantes logo em seguida. As armas era usadas para expansão do pode de fogo do grupo. Eles agiam até com cobertura de policiais em serviço.

De acordo com as investigações e provas colhidas pela Polícia e pelo Ministério Público, o grupo ganhou tanta confiança da impunidade que passou a cometer homicídios por encomenda (pistolagem). Todos serão denunciados à Justiça por tráfico de drogas e armas, roubo, extorsão, invasão de domicílio sem autorização judicial, peculato e formação de quadrilha.

O LÍDER

O carioca Wanderley Rodrigues da Silva, expulso dos quadros da PM do Piauí em outubro passado, é apontado como líder do esquema. W. Silva, como era chamado, fez uma rede de comparsas dentro da PM e tinha certeza da impunidade até que foi preso por se envolver num assalto a uma agência do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), de onde os bandidos levaram R$ 300 mil. Por isso, foi expulso da PM, com seu colega Genildo Vieira da Silva, também preso nesta segunda-feira (02).

OS PRESOS

Até o início da noite 12 policiais militares e policial civil haviam sido preso. São eles: Genildo Vieira da Silva, Francisco das Chagas Lima Trindade, Helido Cunha de Sousa, Bruno Costa de Oliveira, Antônio Lopes Rosa, Rafael dos Santos Leal, Marcelo Ribeiro Rocha, Percyvall de Oliveira Ferreira, Lourival Ferreira de Carvalho Neto, Ellisson Costa Vieira, Erasmo de Morais Furtado, José Afonso Santos e Silva e Wanderley Rodrigues da Silva.

Ouça aqui o áudio do secretário Fábio Abreu

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