Mundo

ACORDO NUCLEAR

EUA firmam acordo nuclear com Arábia Saudita e geram controvérsia

Parceria permite enriquecimento de urânio saudita e expõe contradição americana

Teresinha Ferreira

24 de julho de 2026 às 17:10 ▪ Atualizado há 1 hora

Ver resumo
  • Os EUA anunciaram um acordo para cooperação nuclear com a Arábia Saudita, permitindolhe enriquecer urânio para fins pacíficos, mas o acordo precisa da aprovação do Congresso.
  • O acordo ocorre em meio a tensões com o Irã, que os EUA pressionam para terminar o enriquecimento de urânio.
  • Israel criticou o acordo, e Trump condicionou-o ao apoio saudita aos acordos de Abraão, que incluem o reconhecimento de Israel.
  • A Arábia Saudita resiste a reconhecer Israel sem garantias de um Estado palestino.
  • Francisco Carlos Teixeira da Silva, da UFRJ, observa que o acordo pode enfraquecer a proteção oferecida pelos EUA contra ameaças iranianas.
  • Críticas surgem sobre a resistência saudita a inspeções adicionais da AIEA, enfraquecendo a posição dos EUA em negociações nucleares com o Irã.
  • A Associação de Controle de Armas levanta preocupações sobre Riad buscar armas nucleares.
  • O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, está no centro das discussões, com a Arábia Saudita tendo assinado o Tratado de Não Proliferação Nuclear.
  • Roberto Goulart Menezes da UnB destaca preocupações sobre as intenções sauditas futuras, dado o histórico dos EUA de incentivar países a renunciar a programas nucleares.
  • As negociações avançaram no segundo mandato de Trump, em um contexto de tensões regionais, incluindo bloqueios marítimos pelos houthis.

Agência Brasil Acordo de cooperação nuclear USA com a Arábia Saudita,
Acordo de cooperação nuclear USA com a Arábia Saudita,

Os Estados Unidos anunciaram um acordo de cooperação nuclear com a Arábia Saudita, permitindo que o reino enriqueça urânio supostamente para fins pacíficos. A parceria ocorre em meio a tensões com o Irã, com quem os EUA exigem o fim do enriquecimento de urânio. O acordo ainda precisa de aprovação do Congresso estadunidense.

Após críticas veementes de Israel, Donald Trump condicionou a parceria ao apoio saudita aos acordos de Abraão. Essas tratativas exigem o reconhecimento de Israel pelos países árabes, algo que os sauditas recusam sem garantias de um Estado palestino.

Prof. Dr. Francisco Carlos Teixeira da Silva (UFRJ). Foto: Francisco Teixeira da Silva/ Arquivo Pessoal
Historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Francisco Carlos Teixeira da Silva - Foto: Francisco Teixeira da Silva/ Arquivo Pessoal

O acordo levanta preocupações sobre a prática nuclear saudita. Francisco Carlos Teixeira da Silva, historiador da UFRJ, observa que essa política ameaça a proteção americana a Riad, especialmente perante agressões iranianas. "Isso é um reconhecimento da falência do ‘escudo americano’", avalia.

Especialistas criticam a Arábia Saudita por não aceitar inspeções adicionais da AIEA, enfraquecendo a posição dos EUA em negociações nucleares com Teerã. A Associação de Controle de Armas alerta para a possibilidade de Riad buscar armas nucleares, especialmente após ameaças anteriores.

Canadian Prime Minister Mark Carney meets Saudi Crown Prince Mohammed bin Salman in Jeddah, Saudi Arabia, July 9, 2026. Saudi Press Agency/Handout via REUTERS THIS IMAGE HAS BEEN SUPPLIED BY A THIRD PARTY. REFILE - CORRECTING ID FROM
Príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman - Foto: Saudi News Agency/Reuters/ Proibida a reprodução

O professor Roberto Goulart Menezes da UnB destacou que, apesar da Arábia Saudita ter assinado o Tratado de Não Proliferação Nuclear, a parceria com os EUA gera preocupações sobre possíveis intenções futuras de Riad. Ele relembra que, historicamente, os EUA incentivaram países a renunciar a programas nucleares.

As negociações, iniciadas em 2008, enfrentaram obstáculos durante governos anteriores, mas avançaram durante o segundo mandato de Trump. O anúncio do acordo ocorreu em um contexto de crescente tensão na região, especialmente com o bloqueio de rotas marítimas críticas pelos houthis.

Estreito de Bad el Mandeb
Arte Dijor/EBC

Fonte: Agência Brasil