Política

ELEIÇÕES 2026

Debate sobre a democracia aponta riscos do fascismo e o papel da imprensa no Brasil

Em podcast do portal Piauí Hoje, sindicalista e advogados analisam os desdobramentos do 8 de janeiro, a ameaça autoritária nas eleições e a necessidade de fortalecimento das instituições democráticas

Por Luiz Brandão

25 de setembro de 2026 às 18:28 ▪ Atualizado há 36 minutos

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  • O podcast "Bate-Papo com Notícias" discutiu temas relevantes como política, eleição presidencial, riscos à democracia e fascismo no Brasil.
  • O debate destacou a tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023 como um risco significativo à democracia, com análises sobre a motivação e as consequências potenciais.
  • Foi discutida a crise democrática global e a ascensão da extrema direita, relacionando o contexto brasileiro com o internacional.
  • A falsa equivalência promovida pela mídia entre candidaturas foi criticada, alertando sobre o impacto de possíveis vitórias antidemocráticas.
  • A CNBB destacou a importância da consciência social e ética cristã no período eleitoral, sem indicar candidatos, mas reforçando princípios fundamentais.
  • A possibilidade de encerrar a eleição no primeiro turno e a importância da mobilização contra a extrema direita foram enfatizadas.
  • Houve defesa do fortalecimento das instituições democráticas, como o STF, Congresso e Executivo, para sustentar a democracia no Brasil.

Fotos: Vitória Macedo Antônio Machado, Robertônio Pessoa, Marcelo Mascarenhas e Luiz Brandão
Antônio Machado, Robertônio Pessoa, Marcelo Mascarenhas e Luiz Brandão

A menos de dez dias das eleições presidenciais, o portal Piauí Hoje promoveu, na última quinta-feira (24), mais uma edição do podcast Bate-Papo com Notícias. Comandado pelo jornalista Luiz Brandão, o debate reuniu o sindicalista Antônio Machado e os advogados Robertônio Pessoa e Marcelo Mascarenhas para discutir política, eleição presidencial, os riscos à democracia e a luta contra o fascismo no Brasil.

Logo na abertura, Brandão destacou o compromisso do programa com a qualidade do debate em um período eleitoral marcado pela baixaria e pela desinformação. "Nós vamos tentar manter o maior nível de qualidade, até em respeito aos nossos internautas e aos nossos convidados. Nós estaremos aqui trabalhando com a verdade", afirmou.

O 8 de janeiro e a tentativa de golpe

O primeiro tema abordado foi a tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023. Para Marcelo Mascarenhas, não há dúvidas sobre o que ocorreu. "No dia 8 de janeiro nós tivemos uma tentativa de golpe de estado. O Brasil não é um país de tradição democrática. A nossa República surgiu de um golpe militar", lembrou. Ele destacou ainda que a elite econômica brasileira "tem um compromisso unicamente com seus ganhos, independentemente de estarmos sob uma ditadura ou uma democracia".

Antônio Machado reforçou que o golpe foi frustrado, mas alertou para a gravidade do momento. "O 8 de janeiro, felizmente, foi uma tentativa de golpe frustrada. Se tivesse se consolidado, estaríamos numa ditadura. A intenção deles não era manifestação, era tomar o Supremo, o Congresso, para depois consolidar essa ditadura", disse. Para ele, a democracia brasileira está consolidada, mas depende de vigilância constante.

Robertônio Pessoa concordou que houve uma tentativa clara de ruptura institucional. "Não há dúvida que a gente passou por um risco, por uma tentativa de golpe. O processo conduzido pelo STF foi transparente e ficou claro que houve não só a tentativa, mas diversos indícios de que o país caminhava para uma ruptura", afirmou, citando a militarização de ministérios e o questionamento das urnas eletrônicas.

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Crise da democracia e ascensão da extrema direita

Mascarenhas ampliou o debate para o cenário internacional. "A democracia não está em crise no Brasil. Está em crise no mundo. O neoliberalismo aumentou as desigualdades e criou uma massa de população desassistida. Como dizia Gramsci, o velho está morrendo e o novo não tem força de nascer. Nesse claro-escuro surgem os monstros", analisou.

Robertônio Pessoa lembrou que o pensamento autoritário sempre esteve presente na história brasileira, desde o integralismo de Plínio Salgado até a UDN. "Agora, o que a gente vê é um domínio muito forte da extrema direita, não só internamente, mas com o governo americano rompendo pactos internacionais. É um momento muito delicado", avaliou.

O papel da imprensa e a falsa equivalência

Brandão destacou um artigo publicado no portal ICL, assinado pela jornalista Clarice Meirelles e por Juliano Borges, que critica a imprensa por criar uma falsa equivalência entre as principais candidaturas. "A imprensa está comparando desiguais como iguais. É o mesmo que comparar Santo Antônio com Sabugo", afirmou Brandão.

O jornalista também mencionou o editorial do Estadão, que alertou que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro colocaria "as milícias no comando do maior poder da República". Para Mascarenhas, "é uma coisa muito séria o que pode acontecer no Brasil se as forças democráticas não se unificarem".

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CNBB e o voto cristão

O debate também abordou a manifestação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que reafirmou os princípios da doutrina social da Igreja e defendeu que a atuação no período eleitoral deve estar voltada à formação da consciência dos eleitores. Mascarenhas, que foi agente de pastoral, destacou os quatro pontos elencados pela CNBB: defesa da soberania, proteção do meio ambiente, defesa da democracia e defesa da dignidade da pessoa humana.

"A Igreja não indicou nomes, apenas princípios. Mas são princípios que devem orientar o voto de quem se considera cristão", afirmou. Robertônio Pessoa lembrou que o Papa Leão XIV publicou recentemente a encíclica Magnífica Humanitas, que reafirma a doutrina social da Igreja e critica ferozmente o neoliberalismo.

Eleição e mobilização

Sobre o pleito, Machado apostou que a eleição se encerra no primeiro turno. "O Lula ganha no primeiro turno. No Nordeste ele vai dobrar, e no Norte já está na frente. Não vai ter segundo turno", previu.

Mascarenhas, porém, alertou para a necessidade de mobilização. "Existe um apelo da extrema direita para provocar o segundo turno. Nós temos que trabalhar para encerrar a eleição no primeiro turno. É importante animar as pessoas, garantir que compareçam e votem", conclamou.

Robertônio Pessoa reforçou a importância da frente ampla democrática. "O que está em jogo, diante dessas ameaças externas e internas, é a nossa democracia. É fundamental fortalecer essa frente", disse.

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O fortalecimento das instituições

Ao final, os participantes defenderam o fortalecimento das instituições democráticas. Mascarenhas citou o debate entre Ferdinand Lassalle e Konrad Hesse sobre a força normativa da Constituição. "Não existe solução no campo meramente jurídico. A solução é política, no sentido de fortalecer as instituições democráticas. Precisamos de um STF forte, um Congresso forte, um Executivo forte", afirmou.

Robertônio Pessoa destacou o papel da jurisdição constitucional. "É fundamental que a gente faça as críticas ao STF, mas que sustente a importância dessa Corte, porque ela é a pedra de toque de todo o nosso sistema constitucional. Sem ela, caímos nas mãos do parlamento, e nós sabemos como é o nosso parlamento", concluiu.

Brandão encerrou o programa agradecendo a participação dos convidados e convidando os internautas a acompanhar o portal Piauí Hoje. "Voltaremos amanhã às 15 horas com mais debate sobre a nossa democracia, sobre política e sobre a situação do país", anunciou.