PLANO DOS ESTADOS
Teresinha Ferreira
24 de setembro de 2026 às 17:20 ▪ Atualizado há 41 minutos
A coalizão Escudo das Américas, liderada pelos Estados Unidos, envolve 15 países latino-americanos e usa o combate ao narcotráfico para conter a influência econômica da China na região, conforme especialistas.
Segundo Danilo Enrico Martuscelli, professor de ciência política da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), "o Escudo das Américas é uma tentativa de anexação imperial dos países latino-americanos, dentro de uma disputa comercial e tecnológica com a China".
Durante a 81ª Assembleia-Geral da ONU, os países da coalizão manifestaram a intenção de levar a proposta à Organização dos Estados Americanos (OEA). O grupo também classificou como "terroristas" 24 grupos narcotraficantes, incluindo os brasileiros Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
Martuscelli criticou a política da Casa Branca, lembrando que o ex-presidente Donald Trump indultou o ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado por narcotráfico. "Combatem o narcotráfico no quintal dos outros, mas internamente o que fazem?", questionou Martuscelli.
O professor Robson Valdez, do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), alertou que a coalizão busca legitimizar intervenções na América Latina. "Isso sinaliza para a China que deve rever suas relações com a região sob a perspectiva da política externa norte-americana", disse Valdez.
Sob a liderança dos EUA, o Escudo das Américas propõe fortalecer as cadeias de minérios críticos, elemento central na disputa com Pequim. O documento também aborda cooperação econômica, promovendo fontes de "suprimento confiáveis".
O governo brasileiro, que não integra a coalizão, analisa a iniciativa com cautela, considerando possíveis impactos no relacionamento econômico com a China.
A apresentação da proposta à OEA visa pressionar países não aderentes, como Brasil e México, conforme Martuscelli. "Buscam legitimidade institucional para uma política de pressão aberta", concluiu.
Fonte: Agência Brasil
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