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SOMBRA

Turistas "apagam" nome de Bolsonaro da maior obra dele no Piauí: uma escada de ferro

Turistas riscam nome de Jair Bolsonaro de placa de inauguração de uma escada de ferro no Parque da Serra da Capivara

Por Luiz Brandão, da Serra da Capivara

26 de maio de 2026 às 14:02

Ver resumo
  • O nome de Jair Bolsonaro foi riscado da placa de inauguração da Escada do Baixão dos Rodrigues no Parque Nacional da Serra da Capivara.
  • A remoção foi feita de forma seletiva, apenas no nome de Bolsonaro, sob uma camada de acrílico.
  • A escada foi inaugurada em outubro de 2021, durante o governo Bolsonaro, mas sem a presença do então governador do Piauí, Wellington Dias.
  • A obra foi entregue por autoria política de Ciro Nogueira e Paes Landim, sem mencionar o governador estatal.
  • A exclusão do nome do governador foi vista como um ato intencional, destacando conflitos institucionais.
  • O ato de riscar o nome de Bolsonaro foi um protesto contra seu uso do espaço para propaganda política.
  • O Parque da Serra da Capivara enfrenta desafios de visibilidade e financiamento, enquanto a escada foi vista como uma "obra vazia".
  • A piada local sobre a obra de Bolsonaro realça o descontentamento e serve como símbolo do protesto contra a gestão dele no estado.

Escada de ferro no Baixão dos Rodrigues, na Serra da Capivara
Escada de ferro no Baixão dos Rodrigues, na Serra da Capivara

Em um movimento que a população local já chama carinhosamente de “O Basta Subiu a Escada”, o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro foi riscado da placa de inauguração da "famosa" Escada do Baixão dos Rodrigues, no Parque Nacional da Serra da Capivara.

O ato de "vandalismo seletivo" aconteceu sob a proteção de uma fina camada de acrílico. Os visitantes passaram tinta ou material cortante apenas onde estava o nome do ex-presidente, como uma cirurgia de remoção de tumor malígno. É nítido que alguém tentou tirar o nome do ex-presidente daquele lugar, porque o resto da placa está visível.

A “abra faraônica”

Entregue em 19 de outubro de 2021, dentro das “festividades” do aniversário do Piauí, sem que o governador à época tivesse sido convidado, a escada é um caso de marketing político puro. Feita de ferro galvanizado, o mesmo material de tanques de obras abandonadas, a estrutura possui 114 degraus e se estende por 60 metros de altura.

Segundo dados oficiais, a obra custou cerca de R$ 700 mil, viabilizada por uma emenda do ex-deputado federal Paes Landim. Na inauguração, quem apareceu para bater palma foi o ministro do Meio Ambiente da época, Joaquim Leite. Jair Bolsonaro, obviamente, não veio.

O desprezo às instituições 

A ignorância às instituições está nos nomes na composição da placa. Enquanto o nome de Bolsonaro está lá, mas o da principal autoridade do estado à época, o governador Wellington Dias (PT), foi omitido propositalmente na confecção do monumento.

Na prática, a placa conta a seguinte verdade: para o cerimonial do governo federal, quem mandava no Piauí era o senador Ciro Nogueira (PP), então ministro da Casa Cívil de Bolsonaro, e o ex-deputado Paes Landim, citados na placa, autores políticos da façanha. A falta do governador não foi um erro de digitação; foi um recado. Afinal, como registrar o nome de um governador de oposição na única obra que a gestão Bolsonaro entregou no estado em quatro anos?

E por que a placa foi riscada? A resposta é simples e sobe a serra feito eco: protesto com a falta de respeito às instituições. Os visitantes, ao riscarem apenas o acrílico, sem destruir a escrita original, quase com um cuidado cirúrgico, não apagaram um nome; apagaram a vergonha de ver um presidente usar um patrimônio mundial da UNESCO para fazer propaganda vazia.

Enquanto o Parque Nacional da Serra da Capivara, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade e lar da maior concentração de sítios pré-históricos das Américas, luta por visibilidade e verba, o ex-presidente preferiu usar os 114 degraus como outdoor eleitoral.

A escada de ferro pode até enferrujar com o tempo, mas a piada está garantida. A “única obra de Bolsonaro no Piauí” agora tem uma nova função: servir de alvo para visitantes bem-humorados que preferem apagar o nome de quem subiu a rampa do Planalto, mas saiu pela porta dos fundos.

Rasura sobre o acrílico mostra que alguém tentou tirar o nome do ex-presidente daquele lugar 


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