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Sem telefonia, 60 mil lares do Piauí enfrentam exclusão digital

Mesmo com o avanço do celular, Estado tem a menor proporção de domicílios com serviço telefônico do país e somente 23,9% das residências possuem computador, segundo o IBGE

Teresinha Ferreira

09 de agosto de 2026 às 07:35 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • **Conectividade no Piauí em 2025**: 60 mil domicílios sem serviço de telefonia (mobilidade ou fixa), com telefonia presente em 94,9% dos lares, o menor índice do país.
  • **Comparação Nacional**: A média brasileira de telefonia em lares é de 97,7%, com o Distrito Federal liderando em 99,5% dos domicílios.
  • **Crescimento do Uso de Celulares**: A presença de celulares em domicílios piauienses cresceu para 94,8% em 2025, ainda a menor proporção nacional.
  • **Exclusão Digital**: Não se limita à falta de aparelhos, mas inclui dificuldade de acessar e manter serviços de qualidade.
  • **Impactos da Falta de Conexão**: Restringe acesso a serviços essenciais como consultas médicas, educação, emprego, e serviços públicos.
  • **Presença de Computadores**: Apenas 23,9% dos lares tinham computadores, a quinta menor taxa nacional, refletindo uma dependência maior de celulares.
  • **Inclusão Digital de Idosos**: Crescimento significativo de idosos conectados à internet, aumentando a necessidade de educação digital.
  • **Desafios**: Ampliação de cobertura deve considerar acessibilidade financeira e qualidade dos serviços, visando evitar aumento de desigualdades.

Ascom Etipi Apesar do avanço dos celulares, o Piauí apresentou a menor cobertura domiciliar de telefonia do país em 2025.
Apesar do avanço dos celulares, o Piauí apresentou a menor cobertura domiciliar de telefonia do país em 2025.

Em um cotidiano no qual consultas médicas, oportunidades de emprego, movimentações bancárias, aulas, documentos e serviços públicos estão cada vez mais presentes no ambiente digital, aproximadamente 60 mil domicílios do Piauí ainda não possuíam acesso a qualquer serviço de telefonia em 2025. O número considera tanto a telefonia móvel quanto a fixa e integra os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o levantamento, o serviço de telefonia estava presente em 94,9% dos domicílios piauienses. Apesar da ampla cobertura, esse foi o menor percentual entre todas as unidades da Federação. Na prática, 5,1% das residências do estado permaneciam sem telefone fixo ou celular conectado ao serviço. A média brasileira chegou a 97,7%. No Distrito Federal, líder do levantamento, a telefonia alcançava 99,5% dos domicílios. Goiás e Santa Catarina apareciam em seguida, ambos com 98,9%.

Celular avançou, mas Piauí permanece na última posição

A presença física de celulares nos lares também aumentou. Em 2025, pelo menos um morador utilizava telefone celular em 94,8% dos domicílios piauienses. Em 2016, esse índice era de 90,2%, o que representa um avanço de 4,6 pontos percentuais em nove anos. Mesmo com o crescimento, o Piauí continuou com a menor proporção do país. Ceará, com 95,2%, e Pernambuco, com 95,5%, apareceram logo acima. A média nacional alcançou 97,4%.

Os dados revelam duas situações próximas, mas diferentes: uma residência pode ter um aparelho celular sem dispor regularmente de serviço de telefonia, assim como pode manter algum serviço telefônico sem que todos os moradores possuam aparelho próprio. Esse detalhe é importante porque a exclusão digital não se resume à ausência do equipamento. Ela também envolve dificuldades para contratar e manter planos, acessar sinal de qualidade, comprar créditos e utilizar internet com velocidade suficiente.

Falta de conexão restringe acesso a direitos

Ficar sem telefonia significa enfrentar obstáculos em atividades que migraram para o celular. Agendamentos, confirmações de consultas, inscrições em cursos, acesso a vagas de emprego, autenticação bancária e comunicação com órgãos públicos frequentemente dependem de um número telefônico ou de aplicativos. A limitação tende a atingir de forma mais intensa famílias de baixa renda, moradores da zona rural, idosos e pessoas que vivem em regiões com infraestrutura de telecomunicações insuficiente.

O resultado do Piauí mostra, portanto, que ampliar a cobertura não significa apenas instalar antenas ou aumentar o número de aparelhos. O desafio inclui tornar os serviços financeiramente acessíveis, melhorar a qualidade do sinal e garantir que a população saiba utilizar as ferramentas disponíveis.

Computadores estão presentes em menos de um quarto dos lares

A dependência dos celulares fica ainda mais evidente quando se observa a presença de computadores. Somente 23,9% dos domicílios piauienses possuíam microcomputador, como desktop ou notebook, em 2025. O índice colocou o Piauí na quinta menor posição do país, superando apenas Maranhão, com 18,9%; Alagoas, com 23,2%; Ceará, com 23,3%; e Pará, com 23,8%. A média nacional foi de 38,7%.

Em 2016, os computadores estavam presentes em 25,7% das residências piauienses. O percentual chegou ao ponto mais alto em 2022, com 26,8%, mas voltou a diminuir nos anos seguintes. A queda acompanha uma tendência nacional de substituição do computador pelo celular. O problema é que o aparelho móvel, embora mais barato e acessível, nem sempre oferece as mesmas condições para estudar, elaborar currículos, preencher formulários extensos ou executar atividades profissionais.

Número de idosos conectados cresceu dez vezes

O levantamento também apresenta um sinal positivo. O número de piauienses com 60 anos ou mais que utilizavam a internet passou de aproximadamente 35 mil, em 2016, para 358 mil em 2025. Em nove anos, o crescimento foi de 922,8%. A proporção de idosos conectados saltou de 8,5% para 65,2%, mostrando que a inclusão digital avançou com força entre pessoas mais velhas.

O aumento facilita o contato com familiares, o uso de serviços bancários, o acesso a informações e a realização de procedimentos sem a necessidade de deslocamento. Ao mesmo tempo, amplia a necessidade de políticas de educação digital e prevenção a golpes virtuais.

Os dados expõem um Piauí marcado por dois movimentos simultâneos: enquanto mais pessoas entram no ambiente digital, uma parcela da população continua sem acesso aos meios básicos de comunicação. Reduzir essa distância será decisivo para evitar que a digitalização dos serviços aumente desigualdades já existentes.


Fonte: PNAD Contínua – IBGE