A FORÇA DO PIX
Da Redação com informações do jornalista Pedro Silvini, no Diário do Comércio
10 de agosto de 2026 às 16:48 ▪ Atualizado há 2 horas
Em um movimento que mistura economia, tecnologia e geopolítica, o Pix, o revolucionário sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, deixou de ser uma facilidade restrita às fronteiras nacionais. Turistas brasileiros já podem utilizá-lo em estabelecimentos comerciais de oito países, incluindo os Estados Unidos. A expansão, no entanto, acontece em um momento de tensão, com o sistema sendo alvo de críticas e tarifas do governo americano, o que transformou sua defesa em uma bandeira de soberania nacional pelo Palácio do Planalto.
A novidade para os viajantes é que, a partir de agora, é possível usar o Pix para pagar compras em países como Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Estados Unidos, Portugal, Espanha e França. O processo é simples e já conhecido dos brasileiros: o estabelecimento gera um QR Code, o turista o lê pelo aplicativo do seu banco, confere o valor já convertido para reais com todas as taxas, e autoriza o pagamento em segundos
A principal vantagem para o bolso é a economia. Enquanto o cartão de crédito internacional cobra 5,38% de IOF e usa a cotação do dólar turismo, o Pix no exterior opera com câmbio comercial e impostos menores, o que pode resultar em um custo final mais baixo . O Banco Central, no entanto, esclarece que não existe um "Pix internacional" oficial. As transações são viabilizadas por empresas de câmbio credenciadas, chamadas de eFX, que fazem a conversão em tempo real .
O Pix como alvo geopolítico
A popularidade e eficiência do Pix chamaram a atenção de Washington. Em julho, o governo de Donald Trump incluiu o sistema como justificativa para impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros . O argumento americano é que o Pix, por ser criado e operado pelo Banco Central, recebe um "tratamento preferencial" que restringe a atuação de empresas privadas norte-americanas, como Visa e Mastercard.
No entanto, especialistas ouvidos pela imprensa apontam que a motivação vai além da concorrência comercial. Para analistas, o ataque dos EUA ao Pix tem um forte componente geopolítico, relacionado ao desejo de manter o controle sobre a infraestrutura financeira global. Sistemas de pagamento nacionais, como o Pix, reduzem a eficácia de sanções econômicas, um dos principais instrumentos de poder de Washington. O professor Maicon Cláudio da Silva, da UFRRJ, destaca que "os EUA não querem perder esse poder que eles têm hoje sobre o sistema financeiro em boa parte do mundo".
Soberania em jogo
Diante das pressões, o governo brasileiro, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, transformou a defesa do Pix em um ato de afirmação da soberania nacional. A frase "O Pix é do Brasil" se tornou um slogan, estampado em cartazes e repetido em discursos.
A defesa do sistema é acompanhada por números que comprovam seu sucesso. O Pix bateu recorde histórico em 2025, movimentando R$ 35,4 trilhões, um crescimento de 33,6% em relação ao ano anterior . Além disso, o governo tomou medidas práticas para blindar a ferramenta, como o registro do Pix como marca de alto renome no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), dificultando o uso indevido de sua imagem . A popularidade do sistema no Brasil, com mais de 170 milhões de usuários, é um fator que incentiva sua expansão para outros países.
A expansão do Pix para o exterior e a defesa intransigente do sistema pelo governo brasileiro mostram que a inovação tecnológica tornou-se um novo campo de batalha diplomático. Para o Brasil, o sistema de pagamentos instantâneos deixou de ser apenas uma ferramenta financeira para se consolidar como um ativo estratégico de soberania e desenvolvimento econômico.
Fonte: Comércio
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